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“Não faz sentido”: montadoras dividem opiniões sobre lastro de sucesso no WEC 2026
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“Não faz sentido”: montadoras dividem opiniões sobre lastro de sucesso no WEC 2026

O WEC divulgou uma mudança considerável no regulamento esportivo da próxima temporada que dividiu o paddock da categoria. Com o polêmico BoP ainda em vigor, o Mundial de Endurance abriu as portas para a implementação de um lastro de sucesso em 2026

Giovani Danjo

Publicado em

Em outubro, o Mundial de Endurance (WEC) divulgou o regulamento da temporada 2026, e um detalhe em específico chamou a atenção da categoria. O novo conjunto de regras revelou que um lastro de sucesso poderá ser aplicado na classe Hipercarros, assim como na LMGT3, a partir da próxima temporada. A decisão, porém, não agradou necessariamente a todas as fabricantes, que não tratam o assunto como um consenso no paddock.

Como informado no artigo 6.2.2 da nova versão do regulamento, “um lastro/handicap de sucesso poderá ser aplicado aos carros das classes Hipercarros e LMGT3 inscritos no campeonato. Ele estará em vigor em todas as etapas, exceto nas 24 Horas de Le Mans.”

O regulamento do WEC 2026 também determina que “o lastro em tempo de volta será convertido em peso adicional e/ou redução de potência, conforme decisão do Automobile Club de l’Ouest (ACO) e da Federação Internacional de Automobilimso (FIA). As informações serão comunicadas na tabela do Balanço de Performance (BoP) enviada pelo Comitê do WEC antes de cada etapa”

A FIA, por outro lado, enfatizou que “nenhuma decisão foi tomada até o momento” sobre a aplicação desse lastro de sucesso. Ainda assim, as equipes e montadoras presentes na classe principal do WEC já formaram algumas opiniões sobre a mudança no regulamento.

Ferrari se opôs à implementação de um lastro de sucesso no WEC (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Antonello Coletta, chefe da atual campeã Ferrari, se mostrou totalmente contra o lastro de sucesso e concluiu que não tem sentido aplicá-lo junto do Balanço de Performance.

“É claro que, se tivermos lastro de sucesso somado ao BoP, não faz sentido. É importante que todos os fabricantes tenham a chance de melhorar os carros, e com os dois juntos isso se torna impossível”, avaliou.

Bruno Famin, vice-presidente de automobilismo da Alpine, explicou que o sistema atual do BoP ainda precisa e deve ser aperfeiçoado ao invés de simplesmente descartado. Logo, também não se mostrou favorável à aplicação do lastro.

“O sistema não é perfeito, mas é fácil de corrigir. Todos entramos no campeonato sabendo que haveria o BoP, e estou confiante de que podemos fazer com que funcione. Não devemos jogar fora o bebê com a água do banho só porque houve algum tipo de falha nesta temporada”, explicou Famin.

A Peugeot também não aceita muito bem a ideia do lastro de sucesso (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Olivier Jansonnie, diretor-técnico da Peugeot, segue uma linha similar ao avaliar que o BoP, que julga a performance dos carros e não os resultados, é a forma mais justa de equilibrar o grid.

“Do nosso ponto de vista, os carros devem ser equilibrados com base no desempenho mostrado na pista, e não nos resultados esportivos”, comentou.

Por outro lado, Andreas Roos, chefe da BMW, focou na complexidade do esporte e no entendimento dos fãs, que poderia ser prejudicado ao “adicionar mais uma camada”. Além disso, também defendeu uma melhoria do BoP.

“Sou um pouco mais a favor da estabilidade em relação à forma como lidamos com o processo de BoP, mantendo a competição próxima. Adicionar outra camada precisa ser avaliado com muito cuidado — temos de evitar criar mais confusão e dificultar ainda mais para os fãs e para o público entenderem o que está acontecendo”, disse Roos.

A Toyota se mostrou mais aberta à ideia (Foto: Javier Jimenez / DPPI)

A Toyota, por sua vez, se mostrou mais aberta à ideia de implementar um lastro de sucesso no WEC em 2026. Apesar de admitir que precisa ter “discussões aprofundadas” antes de concluir algo, David Floury, diretor-técnico da marca, avaliou que o sistema atual simplesmente não funciona e precisa ser ajustado.

“Está claro que vimos que o que temos neste ano não está funcionando. Sem dúvida, o lastro de sucesso é uma ferramenta disponível para tentar melhorar as coisas. Precisa ser considerado, mas, para tomar uma decisão final, precisamos rodar muitas, muitas simulações. No momento, ainda não começamos discussões aprofundadas sobre isso”, revelou.

Por fim, Cadillac e Aston Martin adotaram uma postura mais neutra com relação ao tópico. Keely Bosn, gerente de programa da marca norte-americana, disse que “há prós e contras, argumentos válidos dos dois lados. Se isso for implementado, seguiremos as diretrizes estabelecidas pela categoria”.

Adam Carter, chefe da Aston Martin no WEC, apenas reforçou que respeita “a plataforma que a FIA, o ACO e o IMSA SportsCar criaram” e apoia “a decisão que tomarem sobre o que for melhor para o esporte”.

Agora, o WEC está de férias. A primeira etapa da temporada 2026 está marcada para os dias 26, 27 e 28 de março, no Catar. Uma semana antes, também em Lusail, acontece o Prólogo do WEC.

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