Se tem um esporte que não costuma ser benevolente com aqueles que não correspondem às expectativas, este é a Fórmula 1. Costumeiramente apontada como a categoria máxima do automobilismo mundial, qualquer um dos ditos 20 melhores pilotos em atividade que tiver um desempenho distante dessa premissa já fica no olho do furacão.

Não é, portanto, novidade ver trocas de pilotos com a temporada ainda em andamento, muito pelo contrário, e a própria história recente a F1 mostra que isso é até mais comum do que deveria ser. Principalmente quando a mudança envolve novatos, já que, em teoria, mereciam o benefício da dúvida até terem ao menos uma temporada completa.

No embalo do troca-troca iminente mais recente, entre Jack Doohan e Franco Colapinto na Alpine, o 10+ relembra as últimas substituições que aconteceram na Fórmula 1 com a temporada em curso. Confira!

Lawson × Tsunoda (Red Bull, 2025)

A Red Bull é veterana quando o assunto é troca de pilotos no meio do campeonato. A mais recente aconteceu depois do GP da China, segunda etapa da temporada 2025, quando resolveu rebaixar Liam Lawson — então escolhido para o lugar de Sergio Pérez — à Racing Bulls e promover Yuki Tsunoda. O detalhe é que Lawson e Tsunoda travaram uma espécie de confronto direto na equipe B no ano passado, e o japonês levou a melhor, só que o argumento dos taurinos foi que Liam demonstrou “mais consistência” em ritmo de corrida.

Yuki Tsunoda e Liam Lawson: troca aconteceu na Red Bull depois da China (Foto: red Bull Content Pool)

Doohan × Ocon (Alpine, 2024)

Sim, Doohan estreou na Fórmula 1 no GP de Abu Dhabi do ano passado, o último da temporada. Na ocasião, entrou na vaga de Esteban Ocon, que já estava acertado com a Haas para este ano, só que teve de abrir mão da corrida final com a Alpine para ter o direito de participar da pós-temporada com a esquadra norte-americana. Doohan também já havia assinado contrato com a base em Enstone.

Ricciardo × Lawson (RB, 2024)

Mais uma de muitas trocas que aconteceram nas garagens do grupo austríaco. Daniel Ricciardo voltou à Red Bull numa espécie de resgaste depois de rescindir contrato com a McLaren ao final de 2022. Primeiro piloto reserva, foi acionado pela então AlphaTauri para voltar ao grid no ano seguinte, também com a temporada em andamento, e até foi bem nas corridas que disputou. Só que 2024 foi desastroso, com o australiano sendo constantemente superado por Tsunoda.

A última dança de Ricciardo durou até o GP de Singapura. A RB, então, trouxe Lawson para disputar as seis corridas finais antes da promoção-relâmpago à Red Bull.

Daniel Ricciardo e Liam Lawson tiveram destinos traçados pela Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Sargeant × Colapinto (Williams, 2024)

Se Colapinto virou o nome mais quente do mercado de pilotos do atual momento é graças à boa impressão que deixou quando teve a chance de correr nove GPs com a Williams no ano passado. Até então, competia na Fórmula 2 e também vinha em momento interessante, com vitória e a expectativa de um crescimento que o levasse até a disputa do título com a MP.

Só que os constantes acidentes de Logan Sargeant fizeram a Williams acionar o integrante da academia por uma questão de emergência financeira do GP da Itália em diante. É verdade que Franco também acumulou dois grandes acidentes nas costas (São Paulo e Las Vegas) que evidenciaram o noviciado, mas o fato de ter acompanhado o ritmo de Alexander Albon foi digno de nota.

De Vries × Ricciardo (AlphaTauri, 2023)

Antes de Ricciardo viver o inferno ao ser preterido para dar vez a Lawson, ele assumiu o posto de salvador e realizou triunfal retorno à F1 em 2023. O dispensado, no caso, foi Nyck de Vries.

O neerlandês viveu verdadeiro conto de fadas ao ocupar o lugar de Albon na Williams no ano anterior, no GP da Itália, já que o titular precisou ficar de fora por conta de uma apendicite. E por ter pontuado em uma única corrida com um carro que era o pior do grid, ganhou a chance da vida quando Pierre Gasly assinou com a Alpine e deixou a vaga na AlphaTauri aberta. Mas a escolha de De Vries foi muito contestada, principalmente porque era um piloto fora do cercado da Red Bull, tanto que eles não tiveram o menor problema em sacá-lo depois da décima corrida, na Inglaterra.

