Antonelli varre dia na Inglaterra e ratifica posto de favorito. Só Ferrari ameaça
Andrea Kimi Antonelli calou as arquibancadas inglesas neste sábado (4) ao dominar por completo a programação da F1 em Silverstone. A vitória na sprint e a pole espetacular colocam o jovem líder do campeonato como favoritaço ao triunfo neste domingo e só uma Ferrari inspiradíssima terá chance de evitar mais uma conquista
Depois do domínio imposto neste sábado (4) ficou claro por que Andrea Kimi Antonelli pareceu tão frustrado na sexta-feira. É que aqueles 0s011 perdidos para Lewis Hamilton não eram reais. Tanto que, na corrida sprint e com a calma devida, o italiano pegou o adversário no momento certo e venceu com facilidade, diante de arquibancadas lotadas em Silverstone. Horas mais tarde, Kimi voltou ainda mais forte, empurrado também pelas mudanças acertadas da Mercedes, não só em termos de configuração aerodinâmica, mas principalmente com relação ao gerenciamento da energia — um dos pontos mais sensíveis deste fim de semana em um circuito de alta velocidade e com tão poucos trechos para a recuperação plena da bateria. As alterações fizeram diferença, bem como o momento estelar do jovem do líder do campeonato. Que vai largar da pole neste domingo, na Inglaterra.
A posição de honra também foi construída de maneira cerebral ao longo da classificação. Antonelli foi driblando os adversários fase a fase. E só exibiu o melhor do desempenho na parte derradeira. Isso porque precisou de mais de uma volta espetacular para garantir a pole, uma vez que a Ferrari de um mudado Charles Leclerc apareceu no topo da tabela nos instantes finais. Ainda assim, o piloto de 19 anos contornou melhor o terceiro setor do traçado inglês para superar o monegasco em 0s175. Conquista espetacular em um dia dominante — importante destacar que o italiano obteve a primeira vitória em sprint e diante de uma disputa contra Hamilton, em uma das pistas mais emblemáticas da F1 e do próprio heptacampeão.
As alterações da Mercedes em termos de gestão de energia, buscando maior performance em reta, também foram cruciais, assim como o melhor entendimento com os pneus. De fato, a esquadra alemã tem nas mãos um conjunto impecável para o domingo — em que pese o fato de que George Russell ficou devendo em ritmo, apesar do acidente bizarro do início do Q1. O britânico ficou apenas com a quarta posição do grid, longe do companheiro de equipe e com uma missão difícil pela frente.
Mas há ainda um ponto de ameaça para Antonelli e a Mercedes. É que a Ferrari não pode ser descartada. Além da pole de Hamilton ontem, a sprint mostrou que há um ritmo consistente ali. É bem verdade que Lewis não foi capaz de segurar o italiano nas 17 voltas da prova curta, mas é certo dizer que a escuderia também promoveu mudanças certeiras, tentando ganhar em equilíbrio nas curvas em uma tentativa de compensar a perda de potência. Isso ajudou Leclerc e Hamilton, que largam da segunda e terceira colocações do grid.
Alguém há de lembrar que isso também aconteceu na semana passada, na Áustria, onde a Ferrari acabou sucumbindo nos trechos de reta e ao calor. Só que o cenário agora parece muito diferente, e o desempenho da sprint e da própria classificação ajudam a colocar a equipe em uma posição mais competitiva e genuinamente à frente das demais rivais. A SF-26 ainda perde em reta, mas voa nas curvas. O gerenciamento da energia também foi revisado, bem como o cuidado com os pneus. Então, há uma chance da dupla ferrarista, ao menos, colocar a Mercedes para pensar.
“A verdade é que ainda temos uma lacuna. Cada pista é diferente em termos de entrega de energia. Hoje ainda temos um déficit de potência. Mas, definitivamente, mudamos algo em comparação com a semana passada, e as condições aqui são muito diferentes das da Áustria”, afirmou Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari. “Amanhã, teremos dois carros em boa posição, então podemos até estudar estratégias diferentes. Será uma corrida interessante. Hoje, porém, conquistamos um bom resultado para a equipe: primeiro foi o segundo lugar de Lewis e depois a primeira fila de Charles na classificação.”

O discurso pareceu preocupar o pole. “As duas Ferrari estão atrás de mim. Desde o início, o Lewis estava muito forte. Definitivamente, não será fácil com eles. Acho que terei que tentar fazer uma boa largada e entrar em um bom ritmo imediatamente. Teremos que tentar pelo menos sair da zona de ultrapassagem, mas não será fácil, especialmente se houver tanto vento quanto hoje.”
De fato, há uma chance de replicar na corrida deste domingo a dinâmica da sprint. Ou seja, realmente uma zona de ultrapassagem frenética, impulsionada pelos diferentes níveis de velocidade em função das cargas e recargas de bateria. E aqui é uma questão que também envolve a escolha de pneus. Por isso, a preocupação de Antonelli em escapar o mais rápido possível desse grupo, que tem não apenas a Ferrari, mas também Russell, os dois carros da McLaren e a dupla da Red Bull.
“Até agora, este fim de semana tem sido uma verdadeira batalha com a Ferrari. Eles foram rápidos desde a primeira sessão, e tivemos de trabalhar duro para enfrentá-los”, declarou o chefe da Mercedes, Toto Wolff. “Na sprint, vimos muita ultrapassagem ioiô, com os pilotos usando diferentes estratégias de gerenciamento de energia para tentar ganhar posições, mas amanhã será uma corrida longa, então, provavelmente, haverá muitas oportunidades”, seguiu.
Em termos de estratégia, o GP da Inglaterra deve ser decidido em apenas um pit-stop, diferente das duas últimas corridas. “Os níveis de degradação registrados hoje foram, no geral, menores do que o esperado, provavelmente também graças à forma como os carros atuais gerenciam a energia neste circuito. Por esse motivo, de acordo com nossas simulações, a estratégia de uma parada é cerca de 13 segundos mais rápida do que uma de duas paradas”, explicou Dario Marrafuschi, chefão da Pirelli.
“A maioria das equipes utilizou o composto médio para a corrida sprint, e esperamos que o C2 seja a escolha mais comum também para o início da corrida. O pneu amarelo demonstrou desempenho suficientemente consistente e pode oferecer boa flexibilidade estratégica em caso de safety-car. A estratégia mais rápida envolve usar os pneus C2 na fase inicial e, em seguida, trocar para os pneus duros entre as voltas 24 e 30. Uma possível alternativa é a combinação de pneus médios e macios, com uma parada nos boxes programada entre as voltas 29 e 35”, completou.
Importante destacar que a Pirelli entregou aos times a gama mais dura, com C1, C2 e C3.
Dito isso, a etapa inglesa vai depender bem mais da gestão da energia do que de tática. E neste aspecto, apenas Mercedes e Ferrari parecem prontas para o embate.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Corrida | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
*Horário de Brasília
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