A temporada 2025/26 pode ser decisiva para a carreira de Lucas di Grassi. Grande expoente da Fórmula E e presente desde a inauguração da categoria, o brasileiro vem de um campeonato em que surpreendeu e alcançou mais resultados que o esperado, mesmo com um equipamento extremamente novo. No entanto, mesmo com lenha para queimar, o #11 entra no último ano de contrato com a Lola Yamaha e tem futuro indefinido para além disso. No fim, a pista é que vai falar.
Di Grassi parte para o segundo ano com a Lola Yamaha, onde se tornou uma espécie de mentor para o desenvolvimento de um projeto que ainda engatinhava no ano passado. Por lá, deu sinais de que seria a última grande obra da carreira, ainda mais após dura temporada 2023/2024, quando encontrou muitas dificuldades na ABT Cupra e anotou apenas quatro dos 56 pontos da equipe — Nico Müller fez os demais.
O prelúdio da história com a Lola Yamaha, assim, não indicava uma temporada tão boa como a de 2024/25. Olhar para o 17º lugar entre os pilotos e os 32 pontos que fez no campeonato pode parecer pouco na frieza dos números, mas deve ser ressaltado que a equipe estreava na categoria e boa parte desses tentos vieram de um pódio, com o segundo lugar no tumultuado eP de Miami, onde o #11 aproveitou muito bem a experiência para alcançar o feito — algo totalmente inesperado diante do apresentado pelo time até então.
Também é válido destacar que Di Grassi fez todos os pontos da Lola Yamaha, já que Zane Maloney não terminou nenhuma vez entre os dez primeiros na temporada passada. O barbadiano, apesar de novato no certame, apareceu com grandes expectativas no grid da Fórmula E, após boa passagem pelas categorias de base da F1 — não foram poucos os que acreditavam que o #22 daria trabalho para o brasileiro —, o rendimento no primeiro campeonato com os elétricos decepcionou.

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Nas 16 corridas do certame passado, Maloney terminou à frente de Di Grassi em apenas três etapas, além de outras três em que o brasileiro abandonou ou foi desclassificado. Em termos de rendimento bruto, não houve comparação entre os dois, ainda que Zane tenha levado azar em situações que poderia ter pontuado.
Um dos grandes motivos para o crescimento de Lucas de um ano para o outro foi a mudança de pneus na Fórmula E. Com compostos mais macios do que na temporada retrasada, um pedido de praticamente todos os pilotos do grid, o brasileiro se adaptou bem melhor e conseguiu extrair mais do monoposto.
Diante do desempenho apresentado no campeonato passado e a experiência acumulada ao longo das 147 corridas em 11 temporadas, Di Grassi é vital no processo de desenvolvimento da Lola Yamaha. Ainda mais considerando a estreia do Gen4 na temporada seguinte: não é certo que Lucas esteja no projeto, mas a base construída após os anos de trabalho com o brasileiro será valiosa à esquadra.
Ao mesmo tempo em que tem Di Grassi como um ativo valioso, a Lola Yamaha também reforçou a estrutura para buscar resultados ainda melhores em sua segunda temporada no grid. Mark Preston chega para asumir o cargo de chefe de equipe, com boa experiência da passagem vitoriosa pela DS Techeetah — onde venceu dois Mundiais de Construtores e três de Pilotos.

A expectativa inicial é bem maior que a do início da temporada passada, mas, como diria a canção, “todo carnaval tem seu fim”. Aos 41 anos, a carreira de Di Grassi está mais próxima do término que do início, e o brasileiro já estuda os próximos passos. No mês passado, Lucas apresentou o DGR-Lola, um carro-conceito elétrico projetado para inspirar os futuros parâmetros do automobilismo no ramo. As simulações indicam que o modelo pode superar um F1 no traçado de Mônaco em até 4s.
Por todos esses pontos, a temporada 2025/26 promete ser especial para Di Grassi. O brasileiro já até admitiu que tem interesse em cargos diretivos, o que poderia colocá-lo no comando de uma equipe ou trabalhando até na própria Fórmula E. Por outro lado, a manutenção de uma crescente pode manter a chama acesa e fazer com que o brasileiro decida permanecer para a próxima geração de carros. Como dito no início deste texto, quem vai falar é a pista.
A Fórmula E agora volta à ação no início do campeonato, que ocorre no Brasil. O eP de São Paulo está programado para acontecer no dia 6 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi, com cobertura completa e IN LOCO do GRANDE PRÊMIO.
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