A vitória de Raúl Fernández no GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, colocou a Trackhouse ainda mais em evidência na MotoGP. Com o espanhol e Ai Ogura em grande fase, a equipe norte-americana vive um momento mágico na classe rainha, catapultada pelo excelente momento técnico da Aprilia e pela força da RS-GP.
Para Justin Marks, proprietário da equipe americana, o resultado é a confirmação de um projeto que começa a alcançar o nível de competitividade planejado desde a entrada na categoria, em 2024.
Em entrevista ao site italiano GPOne, Marks destacou a evolução da Aprilia, a parceria com a fabricante italiana, o crescimento de Fernández e os planos para transformar a Trackhouse em uma força relevante também fora das pistas. O dirigente ainda revelou uma ambição de longo prazo: ajudar a formar um novo piloto americano para a MotoGP.
“Não estou surpreso com a velocidade da moto, porque sabemos como a Aprilia trabalha no desenvolvimento, conhecemos o objetivo final e sabemos quanto é investido em tecnologia e pessoas. Nos últimos dois ou três anos, vimos a moto seguir em uma direção que poderia torná-la uma das mais rápidas do grid — e acho que é onde estamos agora”, começou.
“Acho que o que é especial para nós é que tudo aconteceu ao mesmo tempo: a maneira como os dois pilotos pilotam, a maneira como os mecânicos e toda a equipe trabalham juntos e a chegada dos patrocinadores. Tudo aconteceu ao mesmo tempo, e isso torna este um período realmente mágico para nós”, emendou o dirigente.
“Estamos aqui há apenas alguns anos e estávamos começando a construir o que a Trackhouse realmente quer ser na MotoGP, em termos de marca, história e personalidade. Ter sucesso também na pista dá um enorme impulso para tudo isso.”

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Fernández renovou contrato com a Trackhouse até a temporada 2028, depois de passar por um período de incerteza sobre o futuro na MotoGP. Para Marks, a capacidade de continuar entregando resultados mesmo diante das dúvidas foi uma demonstração de maturidade do #25.
“Acho que isso mostra a maturidade e o fato de que ele realmente se tornou um atleta profissional. Cada pessoa amadurece no próprio ritmo. O aspecto único de Raúl é que não esperávamos que algumas decisões fossem tomadas quando foram. Então começamos a trabalhar para descobrir como seria o futuro daquele lado da garagem. Enquanto isso, Raúl continuava perguntando: ‘Onde está o contrato?’. Ele precisou ter muita paciência, e houve um período em que o futuro estava incerto”, admitiu.
“Mesmo assim, mesmo durante aquele período de incerteza, ele continuou entregando resultados. Então assinamos o contrato, demos segurança com um acordo de vários anos e deixamos claro que estávamos totalmente ao lado dele. E ele continuou entregando”, elogiou Marks.

Marks também falou sobre a saída de Ai Ogura, que deixará a Trackhouse ao fim da temporada para defender as cores da Yamaha. O dirigente afirmou que a decisão foi respeitada pela equipe e que o projeto é maior do que qualquer piloto.
“No caso de Ai, acho que surgiu uma oportunidade que ele esperava durante toda a carreira. Não conheço todos os detalhes e não sei exatamente qual foi a motivação: talvez a chance, como piloto japonês, de correr por uma fabricante japonesa. Não sei. Mas, qualquer que seja a razão, era algo muito importante para ele em nível pessoal.”
“Ele veio até nós e disse que escolheria um caminho diferente. Naquele momento, não houve negociações reais para convencê-lo a ficar. Respeitamos a decisão. Uma das coisas que sempre dizemos como empresa é que, na Trackhouse, a missão e o projeto são maiores do que qualquer pessoa, inclusive eu. É uma missão, uma história. Pilotos, mecânicos e patrocinadores vão e vêm, mas a razão pela qual fazemos tudo isso permanece: amamos este esporte e acreditamos no futuro”, disse Marks.

Por fim, Marks também enalteceu a parceria com a Aprilia e revelou o desejo a longo prazo de formar um piloto norte-americano no Mundial de Motovelocidade. “Não quero que exista uma equipe oficial e uma equipe satélite. Quero que existam duas equipes trabalhando como companheiras, com o objetivo de colocar quatro Aprilia nas quatro primeiras posições sempre que formos à pista.”
“Isso significa usar o mesmo equipamento, conversar com os engenheiros, compartilhar informações e apoiar uns aos outros. Felizmente, essa filosofia estava perfeitamente alinhada com a de Massimo Rivola e da Aprilia”
“Isso nos ajudou a chegar onde estamos hoje: podemos vencer corridas e, ao mesmo tempo, competir diretamente com eles. Depois de dias como este, as pessoas da Aprilia vêm abraçar o pessoal da equipe. Então, se chegarmos a Valência e estivermos brigando com Marco Bezzecchi ou Jorge Martín pelo campeonato, não sei o que vai acontecer. Mas o princípio é simples: somos rivais na pista e parceiros fora dela.”

“Queremos representar este esporte nos Estados Unidos. Para nós, o Santo Graal seria vencer uma corrida de MotoGP com um piloto americano na nossa moto”, admitiu.
“O problema é que, neste momento, ainda não existe uma infraestrutura suficientemente desenvolvida nos Estados Unidos para produzir esse tipo de talento. Então queremos ajudar a identificar e desenvolver esses pilotos, mas será o projeto que levará mais tempo entre todos os que temos pela frente, porque o próximo campeão americano da MotoGP provavelmente tem apenas três anos hoje”, concluiu Marks.
A MotoGP agora faz uma pausa e volta a acelerar entre os dias 28 a 30 de agosto para o GP de Aragão, 13ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.