Silverstone deixou uma mensagem importante para a segunda metade da MotoGP: a Aprilia se reencontrou após a série de tropeços e vai seguir dando trabalho para a Ducati. A marca de Noale foi a força mais consistente do fim de semana, colocou as quatro motos em evidência e terminou o GP com uma trinca no pódio. Mais do que o resultado, o desempenho mostrou que a Aprilia, mais uma vez na temporada, encontrou um pacote particularmente eficiente para um circuito rápido, técnico e exigente fisicamente.
O grande nome desse domínio deste domingo (9) foi Raúl Fernández. O espanhol aproveitou o erro de Jorge Martín na largada, imprimiu um ritmo imparável e nunca deu margem para uma reação do #89. Foi uma atuação completa, madura e que chega em um momento especialmente simbólico: poucos dias depois de renovar contrato com a Trackhouse, Raúl, que tinha dúvidas se teria lugar no grid em 2027, entregou na pista uma resposta importante sobre o espaço que merece ocupar dentro da estrutura da Aprilia.
A vitória não apaga as oscilações do #25 ao longo da carreira, mas reforça a sensação desde o ano passado de que existe potencial para algo maior. Em Silverstone, Raúl Fernández conseguiu transformar velocidade em resultado e mostrou capacidade para controlar uma corrida de MotoGP sem depender de circunstâncias favoráveis.

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Martín também deixa a Grã-Bretanha fortalecido. O espanhol perdeu quatro posições na largada por causa de um problema no acionamento do dispositivo de altura, mas recuperou terreno e terminou em segundo. Depois da vitória na corrida , os 32 pontos somados no fim de semana ampliaram ainda mais a liderança do Mundial de Pilotos, apesar de ele minimizar a vantagem.
“Sou líder, sim, mas ainda há muito campeonato pela frente, não quero me sentir líder porque agora não tem valor. O importante será no fim do ano e, para isso, preciso continuar trabalhando duro, o importante é que a cada volta que dou com a Aprilia sinto que estou um pouco mais perto de onde quero estar. Todos estamos aqui para vencer”, afirmou.
Marco Bezzecchi completa a fotografia positiva da Aprilia. Mesmo limitado fisicamente, o italiano resistiu bravamente durante toda a prova e garantiu o terceiro lugar. Silverstone exige muito do corpo, e o resultado ganha ainda mais peso diante da atual condição física do italiano. Com quatro motos competitivas e três no pódio, a Aprilia mostrou uma força coletiva que a Ducati não conseguiu reproduzir.

Marc Márquez, principal esperança da Ducati, não encontrou ritmo para acompanhar a disputa pela vitória e terminou atrás de três Aprilia. Foi, inclusive, menos competitivo que Fabio Di Giannantonio e Álex Márquez.
“A moto estava funcionando bem, o pneu estava funcionando bem, mas não consegui desempenhar”, admitiu. “Essa sétima posição era algo que já esperávamos, analisando a situação previamente. Um resultado otimista seria ficar entre os cinco primeiros, mas não conseguimos gerir a situação da melhor forma possível e terminamos em sétimo”, completou.
No fim, Silverstone foi um fim de semana de afirmação para a Aprilia. Martín ampliou a liderança, Bezzecchi mostrou resistência e Marc Márquez encontrou um cenário em que Ducati e físico não permitiram uma reação.

Mas a imagem que fica é a de uma Aprilia cada vez mais completa — e de um Fernández que aproveitou o melhor momento possível para mostrar que a renovação com a Trackhouse pode ser apenas mais um passo em uma trajetória de protagonismo no futuro da estrutura de Noale. Será?
A MotoGP agora faz uma pausa e volta a acelerar entre os dias 28 a 30 de agosto para o GP de Aragão, 13ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.