Jack Miller reconheceu que a passagem pela MotoGP está chegando ao fim, mas garantiu que deixará a categoria com orgulho da trajetória construída ao longo de 12 temporadas. Aos 31 anos, o australiano disse que ainda não sabe se terá vaga no grid em 2027, mas fez questão de valorizar tudo o que conseguiu desde a estreia na classe rainha.

Miller não conquistou títulos mundiais em nenhuma das duas categorias em que competiu, mas construiu um currículo relevante na MotoGP. O piloto da Pramac, que também correu defendeu LCR, Ducati e KTM, subiu 33 vezes ao pódio em GPs, sendo 23 delas na classe principal, e venceu dez corridas, incluindo quatro na MotoGP.

Miller admitiu que a carreira não correspondeu completamente a todas as expectativas criadas no início, mas lembrou que esse sentimento também acompanha grandes nomes da categoria.

“Acho que até caras como Valentino [Rossi] olham para a carreira e encontram coisas que gostariam de ter feito mais. Mas, ao mesmo tempo, acho que é preciso parar, olhar para tudo e dizer: ‘Tudo isso começou como um sonho'”, disse em entrevista ao portal Crash.

Jack Miller (Foto: Michelin)

“Ter a oportunidade de fazer o que fizemos nos últimos 12 anos aqui na MotoGP foi algo muito especial — estou muito feliz, tenho muito orgulho das conquistas. Com certeza existem coisas que eu gostaria de ter feito mais, mas, infelizmente, como diz o ditado, nem sempre é possível conseguir o que se quer”, completou.

Miller, cotado para seguir dentro da estrutura da Yamaha, mas no WSBK (Mundial de Superbike), também afirmou estar satisfeito com o momento atual, tanto fora das pistas quanto dentro delas, embora ainda considere que poderia ter alcançado resultados melhores em determinadas circunstâncias.

“Estou feliz com o ponto em que estou na vida, com o ponto em que estou nas corridas, com o ponto em que estou mentalmente, me sinto bem na moto. Ainda sinto que não alcancei aquilo de que sou capaz, mas, infelizmente, é mais uma questão de momento, de conseguir o equipamento certo no momento certo e ser capaz de utilizá-lo.”

Jack Miller, Brad Binder e Maverick Viñales. Os três devem deixar o grid da MotoGP neste ano (Foto: Gold & Goose/ Red Bull Content Pool)

Além da quantidade de equipes e fabricantes pelos quais passou, Miller também considera motivo de orgulho a maneira como encerrou cada ciclo profissional dentro da MotoGP. Segundo o australiano, a relação construída com as diferentes pessoas do paddock permaneceu positiva mesmo após as mudanças de equipe.

“Acho que posso ter orgulho disso. A única da lista é a Aprilia, que não tive a oportunidade de colocar no currículo. Tive a sorte de trabalhar com alguns fabricantes incríveis ao longo dos anos”, celebrou.

“Outra coisa da qual posso me orgulhar é que posso entrar em praticamente qualquer um dos boxes e conversar com absolutamente qualquer pessoa. Saí bem com todo mundo, o que foi bom. Essa é uma coisa da qual tenho orgulho, com certeza”, concluiu.

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