A Yamaha desistiu de abrir os motores da YZR-M1 de 2020. A fábrica de Iwata tinha feito uma solicitação à MSMA (Associação das Fábricas de Motocicletas Esportivas) na esteira de problemas de confiabilidade que marcaram o início da temporada da MotoGP. Nesta sexta-feira (21), porém, Lin Jarvis, diretor da equipe, confirmou que voltou atrás.
A marca dos três diapasões tinha feito o pedido para poder trocar componentes internos do motor, mas dependia de uma autorização unânime de todas as fábricas concorrentes. Pelo regulamento da classe rainha, não podem ser feitas mudanças que representem em ganho de performance, apenas soluções que evitem problemas de segurança.
As rivais, porém, não aceitaram a explicação inicial da Yamaha e pediram mais informações. A fábrica, então, optou por retirar o pedido, já que não teve como apresentar a documentação solicitada.

“Nas últimas duas semanas aqui em Spielberg, tiveram duas reuniões da MSMA. Honestamente, a agenda é muito, muito cheia. São muitas coisas para discutir, incluindo os nossos motores, incluindo concessões, incluindo muitas coisas de bastidores, então há uma semana a Yamaha fez um pedido, não diretamente para a MSMA, mas pedimos ao diretor-técnico da MotoGP ― pois este é o protocolo ― para abrir o motor e trocar alguns componentes por uma questão de segurança”, explicou Jarvis ao site da MotoGP. “Fizemos o pedido há uma semana para trocar algumas válvulas em motores que paramos de usar por causa das duas falhas que tivemos no primeiro GP”, seguiu, se referindo a problemas com as motos de Valentino Rossi e Maverick Viñales no GP da Espanha.
“Na primeira reunião, nos pediram para fornecer mais evidências ou evidências especificas, ambas da fabricação das válvulas e também de propriedades específicas das válvulas. Na semana que passou depois dessa primeira reunião, nós investigamos profundamente dentro da fábrica e também falamos com o fornecedor e, no fim, não conseguimos fornecer a documentação solicitada”, contou. “Além disso, também descobrimos muito mais sobre os problemas de válvulas que tivemos, então voltamos atrás. Ontem foi uma reunião muito curta, pois retiramos formalmente nosso pedido”, relatou.
Agora, a Yamaha espera conseguir lidar com o problema apenas modificando o acerto do motor. Neste ano, a marca dos três diapasões ― assim como Honda, Ducati e Suzuki, as fábricas que não contam com concessões ― podem usar apenas cinco motores.
“O que vamos fazer para lidar com a situação é que, ao mesmo tempo em que conseguimos investigar mais profundamente as válvulas em si, também vimos a causa provável da falha, então vamos lidar com a situação. Estamos completamente confiantes de que conseguiremos sem ter nenhum problema de segurança na pista”, declarou. “Faremos isso com uma combinação de mudança no acerto do motor e também com a rotação deles ao longo da temporada. A conclusão é que retiramos nosso pedido e estamos confiantes em seguir em frente. De fato, voltamos a usar alguns dos motores originais neste fim de semana”, completou.
De acordo com a lista de motores mais recente publicada pela Dorna, a Yamaha já começou a usar os cinco motores de Viñales neste ano, assim como Franco Morbidelli, da satélite SRT. Valentino Rossi e Fabio Quartararo já estão na quarta unidade. Com exceção do líder do Mundial, os outros três pilotos tiveram um propulsor retirado da alocação.