Antes de ir à pista pela primeira vez no fim de semana do GP da China, Fernando Alonso fez uma comparação entre a situação vivida na Aston Martin em 2026 e os problemas enfrentados com a Honda há cerca de uma década, quando vestia as cores da McLaren. Embora tenha dito que encara tudo hoje em dia com uma “maturidade diferente”, o espanhol também apontou para o cenário da Fórmula 1, que, de acordo com ele, sempre deixa tudo mais dramático do que realmente é.
Após acumular somente 334 voltas nos testes coletivos de pré-temporada no Bahrein, a equipe liderada por Lawrence Stroll sabia que teria muito trabalho pela frente. Mas a situação ficou ainda mais complicada em Melbourne, palco do GP da Austrália, quando Adrian Newey abriu o jogo e disse que as “vibrações anormais” causadas pela unidade de potência impossibilitariam os pilotos de completarem as 58 voltas da corrida, uma vez que “existiam riscos de lesões permanentes” caso isso acontecesse.
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Alonso, de fato, não viu a bandeira quadriculada no Circuito de Albert Park, enquanto Lance Stroll, entre idas e vindas dos boxes, permaneceu na pista por mais tempo e terminou com 12 voltas de atraso em relação a George Russell, o vencedor do dia. O principal objetivo do time britânico era acumular quilometragem para coletar informações importantes sobre o AMR26, mesmo que a necessidade de poupar certos componentes do carro para a prova em Xangai tenha limitado essa tarefa.
O momento conturbado entre Aston Martin e Honda rapidamente trouxe lembranças de uma época difícil para o bicampeão mundial do carro #14, que também sofreu nas mãos da fabricante japonesa entre 2015 e 2017. Na época, a F1 estava dando os primeiros passos em uma das maiores mudanças técnicas da história com a chegada das unidades de potência híbridas V6 turbo de 1,6 litro, que substituíram os V8 aspirados de 2,4 litros.
A Honda inicialmente não planejava voltar ao grid para essa nova fase do Mundial, tomando a decisão de fazê-lo somente em meados de 2013, quando o regulamento do ano seguinte já havia sido definido e as outras fabricantes estavam trabalhando há anos nos respectivos projetos. Como resultado, a McLaren apresentou um déficit importante de potência em relação às rivais e precisou lidar com diversas questões de confiabilidade, já que tanto o MGU-H quanto o MGU-K falhavam constantemente.

Sendo assim, durante a entrevista coletiva desta quinta-feira (12), na China, Alonso não fugiu das perguntas a respeito das diferenças entre os dois momentos da carreira. “Agora consigo ver as coisas de uma perspectiva diferente e com uma maturidade diferente, mas não acho que, há dez anos, as coisas fossem, novamente, tão dramáticas”, começou.
“Isto é a F1, um esporte muito centrado na mídia. Quando você ganha alguns campeonatos correndo basicamente contra o companheiro de equipe, você vira um deus; e então, quando está lutando e passando por um período difícil, tudo também é amplificado”, pontuou. “De certa forma, dez anos depois, algumas das coisas que as pessoas pensavam sobre mim naquela época… Podem ter mudado de opinião e talvez agora achem que eu estava certo”, seguiu.
“Para mim, a maior surpresa nos últimos anos foi perceber que, dez anos atrás, na McLaren, Stoffel [Vandoorne], Jenson [Button] e eu — porque as pessoas sempre parecem lembrar apenas do Fernando, mas acho que Jenson, Stoffel e a McLaren diziam a mesma coisa: aquele projeto, a unidade de potência, não estava madura o suficiente quando começamos, algo que agora todo mundo parece entender”, destacou.
“Mas dois ou três anos atrás, parecia que eu era o louco. Dez anos atrás, criticar ou reclamar era a mesma coisa. Eram, acho eu, apenas algumas frustrações pelo rádio. Como bicampeão mundial e piloto competitivo, não estava feliz com a situação — uau, eu deveria estar feliz e batendo palmas dentro do carro pelo trabalho?”, ironizou.

“Agora, quando todos veem a situação de fora e observam o cenário atual, eles são um pouco mais compreensivos e simpáticos. O que posso fazer agora na equipe é simplesmente trabalhar mais, tentar ajudar a Honda o máximo possível, alocando alguns dos recursos que a Aston Martin tem para o motor, para a unidade de potência, para os problemas de vibração, para as questões de liberação de energia”, continuou Alonso, apontando que as equipes agora possuem mais dados para reverter um cenário ruim.
“Obviamente, estamos em um mundo diferente na F1, com todos os dados disponíveis, todo o GPS e as análises que podemos obter de outras equipes, e podemos direcionar alguns desses recursos para ajudar a Honda. Eles podem focar em uma coisa, enquanto nós ajudamos em outras áreas da unidade de potência. Então somos um único time. Como eu disse, é um começo turbulento, mas espero que não dure muito. As soluções também não serão imediatas, então vamos ver”, encerrou.
A F1 volta à pista para a segunda etapa da temporada neste fim de semana, no GP da China, entre os dias 13 e 15 de março. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da China de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 00:30 | 02:30 | 04:30 | 05:30 |
| Classificação Sprint | 04:30 | 06:30 | 08:30 | 09:30 |
| Corrida Sprint | 00:00 | 02:00 | 04:00 | 05:00 |
| Classificação | 04:00 | 06:00 | 08:00 | 09:00 |
| Corrida | 04:00 | 06:00 | 08:00 | 09:00 |
*Horário de Brasília
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