A MotoGP estabeleceu um novo recorde de mudanças de liderança em uma mesma temporada na era iniciada em 2002. Com as duas inversões registradas durante o GP da Indonésia, disputado neste fim de semana em Mandalika, o campeonato de 2026 chegou a oito trocas de líder, superando as seis contabilizadas em 2017 e 2024. O levantamento histórico do GRANDE PRÊMIO considera a classificação do Mundial após cada corrida principal e, desde 2023, também depois das sprints.
A nova marca foi construída em menos de 24 horas. Marc Márquez venceu a sprint de sábado (10), ultrapassou Jorge Martín e assumiu a liderança com quatro pontos de vantagem. No domingo (11), porém, o espanhol da Aprilia terminou em terceiro no GP da Indonésia, enquanto o rival da Ducati foi apenas sexto. O resultado devolveu a primeira posição a Martín, agora com 355 pontos, contra 353 de Márquez.
A sequência também fez a MotoGP registrar a sétima e a oitava mudanças de liderança no mesmo fim de semana. O campeonato já havia chegado à Indonésia com seis alternâncias, envolvendo quatro pilotos diferentes: Pedro Acosta, Marco Bezzecchi, Martín e Márquez. Com as duas novas inversões, 2026 ultrapassou todas as temporadas anteriores da era MotoGP no levantamento histórico realizado pelo GRANDE PRÊMIO.
MotoGP 2026 supera marcas de 2017 e 2024
A pesquisa do GRANDE PRÊMIO reconstruiu a liderança do Mundial desde 2002, quando a categoria principal passou a adotar a denominação MotoGP. O critério foi identificar o piloto que ocupava a primeira posição depois de cada sessão que distribuía pontos, sem contar o primeiro líder da temporada como uma mudança.
Até 2025, o maior número encontrado havia sido de seis trocas, registrado em 2017 e 2024. Em 2017, Maverick Viñales, Valentino Rossi, Andrea Dovizioso e Marc Márquez se alternaram na primeira posição. O espanhol da Honda assumiu definitivamente a liderança no GP de San Marino e terminou campeão.
Em 2024, a disputa ficou concentrada entre Jorge Martín e Francesco Bagnaia. Os dois protagonizaram seis inversões, incluindo mudanças provocadas pelas sprints do GP da Áustria e de Aragão. Martín assumiu a primeira posição pela última vez na corrida curta de Aragão e manteve a vantagem até conquistar o título.
A comparação exige considerar uma mudança importante no formato do campeonato. Até 2022, somente as corridas principais distribuíam pontos. Desde 2023, as sprints também podem alterar a liderança do Mundial, criando mais oportunidades para inversões durante o mesmo fim de semana.
Mesmo com essa diferença regulamentar, o levantamento permite identificar o maior número absoluto de mudanças de liderança registrado na era MotoGP, considerando todas as sessões pontuáveis de cada temporada.
Veja quantas mudanças de líder aconteceram em cada temporada da MotoGP
| Temporada | Trocas de liderança |
|---|---|
| 2002 | 0 |
| 2003 | 0 |
| 2004 | 2 |
| 2005 | 0 |
| 2006 | 5 |
| 2007 | 2 |
| 2008 | 4 |
| 2009 | 5 |
| 2010 | 1 |
| 2011 | 2 |
| 2012 | 2 |
| 2013 | 3 |
| 2014 | 0 |
| 2015 | 3 |
| 2016 | 3 |
| 2017 | 6 |
| 2018 | 3 |
| 2019 | 3 |
| 2020 | 3 |
| 2021 | 4 |
| 2022 | 4 |
| 2023 | 4 |
| 2024 | 6 |
| 2025 | 4 |
| 2026 (até Indonésia) | 8 |
Levantamento histórico do GRANDE PRÊMIO, considerando as mudanças de líder após corridas principais e, a partir de 2023, também após as sprints. O líder inicial de cada temporada não conta como troca.
A tabela também revela outros momentos de equilíbrio do campeonato. Em 2006, temporada do título de Nicky Hayden, foram registradas cinco mudanças, com Loris Capirossi e Valentino Rossi também ocupando a primeira posição. O mesmo número apareceu em 2009, quando Casey Stoner, Jorge Lorenzo e Rossi se alternaram no comando.
