A F1 2022 deixou a sensação de que, hoje, ninguém consegue bater de frente com Max Verstappen. Com Lewis Hamilton, seu enorme rival de 2021, fora de combate por um carro problemático da Mercedes, Sergio Pérez, Charles Leclerc e Carlos Sainz não foram páreo para o neerlandês, que conquistou o bicampeonato com extrema tranquilidade.

Max, então, do alto de seus ainda 25 anos, já soma dois títulos. E em circunstâncias bem distintas: um com drama, briga ferrenha, na última volta e outro com tranquilidade, domínio, avassalador, ao estilo que os melhores um dia também fizeram. Para 2023, o cenário parece ser muito mais o de 2022 do que o de 2021.

Com a Red Bull fechando 2022 bem melhor que Ferrari e Mercedes, dominando a pré-temporada sem nenhum tipo de esforço e com Verstappen, é sempre bom repetir, vivendo uma fase absurda, um auge que não acaba, o neerlandês é bastante favorito ao tri e a já começar a tentar derrubar marcas e mais marcas. E ele sabe do favoritismo, mesmo que não diga abertamente.

Max Verstappen não pareceu se esforçar na pré-temporada no Bahrein. E mesmo assim comandou as ações (Foto: AFP)

“É, definitivamente, uma melhoria em relação ao ano passado”, destacou o holandês. “Não é apenas confiança, mas também desempenho real. Acho que esses dias de teste foram muito positivos e aprendemos muito”, destacou ao falar do novo RB19.

Vamos falar em números? Verstappen, caso levante a terceira taça, só vai ficar atrás de cinco pilotos em números de conquistas na F1. Indo além: Max já está em sexto em vitórias – ameaçando seriamente os números de triunfos de Ayrton Senna, 14º em poles, oitavo em pódios. A tendência é que 2023 seja de seguir pegando o elevador nas estatísticas.

Inclusive, a versão do piloto do carro #1 que se viu ano passado e, principalmente, se vê no início de 2023 é bem diferente das anteriores. Parece que Max tirou uma tonelada das costas ao finalmente levantar um título. Afinal de contas, o rapaz foi moldado pelo pai, Jos, para ser uma máquina de conquistas, um campeão mundial. Verstappen conseguiu chegar lá, depois de tanta pressão e badalação. E aí parece que relaxou da melhor forma possível.

Max Verstappen é mais leve e sorridente desde o ano passado (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

“Acho que já conquistei mais do que jamais poderia ter sonhado. Eu sempre tento tirar o melhor de mim, e, honestamente, não penso em que lugar estou entre os maiores de todos os tempos em termos de campeonatos e vitórias. Eu só quero fazer o meu trabalho”, falou no lançamento do novo carro do time austríaco.

Sem perder o foco nos resultados, o neerlandês conseguiu apresentar uma leveza que muita gente sequer sabia que existia. Max, desde o kart, por ser uma máquina competitiva, sempre passou uma imagem mais fechada, sisuda, de alguém que estava lá para conquistar e apenas isso. As declarações melhoraram, a postura melhorou, até a relação com Hamilton pareceu ficar mais amistosa. Ainda que tenham rolado atritos aqui e ali com Sergio Pérez, companheiro de equipe, é tudo do jogo.

Mas mesmo as discussões com o mexicano não fogem do normal. Companheiros de equipe se desentendem, faz parte. Verstappen, afinal, está mais leve, mas não virou santo, bem longe disso. Aliás, vai saber o que aconteceria se eventualmente alguma outra equipe batesse de frente com a Red Bull em 2023? Será que o Max furioso que vimos até 2021 voltaria? É uma questão pertinente.

Por enquanto, é hora de pensar no que é real. E o que se tem é um Verstappen bastante favorito, com um carro que em tese é consideravelmente melhor que os demais e em uma fase inabalável. Max chegou lá, se manteve no topo e, agora, sem ter mais nada a provar para ninguém, quer mostrar que pode ser histórico todo ano. E, para isso, deixa claro que prefere reviver uma temporada 2021 de briga ferrenha a uma 2022 de domínio completo.

Em 2022, Verstappen não deu chances à concorrência e venceu de maneira soberba (Foto: FIA)

“Nunca senti, com exceção de duas ou três corridas, que dominamos o final de semana inteiro (na F1 2022). Mas, para o esporte, todo mundo quer uma batalha pelo título com múltiplos times envolvidos”, analisou.

E Verstappen está duplamente certo. De fato, a Red Bull não foi um carro amplamente dominante o ano inteiro. Contou, sim, com bobeadas da Ferrari, com a inoperância de rivais e, principalmente, com seu talento e a facilidade de sua equipe em brilhar em cenários adversos.

E está correto também quando diz que o esporte precisa de competitividade. A categoria clama por um Verstappen x Hamilton 2.0, uma nova batalha pelo título como foi a de 2021. Do modo que for, fato é que o Max de hoje é diferente do de dois anos atrás e parece mais forte dentro e fora das pistas.

A largada do GP do Bahrein está marcada para 12h (de Brasília). E o GRANDE PRÊMIO traz um guia completo para entender tudo que está em jogo na temporada 2023 da Fórmula 1.

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