A Stock Car anunciou em 17 de outubro a chegada de uma nova equipe: a Fittipaldi. Comandada pelo ex-piloto de Fórmula 1, Indy e endurance Christian Fittipaldi, o time vai ingressar no grid com uma operação de dois carros em 2027, ocupando parte das vagas deixadas pela Scuderia Bandeiras, que abandonou a disputa do campeonato em julho. Mas a notícia nova é que fará a estreia já neste 2026. Além disso, o projeto prevê a integração de estruturas com a Stock Light, principal categoria de acesso à modalidade.

Apesar de inicialmente preparar a estreia apenas para a temporada 2027, a Fittipaldi resolveu adiantar os processos e vai à pista já neste fim de 2026. Com Nelsinho Piquet ao volante, a equipe estreia na Corrida do Milhão, marcada para o Velopark, em 15 de novembro.

“Será importante para a nossa equipe estrearmos em um palco importante como a Corrida do Milhão e com um piloto experiente, veloz e vencedor como o Nelsinho, além do apoio de uma marca com uma enorme tradição de sucesso mundial no esporte, que é a Motul. Por tudo isso, estamos muito felizes e motivados”, afirmou Christian Fittipaldi. “A minha renovação com a Motul, anunciada ontem (29), proporcionou a oportunidade de estrearmos já em 2026”, contou Piquet.

Fittipaldi, inclusive, vinha atuando como chefe da Bandeiras desde o início da temporada 2025, quando a equipe ingressou no grid da Stock Car. Ao GRANDE PRÊMIO, confirmou que segue junto do projeto comandado pelo piloto Átila Abreu, mas focado em projetos e investidas para além do automobilismo brasileiro.

Em julho, Abreu encerrou a participação da Scuderia Bandeiras na Stock Car abruptamente, alegando insegurança jurídica e deterioração da relação com a Vicar, promotora da categoria. Rafael Suzuki, Rubens Barrichello e Nelsinho Piquet, que pilotavam junto de Átila pela equipe, já encontraram novas oportunidades no grid. Agora é Christian quem busca fazer o mesmo com o próprio time.

O layout divulgado para o carro da Fittipaldi na Corrida do Milhão (Foto: Divulgação/Stock Car)

O novo projeto de Fittipaldi na Stock Car também conta com a participação dos engenheiros Eduardo Akel e Adilson Morari como acionistas. Ambos estavam presentes na operação da Scuderia Bandeiras como líder de equipe e engenheiro de corrida, respectivamente. Fittipaldi confirmou ao GRANDE PRÊMIO que boa parte da estrutura e mão de obra da equipe de Átila Abreu será aproveitada no novo programa na Stock Car.

A trajetória de Morari também é importante para entender a estrutura do projeto comandado por Fittipaldi. O engenheiro é chefe da Garra Racing na Stock Light e chegou a levar a equipe gaúcha ao grid da Stock Car em 2024, mas a passagem foi curta. Os dois carros operados pelo time, então, foram adquiridos pela Scuderia Bandeiras, que ampliou a operação para quatro carros na temporada de estreia, em 2025.

Morari, desta forma, juntou-se à Bandeiras e permaneceu na equipe ao lado de Fittipaldi até a saída do time, em julho. Com isso, teve direito de preferência na compra dos dois carros que pertenciam à Garra e haviam sido transferidos para a Bandeiras em 2025. A nova equipe, assim, começou a se organizar a partir da estrutura que o time de Átila Abreu já tinha disponível na Stock Car, conforme explicou Christian ao GRANDE PRÊMIO.

Além disso, Fittipaldi, que teve passagem na categoria como piloto em 2005, 2006 e 2010, também confirmou que a nova equipe recebeu uma carta convite de Lincoln Bortoleto, CEO da Vicar, promotora da Stock Car, autorizando a inscrição no grid da temporada 2027 da Stock Car.

A Scuderia Bandeiras deixou a Stock Car em julho (Foto: Marcelo Machado de Melo/Vicar)

A escalação completa dos pilotos da Fittipaldi para 2027 será definida e anunciada posteriormente ainda neste ano. Já a estreia na Stock Light vem acompanhada também da introdução de um novo carro projetado pela Audace Tech, fabricante dos carros da categoria, que tem como diretor Enzo Bortoleto, filho de Lincoln.

Com passagem pela Fórmula 1 entre 1992 e 1994, Christian Fittipaldi ficou mais conhecido no automobilismo pela carreira nos Estados Unidos. Competiu na Indy entre 1995 e 2002, com duas vitórias, e depois teve grande carreira no endurance, com títulos do IMSA SportsCar e três vitórias nas 24 Horas de Daytona.