19 anos após a saída de Alexandre Barros, o Brasil vai voltar a ter um representante na MotoGP. A Honda anunciou nesta terça-feira (14) um acordo multianual com Diogo Moreira, que vai estrear na classe rainha do Mundial de Motovelocidade na temporada 2026.
Aos 21 anos, Moreira assegurou a chance de ser apenas o quinto brasileiro a alcançar a classe rainha, depois de Adu-Celso Santos, Edmar Ferreira, Marco Greco e Barros. O salto à classe principal chega após dois selos de novato do ano ― na Moto3 em 2022 e na Moto2 em 2024 ― e em meio à disputa pelo título na divisão intermediária.
2026 não era o ano mais propício para pular para a MotoGP, já que a maioria dos pilotos está em contrato de dois anos e eram poucas as vagas em aberto. O salto de performance do brasileiro, porém, foi suficiente para cativar a maior parte das fábricas do grid.
No início de julho, o GRANDE PRÊMIO noticiou que quatro das cinco construtoras tinham manifestado interesse no passe do #10: além da Honda, Yamaha, Ducati e KTM também. A Aprilia ― que na época vivia às turras com Jorge Martín para mantê-lo ao lado de Marco Bezzecchi como previsto originalmente ― não procurou Diogo, mas o interesse se deu via satélite Trackhouse, que chegou a oferecer um teste com a RS-GP em substituição a um lesionado Ai Ogura — o piloto nascido em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, não aceitou.
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O interesse aumentou após a primeira vitória na Moto2 — conquistada no GP dos Países Baixos —, mas o empresário de Moreira tratou de mantê-lo alheio às ofertas até o período das férias, já que a prioridade era focar na disputa do momento. Com a pausa do campeonato, Diogo pôde, enfim, tomar pé da situação. A prioridade era por um contrato de três anos, já que a MotoGP está diante de uma mudança de regulamento, com os atuais motores de 1000cc sendo substituídos pelos propulsores de 850cc a partir de 2027.
A disputa pelo passe de Diogo ficou focada em Honda e Yamaha, mas a oferta da marca da asa dourada foi a mais atrativa. Decepcionada com Somkiat Chantra, que jamais conseguiu atingir um nível de performance aceitável para a MotoGP, e sem conseguir atrair Martín — que, depois de muita polêmica, optou por cumprir o contrato com a Aprilia —, a montadora japonesa decidiu refazer os planos: abriu mão de ter um piloto asiático na LCR, desistindo de um programa que foi responsável, por exemplo, pelos sete anos de permanência de Takaaki Nakagami na equipe de Lucio Cecchinello, para oferecer a posição ao brasileiro. Chantra, contudo, não ficou sem abrigo: foi transferido para o Mundial de Superbike, onde vai formar par com Jake Dixon na equipe oficial da HRC.
Assim, Diogo vai ficar ao lado de Johann Zarco em 2026. O francês teve bom desempenho, contribuiu com o desenvolvimento da RC213V e renovou o contrato até 2027.
No caso de Moreira, o início com a LCR deixa as portas abertas para a HRC, a equipe de fábrica, no ano seguinte, já que os contratos de Joan Mir e de Luca Marini — que foi renovado por mais um ano — chegam ao fim. A ESPN apurou que o contrato foi assinado no Japão e o brasileiro optou pela marca japonesa justamente por oferecer um pacote mais vantajoso para o futuro.
Com a promoção para a classe principal, Diogo vai suceder àquele que teve como mentor e que representou o Brasil na MotoGP. Afinal, Alex tem relação direta com o fato de o #10 ser um piloto de motovelocidade, já que foi justamente o maior expoente do motociclismo brasileiro que encontrou Diogo no motocross e o preparou para a transição para a motovelocidade em 2014.

Alex atuou em um projeto bancado pela Estrella Galicia, a cervejeira que tem uma longa tradição de apoio ao esporte na Espanha, e repetiu o mesmo processo no Brasil com Diogo. Foi por meio da marca do grupo Hijos de Rivera que o filho de Luiz e Sandra partiu para a Europa para a fazer a base do motociclismo espanhol e garantir o preparo necessário para encarar o mundial.
Com três vitórias no ano, Diogo enfrenta a reta final da temporada da Moto2 muito vivo na briga pelo titulo. Com quatro GPs ainda pela frente, o #10 hoje ocupa a segunda colocação no Mundial de Pilotos, com 229 pontos, nove a menos do que o líder Manuel González.
O salto para a MotoGP, contudo, obrigará a troca no número de Moreira, já que Marini usa o #10. Quando chegou à Europa, Diogo corria com o #92, mas fez a opção pela mudança justamente para vestir o número mais famoso do esporte nacional, uma referência ao futebol.
“Chegar à MotoGP com a Honda LCR é um sonho que se torna realidade”, disse Moreira. “Quero agradecer à Honda e à equipe por acreditarem em mim e me darem essa oportunidade incrível”, seguiu.
“Estou empolgado em aprender, crescer e lutar por resultados fortes no nível máximo do motociclismo”, completou.
Chefe da LCR, Lucio Cecchinello celebrou a chegada de Diogo e avaliou que o brasileiro provou o talento dele em variadas disciplinas.
“Estamos muito satisfeitos em anunciar a chegada de Diogo Moreira à nossa equipe”, disse Cecchinello. “Sem dúvidas, Diogo possui todas as qualidades para se tornar um dos grandes nomes da MotoGP”, seguiu.
“Ele tem um talento inegável, uma paixão profunda pelas corridas e provou a velocidade dele em todos os tipos de motocicletas e disciplinas”, destacou. “Em nome de toda a LCR, dou uma calorosa acolhida a Diogo e agradeço à Honda HRC por confiar a nós esse empolgante projeto para 2026”, encerrou.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 17 a 19 de outubro com o GP da Austrália, direto de Phillip Island, 19ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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