A Aprilia foi uma grande protagonista da primeira metade da temporada 2026 da MotoGP. Nem sempre pelas melhores razões. Graças a um expressivo salto de performance, a casa de Noale tomou o protagonismo das mãos da Ducati, mas, pouco a pouco, foi vendo as circunstâncias se imporem a ponto de o título do Mundial de Pilotos estar em xeque.

Depois de alguns anos ganhando tração, a Aprilia deu um salto decisivo e se apresentou para 2026 com a melhor moto do grid. Nas mãos de Marco Bezzecchi, a RS-GP começou o ano com o pé direito, com o italiano se colocando na liderança do campeonato praticamente desde o início.

O cenário, contudo, começou a mudar a depois do GP da Itália. Até ali, Bezzecchi somava duas poles e outras duas aparições na primeira fila do grid, um pódio em sprint e quatro vitórias e dois segundos lugares aos domingos. Assim, o #72 saiu de Mugello com 17 pontos de vantagem para Jorge Martín, o segundo colocado.

Na prova seguinte, na Hungria, veio o primeiro revés para cima de Bezzecchi, que foi derrubado por Martín no GP. O italiano até saiu de Balaton Park com uma vantagem maior na ponta da tabela ― 20 pontos ―, mas com Marc Márquez já cortando o atraso de 102 para 72 pontos.

Marco Bezzecchi perdeu muito terreno em só quatro corridas (Foto: Aprilia)

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A passagem pela Tchéquia, porém, resultou em outro fim de semana problemático. Marco foi suspenso do GP após estapear um fiscal de pista, o que cortou para só oito pontos a vantagem em relação a Martín ― e 40 em relação ao #93.

Bezzecchi chegou ao GP dos Países Baixos precisando responder ao crescimento da concorrência, mas falhou de novo e perdeu a liderança para Martín, que abriu sete de frente. Como desgraça pouca é bobagem, o GP da Alemanha completou uma quadra caótica na temporada de Marco, que caiu na classificação, fraturou a clavícula e teve de abandonar o fim de semana.

Com a sequência ruim, Bezzecchi não apenas perdeu a liderança, mas também despencou para a quarta colocação da classificação, 22 pontos atrás do companheiro de equipe. Agora, é Ai Ogura quem ocupa a vice-liderança, com Marc Márquez assumindo o terceiro posto, a só 18 da ponta.

Vale destacar, todavia, que nem só de azar é feita a fase da Aprilia. A Ducati foi pega de surpresa pelo avanço da RS-GP no início do ano, mas trabalhou para adicionar performance à Desmosedici. Além disso, Márquez buscou tratamento médico para resolver um problema no ombro direito, já que parafusos de uma cirurgia anterior tinham sido danificados em uma queda no ano passado e estavam cutucando um nervo, afetando a performance do multicampeão.

Ainda que o mais velho dos irmãos Márquez não esteja plenamente recuperado, a forma atual foi suficiente para render três vitórias em GP e duas em sprint nas últimas quatro etapas, dando um fôlego extra para o titular da Ducati voltar à briga.

Enquanto Bezzecchi somou apenas 13 pontos nas últimas quatro etapas, Márquez somou 119, um montante que fica perto apenas da somatória de Ogura, que juntou 102 desde a passagem pela Itália. O próprio líder do campeonato ficou distante dos rivais mais próximos, juntando apenas 52 nas quatro etapas mais recentes.

Ainda que seja verdade que a Trackhouse foi uma força importante no último trecho da primeira metade da temporada ― com 174 pontos conquistados entre Ogura e Raúl Fernández ―, a Aprilia enquanto equipe de fábrica perdeu terreno, ganhando só 65 pontos no Mundial de Equipes entre Hungria e Alemanha. A Ducati, por sua vez, acumulou 180 tentos entre Marc e Francesco Bagnaia.

Assim, enquanto a Aprilia amargou tropeços, a Ducati voou para recuperar o terreno perdido no início do ano. E, por isso, a marca comandada por Massimo Rivola tem o sonho do título em xeque.

Se quiser sair campeã de 2026, a Aprilia terá de voltar às pistas com força máxima. A moto tem qualidade o suficiente para se impor. Resta saber se os pilotos conseguem voltar à boa forma.

MotoGP agora parte para as férias e só volta a acelerar entre os dias 7 a 9 de agosto, com o GP da Grã-Bretanha, 12ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.