O dia parecia destinado à rivalidade entre Marc Márquez e Jorge Martín pela liderança da MotoGP 2026 em Motegi — e assim foi na disputa pela pole e na corrida sprint da etapa japonesa da classe rainha. Mas, quando a brecha para novos protagonistas apareceu, Diogo Moreira aproveitou mais uma vez para se colocar no centro das atenções.

O segundo lugar na corrida sprint e o primeiro pódio na MotoGP, é verdade, veio depois das punições aplicadas a Martín e Enea Bastianini por ultrapassarem os limites de pista. Ainda assim, reduzir o resultado a uma consequência administrativa seria ignorar o principal: Diogo estava lá quando tinha de estar.

O brasileiro largou em nono, ganhou posições durante a corrida e terminou na pista em quarto, posição que o deixou pronto para herdar o resultado quando os rivais foram punidos. Na casa da Honda, vestindo a #11 e a faixa de capitão da marca, Moreira também mostrou a maturidade necessária para transformar uma oportunidade em um pódio inédito na MotoGP. Em uma categoria na qual oportunidades assim costumam desaparecer em poucos metros, estar no lugar certo também é parte do trabalho.

Diogo já vinha dando sinais de que poderia fazer algo relevante em Motegi. A classificação colocou o brasileiro novamente entre os dez primeiros, depois de uma sexta-feira em que a Honda mostrou evolução com diferentes motos. O desempenho no Japão também apareceu em um momento particularmente importante para o piloto, que trabalha para ganhar espaço dentro da estrutura da marca de Tóquio.

O top-3 da corrida sprint no Japão (Foto: Michelin)

Há também uma questão de evidente maturidade. Moreira não precisou transformar a corrida curta em uma disputa de tudo ou nada para chegar ao pódio. Depois de algumas etapas mais difíceis, o brasileiro encontrou no Japão o ritmo ideal no novíssimo asfalto do traçado e conseguiu combinar velocidade, leitura de corrida e consistência para avançar e quase alcançar Bastianini, colocando-se em posição de pódio mesmo antes das punições. O resultado acabou sendo a premiação desse combo.

“No fim das contas, chegou o dia. Vi a queda na curva 3 e pensei: ‘Ok, hoje vou tentar forçar o ritmo para ver no que dá’. Com o passar das voltas, fui me sentindo mais confortável com a moto e tentei poupar um pouco de energia para o final”, falou em entrevista após a corrida.

“Na última volta, vi que Martín e Enea ultrapassaram os limites da pista e pensei: ‘Ok, talvez a gente consiga o pódio’. E sim, estou muito feliz. Precisamos aproveitar esses momentos”, completou o #11.

Diogo Moreira conquistou pódio inédito na MotoGP (Foto: Michelin)

O brasileiro já mostrou velocidade suficiente para aparecer no top-10 em diferentes momentos da temporada e agora começa a acumular algo igualmente necessário para um piloto que pretende subir na hierarquia da MotoGP.

Em Motegi, a porta apareceu em meio ao duelo de Marc Márquez e Martín — e Moreira passou por ela. Por isso, o segundo lugar na sprint japonesa vale mais do que os pontos acrescentados à classificação do Mundial de Pilotos.

Em um momento de indefinição — ao menos pública — dentro da Honda sobre a dupla oficial da nova era da MotoGP, Diogo voltou a colocar o próprio nome na conversa. O GP do Japão, neste domingo (4), ainda pode acrescentar mais uma carta no baralho de resultados do #11 na MotoGP 2026. Ótimo ‘timing’, mais uma vez.

Diogo Moreira (Foto: LCR)

A MotoGP volta à pista neste domingo (4), a partir das 2h (de Brasília), para o GP do Japão, 16ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.