Não dá para dizer que a Honda correspondeu às expectativas na primeira metade da temporada 2026 da MotoGP. Depois de mostrar evolução no desempenho da RC213V no fim do ano passado, a montadora de Hamamatsu foi apenas discreta neste início de campeonato e acabou até rebaixada no ranking das concessões.
Longe da performance habitual na MotoGP já há alguns anos, a Honda até empolgou no fim do ano passado e abriu a temporada com a motivação em alta. Com o passar das corridas, porém, os resultados ficaram bem aquém das expectativas.
O momento de maior destaque aconteceu na Catalunha, quando Joan Mir garantiu o segundo lugar em um GP caótico, mas acabou punido com 16s por uma violação na regra de pressão dos pneus e acabou caiu para 13º.
A classificação, contudo, segue sendo um ponto fraco para a Honda. Das 11 corridas disputadas até aqui, em nove ao menos um dos quatro pilotos da marca foi direto ao Q2, mas, nas passagens pelo Q1, eles não surgem entre os favoritos. Na Alemanha, onde a montadora japonesa somou só oito pontos no fim de semana ― melhor apenas do que os seis pontos conquistados Assen e Mugello e os sete de Goiânia ― nem os pilotos de fábrica e nem os da satélite LCR conseguiram avançar ao Q2.

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Como Luca Marini insiste há muito tempo, o resultado na MotoGP atual está muito relacionado à posição de largada, o que passou a ser ainda mais exacerbado após Sachsenring, quando, em uma medida para aumentar a segurança, o Mundial de Motovelocidade decidiu aumentar a distância entre as filas, dificultando ainda mais o ganho de posições no apagar das luzes.
A situação da Honda tampouco foi facilitada pela já prolongada ausência de Johann Zarco. O francês sofreu lesões no joelho em um grave acidente na Catalunha ― quando ficou com a perna presa na moto de Francesco Bagnaia após uma queda na curva 1 ― e está afastado desde então. Só que o #5 é um dos pilotos mais fortes da marca e a falta dele fica também refletida no placar.
Outro aspecto que não colabora com a causa da fábrica japonesa é o número elevado de quedas de Joan Mir. Até aqui, o espanhol já caiu 15 vezes ao longo do ano ― só Jorge Martín caiu mais, com 16 tombos ― e deixou de completar os GPs de Tailândia, Brasil, Estados Unidos, França, Hungria, Países Baixos e Alemanha. Em quatro dessas corridas, o #36 aparecia no top-10.
Não à toa, é Luca Marini quem aparece como a melhor Honda na classificação. O italiano, que pontuou em todos os GPs disputados até aqui, ocupa o décimo lugar no Mundial de Pilotos, com 79 pontos, 129 a menos do que o líder do Mundial.
O quarto membro da equipe é Diogo Moreira, que, apesar de novato, tem cumprido bem o papel dele. 15º na tabela, o brasileiro aparece à frente de Zarco e Mir na classificação, com 31 a menos do que Marini.
O desempenho apagado rebaixou a Honda no ranking das concessões. No fim do ano passado, a gigante japonesa avançou para o grupo C, perdendo, por exemplo, o direito de desenvolver o motor ao longo do ano. Na revisão de meio de temporada, contudo, ela voltou ao D, onde a Yamaha aparecia solitária.
Com a mudança de regulamento que vai acontecer em 2027, a expectativa por atualizações para a RC213V não é das maiores, mas Marini ainda torce para receber peças mais “apimentadas” para conseguir melhorar o desempenho. É a esperança da Honda, pois, até aqui, a temporada decepcionou.
A MotoGP agora parte para as férias e só volta a acelerar entre os dias 7 a 9 de agosto, com o GP da Grã-Bretanha, 12ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.