Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Adalberto Baptista confirmou que o filho, Bruno Baptista, não voltará a competir com os carros atuais da Stock Car. O empresário apontou para o fato dos modelos serem “ruins no quesito segurança” para tomar a decisão, alegando que, mantendo esses moldes, “vai haver uma fatalidade” na categoria.
Durante o treino livre 1 da etapa de Brasília da Stock Car, disputado nesta sexta-feira (28), Bruno Baptista rodou e teve a porta do passageiro acertada em T por João Paulo de Oliveira na Curva Zero, que antecede a reta principal — a categoria informou que o impacto foi a 133 km/h. Ambos pilotos foram encaminhados para o hospital em decorrência do acidente para mais exames, mas liberados no fim do mesmo dia. Baptista teve fissuras na mão e costela, enquanto Oliveira trincou a vértebra.
Após contato do GRANDE PRÊMIO na tarde deste sábado (29), Adalberto Baptista declarou que Bruno “estava bem” e já em São Paulo. Na entrevista, o empresário colocou dúvidas sobre a segurança do carro da Stock Car e que “não vai deixar a vida do filho em risco” — reportou que o piloto não competirá mais com o modelo atual. O empresário disse que comunicou à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) os questionamentos pela falta de segurança dos carros da Stock Car.
“Como pai, encaminhei ao Giovanni Guerra, o presidente da CBA, um pedido, pois vai haver uma fatalidade. Esses carros já se mostraram ruins, tecnicamente e esportivamente, agora ficou provado que eles são ruins no quesito segurança também. E eu não posso colocar a vida do meu filho em risco”, disse Adalberto Baptista.
“Sei que ele tem compromissos com patrocinadores, mas isso vamos ter de resolver de alguma forma. O que aconteceu ontem… não sei se viram os vídeos da parte do carro: o tanque de gasolina, a estrutura, a gaiola… a gaiola rachou como se fosse feita de um material totalmente impróprio para uso de proteção aos pilotos”, continuou Adalberto Baptista.
“Todas as categorias do automobilismo mundial evoluem ano após ano em segurança. E a gente vê que, na Stock Car, isso foi revelado ao segundo plano, o que torna o esporte perigoso. Então, a decisão que eu tomei em relação ao meu filho é verdadeira [de não correr mais neste carro]. Espero que as autoridades tomem providências”, completou Adalberto Baptista.
Após o acidente, os pilotos cogitaram não correr mais neste fim de semana ao saber das consequências do acidente e de como ficou o resto do carro de Baptista, procurando a CBA para esclarecimentos. Com o impacto, o #44 rachou e teve diversas peças quebradas. Baptista chegou a ficar desacordado, apurou o GRANDE PRÊMIO.
Na entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Adalberto Baptista relatou ter relação pessoal com alguns pilotos, apontando que muitos competidores “não queriam entrar na pista”, mas que ficaram sem essa opção por questões contratuais — como no caso de quem tem acordo com a ArcelorMittal, que fornece matéria-prima aos carros da Stock Car.
Adalberto Baptista ainda criticou a Stock Car, que multou o próprio Bruno em R$ 100 mil por reclamar da categoria após a etapa de Cascavel, chamando de “campeonato da mordaça”. Por fim, o empresário informou que “fez o que poderia fazer”, além de mencionar ter tomado “as medidas judiciais cabíveis”.
“Nesse grid da Stock Car, tenho oito ou dez pilotos que são meus amigos pessoais, e outros que são muito amigos do meu filho, que até me chamam de tio. E, a partir de hoje, cada corrida em que todos terminarem vivos, vai ser uma prova de sobrevivência. O automobilismo é um esporte de risco, onde as colisões acontecem, mas ontem meu filho foi salvo porque o outro carro estava em baixa velocidade. Se olhar o estado da gaiola, o tanque e todo o resto… qualquer pai, na minha situação, tomaria a mesma decisão”, comentou Baptista.
“Muitos pilotos me ligaram dizendo que não queriam entrar na pista, mas muitos são patrocinados pela ArcelorMittal, outros têm contratos a cumprir — só sete se negaram, e no final foram forçados a entrar. Quem reclama é multado — e nós já tomamos as medidas judiciais cabíveis. É o campeonato da mordaça”, prosseguiu Adalberto Baptista.
“Fico triste, porque sou amante do automobilismo também. Mas, infelizmente, é isso. Só espero que nenhuma fatalidade ocorra. O que eu podia fazer — informar os órgãos oficiais, o presidente da CBA, os organizadores — eu já fiz. Como pai, fiz tudo o que estava ao meu alcance. Foi um livramento de Deus não ter acontecido nada de mais grave ontem”, encerrou Adalberto Baptista.
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