Jorge Martín deu nesta sexta-feira (6) o primeiro sinal de que não pretende facilitar a conquista do título da MotoGP por Marc Márquez no GP do Catar. Depois de duas semanas marcadas por uma fratura no punho direito, uma tentativa frustrada de retorno e uma nova corrida contra o tempo para se recuperar, o espanhol voltou à pista e deu um bom indicativo de que pode somar pontos em Lusail.
O espanhol andou bem no TL1 e, no treino que definiu os dez classificados diretamente para o Q2 da classificação, conseguiu uma das vagas ao fechar a atividade em sétimo.
A sequência que trouxe o espanhol até aqui começou na sprint da Austrália. Enquanto disputava a vitória com Marc Márquez, Martín sofreu uma queda na curva 8 de Phillip Island e fraturou o rádio direito, na região do pulso. O acidente não apenas o tirou da corrida principal — posteriormente cancelada por causa das condições climáticas —, como também mudou completamente o cenário da disputa pelo campeonato.
Jorge perdeu a liderança para o rival da Ducati e precisou abandonar qualquer planejamento esportivo para concentrar os esforços na recuperação física. Em poucos instantes, uma batalha direta pela vitória se transformou em uma luta contra o calendário.
A primeira tentativa de voltar aconteceu na Malásia, apenas uma semana depois. Martín viajou a Sepang determinado a correr, foi liberado pela equipe médica e chegou a participar dos treinos. Na prática, porém, ficou evidente que a recuperação ainda estava longe do necessário para pilotar uma MotoGP em condições competitivas.
O desafio em Lusail era considerável porque o intervalo entre as etapas oferecia pouco tempo para recuperar uma lesão que ainda não estava consolidada. O próprio Martín estimou que o pulso havia evoluído de aproximadamente 20% de sua capacidade na Malásia para 50% no Catar. A retirada do gesso e a retomada dos movimentos ajudaram a melhorar as sensações, mas o piloto fez questão de reconhecer que o osso continuava fraturado.
Nesse contexto, garantir a vaga direta no Q2 é um grande resultado para que o #89 siga lutando pelo campeonato. “A frenagem é o que menos me preocupa neste momento. As mudanças de direção são muito mais difíceis e também sinto dor quando estou muito inclinado. Já estou me acostumando a pilotar com toda essa dor. É possível que o pulso volte a sentir o esforço, mas espero que, com as terapias que estamos fazendo, a situação melhore um pouco”, disse o espanhol depois dos treinos.

“Quero ver como vou acordar amanhã. Gostaria de dar mais um passinho à frente. Senti uma melhora do TL1 para o treino da noite, então, se conseguir avançar um pouco mais, acho que não estou tão longe do grupo dos pilotos mais rápidos”, afirmou.
“Espero conseguir fazer uma boa volta rápida, porque é nisso que estou sofrendo mais neste momento: andar no limite. Se conseguir uma boa classificação e largar nas duas primeiras filas, será um bom resultado para tentar somar pontos”, completou.
A evolução de Martín ganha ainda mais importância porque Marc Márquez chegou ao Catar determinado em fechar o oitavo título da MotoGP. Depois de ampliar a vantagem na Malásia, o espanhol tem a primeira oportunidade de garantir o título de 2026 neste fim de semana.

Marc precisa terminar o fim de semana com uma vantagem 30 pontos maior sobre Martín e oito pontos maior sobre Bezzecchi para assegurar o campeonato no Catar. Como a sprint distribui até 12 pontos e o GP oferece até 25, o líder pode somar 37 pontos no total. Nesse cenário máximo, Martín precisa conquistar pelo menos oito pontos no fim de semana para impedir que a diferença entre os dois chegue a um patamar matematicamente inalcançável antes das etapas de Portugal e Valência.
O espanhol, portanto, não precisa necessariamente derrotar Marc nas duas corridas para cumprir seu primeiro objetivo. Basta pontuar o suficiente para manter a disputa aberta. É uma margem estreita, especialmente para alguém que ainda tenta recuperar a força de um pulso fraturado, mas a atuação inicial em Lusail devolveu alguma esperança.
Martín ainda precisa mostrar que consegue sustentar o ritmo, suportar a exigência física das corridas e completar o fim de semana sem que a dor volte a limitar seus movimentos. Ainda assim, o retorno desta sexta-feira representa um primeiro passo relevante para quem chegou a Lusail sob dúvidas tão grandes.

A MotoGP volta à pista neste sábado (7), a partir das 8h (de Brasília), para o TL2 do GP do Catar. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.
GP do Catar de MotoGP: veja os horários no Brasil
| Data | Atividade | Horário |
|---|---|---|
| Sábado, 7/11 | Classificação | 08h40 |
| Sábado, 7/11 | Sprint | 13h |
| Domingo, 8/11 | Warm-up | 08h40 |
| Domingo, 8/11 | GP | 13h |
Horários de Brasília
GP do Catar de MotoGP: veja os horários em Portugal
| Data | Atividade | Portugal continental e Madeira |
|---|---|---|
| Sábado, 7/11 | Classificação | 11h40 |
| Sábado, 7/11 | Sprint | 16h |
| Domingo, 1/11 | Warm-up | 11h40 |
| Domingo, 1/11 | GP | 16h |
Horários de Portugal continental e Madeira