Alexandre Barros escolheu para quem passar o bastão de representante do Brasil na MotoGP. Neste caso, literalmente. Com o anúncio da chegada de Diogo Moreira à classe rainha do Mundial de Motovelocidade em 2026 com a LCR, o #10 será o sucessor daquele de quem um dia foi pupilo.
Barros é responsável direto por Moreira ser um piloto de motovelocidade. Afinal, foi o dono de sete vitórias na MotoGP quem identificou o talento do piloto nascido em Guarulhos em pista de motocross e o tirou do off-road. Foi com Alex que Diogo deu os primeiros passos no motociclismo em pista.
Filho de um ex-piloto de motocross, Moreira começou a carreira na modalidade, mas tudo mudou em 2014. Naquela época, a cervejeira Estrella Galicia, que estava no país desde o ano anterior, quis replicar por aqui o que já fazia na Espanha: investir na formação de jovens talentos do esporte. A empresa do grupo Hijos de Rivera, então, procurou o ex-piloto Emilio Alzamora, que indicou Alex para liderar a iniciativa no Brasil.
Barros, então, recorreu a outras disciplinas para encontrar talentos para a equipe que tinha na época na Superbike Brasil. Diogo foi recrutado aos 10 anos, em 2015, quando já somava o título de Campeão Brasileiro de Motocross nas 50cc.
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“Eu tive uma proposta para andar no asfalto”, contou Moreira em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO em 2021. “Acabei fazendo uma prova, um teste, e acabei que gostei muito da motovelocidade e até hoje estou aqui”, seguiu.
O programa com a Estrella Galicia previa um intercâmbio com a Monlau, a escola-técnica que formou Álex e Marc Márquez, o que levou Moreira à Europa em 2014, para disputar a categoria 85GP, dentro do Campeonato Espanhol de Velocidade (CEV).
No Velho Continente, Diogo teve acesso à base mais forte da atualidade: a espanhola. Por lá, fez o mesmo caminho de muitos dos rivais com quem compete no Mundial: passou pela Talent Cup Europeia, fez Mundial Junior de Moto3 e disputou a Red Bull Rookies Cup.

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A chegada ao Mundial aconteceu em 2022, com a MSi, uma então recém-chegada. Naquela temporada, Diogo fechou o ano em oitavo, com um pódio, sendo o melhor novato da competição. No ano seguinte, com a mesma equipe, repetiu a posição na classificação, mas agora somando uma vitória e três pódios ao currículo.
Na temporada seguinte, o filho de Luiz e Sandra subiu para a Moto2, com a já veterana Italtrans. O grande salto de performance veio na segunda metade do ano, com a estreia no pódio acontecendo na corrida final da temporada 2024 ― com uma ultrapassagem na última curva da última volta em Barcelona, tal qual Valentino Rossi tinha feito em 2008 em cima de Jorge Lorenzo ―, o que lhe rendeu o título de estreante do ano.
Em 2025, Moreira começou forte desde o início da temporada, colocando-se entre os postulantes ao título, o que despertou o interesse de praticamente todas as fábricas ― a exceção foi a Aprilia, representada na disputa pelo passe do #10 pela Trackhouse, que chegou a convidá-lo para um dia de testes no lugar de Ai Ogura, na época lesionado.

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A primeira vitória na Moto2 ― dele e de um brasileiro ― veio no GP dos Países Baixos, depois de um duelo que durou a corrida inteira contra Arón Canet. Antes, em Aragão, a vitória tinha escapado por só 0s003, com Deniz Öncü conseguindo passar na linha de chegada. Depois, na Alemanha, Diogo teve dificuldades na classificação no molhado e acabou saindo apenas em 25º. Na corrida em Sachsenring, porém, ele fez uma impressionante prova de recuperação, mas um toque com Jake Dixon na disputa pelo terceiro posto colocou tudo a perder.
Moreira escapou da pista e, ao voltar, acabou deixando David Alonso sem espaço para reagir, o que culminou com um forte acidente entre os dois. O #10 abandonou a prova e ainda foi punido, o que resultou em uma largada do pit-lane no GP da Tchéquia. Diogo, contudo, tinha lesionado o cotovelo no acidente em território alemão e não conseguiu completar a disputa.
Os dois abandonos seguidos derrubaram o brasileiro para a quarta posição no campeonato, a 60 pontos do líder, mas, na volta das férias, o brasileiro voltou mostrando força: venceu na Áustria e foi segundo na Hungria, cortando a vantagem de Manuel González para 31 pontos e retomando a terceira posição na tabela.
Na Catalunha, Diogo teve um fim de semana difícil e ficou só em 14º. Em San Marino, o brasileiro se recompôs e ficou em quarto, seguido de um terceiro lugar no Japão. O retorno às vitórias aconteceu na Indonésia, quando a desclassificação de González por uma infração técnica deixou os dois separados por só nove pontos.
Agora, garantido na LCR Honda para 2026, Diogo completa o ciclo e inicia o capítulo final da história que Alex Barros começou lá atrás.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 17 a 19 de outubro com o GP da Austrália, direto de Phillip Island, 19ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.