No extremo oposto, 2002, 2003, 2005 e 2014 terminaram sem qualquer troca de liderança depois da primeira etapa. Em todas essas temporadas, o piloto que saiu do primeiro GP na frente permaneceu na liderança até o encerramento do campeonato.
Indonésia provoca duas viradas e devolve ponta a Martín
A etapa de Mandalika sintetizou o equilíbrio observado durante a temporada. Martín chegou ao circuito com dois pontos de vantagem sobre Márquez, mas perdeu a liderança quando o rival venceu a sprint e conquistou os 12 pontos disponíveis. O representante da Aprilia terminou em quarto, somou seis e caiu para a segunda posição.
No domingo, a situação se inverteu. A Aprilia conquistou as quatro primeiras posições da corrida, com Marco Bezzecchi vencedor, Raúl Fernández em segundo, Martín em terceiro e Ai Ogura em quarto. Márquez não conseguiu acompanhar o ritmo das RS-GP e terminou em sexto, atrás também da KTM de Pedro Acosta.
O resultado permitiu a Martín recuperar exatamente os seis pontos perdidos no sábado. Assim, a diferença entre os dois principais candidatos ao título voltou a ser de apenas dois pontos, a mesma registrada antes do início do fim de semana.
A análise do GRANDE PRÊMIO sobre a capacidade de Márquez de limitar os danos na Indonésia mostra, entretanto, que o sexto lugar teve importância para o espanhol da Ducati. Mesmo diante da superioridade da Aprilia, o piloto conseguiu evitar uma perda maior de pontos.
O campeonato de 2026 já havia registrado a sétima mudança de liderança após a sprint da Indonésia. A corrida principal acrescentou mais uma inversão e consolidou a nova marca histórica.

Quatro pilotos lideraram Mundial em temporada de reviravoltas
A primeira liderança de 2026 pertenceu a Pedro Acosta, que saiu da abertura da temporada, na Tailândia, à frente dos adversários. Marco Bezzecchi assumiu a primeira posição depois do GP do Brasil, em Goiânia, iniciando uma sequência de mudanças que também envolveu Martín e Márquez.
O GP das Américas provocou duas inversões no mesmo fim de semana, com Martín assumindo a liderança na sprint e Bezzecchi recuperando a posição na corrida principal. O espanhol da Aprilia voltou ao topo nos Países Baixos, enquanto Márquez chegou à primeira posição pela primeira vez em San Marino, após empatar em pontos com Martín e levar vantagem no desempate.
A disputa voltou a mudar de mãos na Áustria, quando Martín reassumiu o comando, antes das duas alterações registradas na Indonésia.
MotoGP 2026 — As oito mudanças de liderança
| Mudança | GP / Sessão | Líder anterior | Novo líder |
|---|---|---|---|
| 1ª | Brasil — corrida | P. ACOSTA | M. BEZZECCHI |
| 2ª | Américas — sprint | M. BEZZECCHI | J. MARTÍN |
| 3ª | Américas — corrida | J. MARTÍN | M. BEZZECCHI |
| 4ª | Países Baixos — corrida | M. BEZZECCHI | J. MARTÍN |
| 5ª | San Marino — corrida | J. MARTÍN | M. MÁRQUEZ |
| 6ª | Áustria — sprint | M. MÁRQUEZ | J. MARTÍN |
| 7ª | Indonésia — sprint | J. MARTÍN | M. MÁRQUEZ |
| 8ª | Indonésia — corrida | M. MÁRQUEZ | J. MARTÍN |
Martín foi o piloto que mais vezes assumiu a liderança durante a temporada, com quatro mudanças a seu favor, seguido por Bezzecchi e Márquez, com duas cada. Acosta aparece como líder inicial, mas não voltou à primeira posição depois do GP do Brasil.
A MotoGP retorna entre 23 e 25 de outubro, para o GP da Austrália, em Phillip Island. Martín chegará com 355 pontos, apenas dois à frente de Márquez, enquanto Bezzecchi ocupa a terceira posição, com 309.
Com cinco etapas restantes, o recorde de oito mudanças ainda poderá ser ampliado. A pequena diferença entre os dois primeiros deixa aberta a possibilidade de uma nona inversão já na Austrália.
O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a disputa pelo título na cobertura completa da MotoGP, com notícias, resultados e análises das etapas restantes.