MARC MÁRQUEZ ESTÁ DE VOLTA! Depois de quatro anos vivendo no mais absoluto caos, o octacampeão do Mundial de Motovelocidade fez as pazes com a competitividade e, no colo acolhedor da Gresini, voltou a ser um protagonista da MotoGP.

O retorno ao protagonismo, porém, veio acompanhado de algumas dores. Entre elas, a da separação. Depois de 11 temporadas, Marc deixou a Honda, que vive mergulhada em uma crise e, com ele por lá, não dava grandes sinais de reação. Mas, antes de avançar, é preciso dar um passo atrás.

Marc dominou a MotoGP por anos, mas não dá para dizer que ele sempre teve a melhor moto. Isso talvez tenha acontecido apenas em 2014, quando ele engatou em uma impressionante sequência vitoriosa. Mas, apoiada no talento dele, a Honda deixou de olhar para a RC213V. E nem mesmo a performance pavorosa dos companheiros de equipe serviram de alerta de quer era preciso mudar. Nem sequer a passagem desastrosa de Jorge Lorenzo por lá foi capaz de fazer isso.

Aí o mais velho dos irmãos Márquez se machucou. E o que poderia ser uma lesão simples virou uma epopeia com uma trágica tentativa de acelerar o retorno. Na prática, o #93 passou três temporadas fora de combate em termos físicos, mas, em 2023, quando ele estava apto para guiar, ficou evidente que a Honda não tinha feito a parte dela para acompanhar o esforço dele em se recuperar.

Na Gresini, Marc Márquez reencontrou a competitividade (Foto: AFP)

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Marc se submeteu a quatro cirurgias. Na última delas, explicando de maneira bem grosseira, fraturou o braço de novo para remendar do jeito certo. Mas a montadora japonesa se limitou a fazer pequenos curativos. E, ao que parece, com o esparadrapo mais barato que achou na prateleira.

Vendo o tempo passar, Marc entrou em desespero. A Honda pode se dar ao luxo de esperar. Ela não tem data de validade. Sai uma moto, entra outra. No caso do atleta, é diferente. A ‘vida útil’ é bem reduzida. Então ele jogou a tolha. O contrato, que era válido para 2024, foi encerrado mais cedo para que ele pudesse migrar para a Gresini e guiar com uma Ducati.

Ali, o cenário era perfeito. Márquez é maior do que o time de Nadia Padovani. Todo mundo sabe disso. Então, o que quer que ele fizesse ali, seria o bastante para a equipe. Ou seja, ele correria livre de pressão.

Mas, mais do que isso, ao colocar as mãos na melhor moto do grid — sendo ela do ano ou não, a Ducati é a melhor moto da MotoGP —, Marc não teria nenhuma desculpa. Se a competitividade não viesse, era por que ele não era mais capaz de ser competitivo. Era por que o tempo dele tinha passado.

A curiosidade em torno da troca de moto foi gigantesca. Cada passo de Marc foi acompanhado nos mínimos detalhes. E, pouco a pouco, ele voltou a ser ele. O primeiro pódio veio na segunda etapa do ano, com um segundo lugar na corrida sprint de Portugal. Em GP, o irmão de Álex retornou ao top-3 na Espanha, também com um segundo lugar.

Marc Márquez garantiu vaga na equipe de fábrica da Ducati em 2025 (Foto: Ducati)

A vitória resistiu um pouquinho mais, mas também veio. A medalha de ouro na sprint chegou em Aragão, enquanto o topo do pódio em GP veio logo no dia seguinte, também no MotorLand, encerrando um jejum de mais de 1 mil dias.

Voltar a vencer trouxe todas as respostas que Marc foi buscar na Gresini. Mas, faminto como ele sempre foi, é claro que ele queria mais. Quando entendeu que ainda era o piloto de antes, Marc voltou a sonhar. E o sonho do título reavivou. Mas, para isso, o #93 entende que precisa da moto do ano. E foi nisso que ele trabalhou.

Inicialmente, a Ducati pensou em alocá-lo na Pramac, fazendo com ele o que fez com Jorge Martín neste ano. Mas o veterano não aceitou. Se era para ficar em equipe satélite com a moto do ano, que fosse na Gresini, que lhe havia estendido a mão quando ele precisou.

A negativa do filho ilustre de Cervera mudou os planos de Borgo Panigale. Márquez foi escolhido para formar dupla com Francesco Bagnaia no time principal a partir do próximo ano. E a Martín coube engolir a decepção e fazer as malas para a Aprilia — levando com ele o #1, diga-se de passagem.

Com três vitórias em GPs no ano, Marc fechou a temporada no terceiro posto do Mundial de Pilotos, derrotando Enea Bastianini apenas na última etapa da temporada por uma diferença de só seis pontos. Mas a melhor posição de campeonato desde o título de 2019 não era o mais importante. O seis vezes campeão da MotoGP foi para a temporada 2024 para se reencontrar. E conseguiu.

A exibição a bordo da GP23, que basicamente só ele conseguiu fazer funcionar diante da mais forte GP24, aliada ao histórico vitorioso e ao poderio confirmado e reafirmado pela Ducati, colocam Marc na posição de favorito ao título do próximo ano.

Chegando à equipe do bicampeão Bagnaia, Marc ainda se porta como visita e prestando toda reverência possível a Pecco, que é, merecidamente, o maior piloto da história da Ducati, mas a expectativa da torcida é ver a garagem pegar fogo. Gigi Dall’Igna, Davide Tardozzi e companhia terão trabalho em 2025. E o público vai adorar assistir.

A MotoGP volta a acelerar entre 5 e 7 de fevereiro de 2025 para os primeiros testes de pré-temporada, em Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.