Nyck De Vries não suportou a pressão na AlphaTauri (Foto: Red Bull Content Pool)

Gasly × Albon (Red Bull, 2019)

Mais uma para a conta da Red Bull, e essa é daquelas que marcaram carreiras. Gasly estreou na F1 pela Toro Rosso e subiu para a equipe principal em 2019, para ser companheiro de equipe de ninguém menos que Max Verstappen. Mesmo muito jovem, o neerlandês já era nitidamente uma joia a ser lapidada, e Gasly, igualmente novo, teve somente 12 corridas para tentar superá-lo. Do GP da Bélgica em diante, Verstappen teve a companhia de Albon.

O rebaixamento para a Toro Rosso foi doloroso, mas Gasly conseguiu reverter a situação a ponto de ser um dos nomes fortes do grid atual, mesmo em uma equipe limitada como Alpine. E Albon, que também não durou por lá, é outra referência graças ao recomeço com a Williams.

Palmer × Sainz (Renault, 2017)

Carlos Sainz estreou na F1 em 2015 na Toro Rosso, já que fazia parte do programa de pilotos da Red Bull. Em 2017, estava de contrato assinado para correr na Renault (hoje Alpine) na temporada seguinte quando a equipe resolveu antecipar a troca, colocando-o na vaga de Jolyon Palmer para disputar os últimos quatro GPs daquele ano. O movimento, aliás, representou o fim da carreira do britânico nas corridas de Fórmula 1, mas a parceria com a categoria foi retomada, já que é um dos comentaristas oficiais nas transmissões. Quem assumiu o posto deixado pelo espanhol na equipe B da Red Bull foi Brendon Hartley, que ainda terminou o ano como companheiro de Gasly, chamado para a vaga de Daniil Kvyat em uma troca total de pilotos do time mirando a renovação no grupo dos energéticos na F1.

Carlos Sainz assumiu vaga de Joylon Palmer na Renault em 2017 (Foto: AFP)

Kvyat × Verstappen (Red Bull, 2016)

Esta é uma das mais famosas e mais uma vez envolveu troca-troca entre pilotos da equipe A e da equipe B da Red Bull. Verstappen estreou na F1 no ano anterior aos 17 anos de idade, ousadia de Helmut Marko que a história tratou de mostrar que estava mais do que certa, só que o time não teve paciência para deixá-lo criar casquinha na Toro Rosso e resolveu subi-lo já na quinta corrida da temporada 2016, o GP da Espanha.

Pior para Kvyat, que subiu da Toro Rosso para a Red Bull no final do ano anterior e teve de voltar para as garagens de Faenza, em movimento semelhante ao que Lawson e Gasly também sofreram. Uma troca que até hoje é dolorida para o russo, que ainda ficou por lá por mais três temporadas (2017, 2019 e 2020).

Haryanto × Ocon (Manor, 2016)

Primeiro e único piloto da Indonésia até o momento a correr na Fórmula 1, Rio Haryanto viu a aventura na principal categoria do automobilismo mundial durar 12 GPs. Na nanica Manor, correu ao lado de Pascal Wehrlein até onde o investimento financeiro permitiu. Do GP da Bélgica de 2016 em diante, deixou o grid e foi substituído por Ocon — movimento, aliás, que marcou a estreia do francês na categoria.

Rio Haryanto não se aguentou na Manor até a metade de 2016. Demitido, deu lugar ao francês Esteban Ocon (Foto: AFP)

Merhi × Rossi (Marussia, 2015)

Em uma época em que a realidade financeira entre as equipes da Fórmula 1 era muito mais discrepante que hoje, com o teto orçamentário, pilotos pagantes eram muito comuns, como o caso do espanhol Roberto Merhi. Na ocasião, assinou contrato com a Marussia para disputar algumas corridas, portanto já sabia que havia o risco de ficar a pé antes da temporada terminar. E foi o que aconteceu por cinco dos sete últimos GPs, quando foi substituído pelo então novato Alexander Rossi. Ao final do campeonato, Merhi foi mais um a não retornar para o grid no ano seguinte.

Fórmula 1 retorna de 16 a 18 de maio para o GP da Emília-Romanha, em Ímola, o primeiro da temporada 2025 na Europa.

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