Norris: 18 poles na carreira, duas no ano

SÃO PAULO (vai ganhar) – Lando Norris está gostando de se meter numa briga que não é dele. No caso, a luta pelo título de 2026, uma disputa restrita aos pilotos da Mercedes e, vá lá, a Lewis Hamilton, da Ferrari, que afinal é o vice-líder do campeonato — mas não vai ser campeão, esqueçam, cito apenas por citar, para seus torcedores não brigarem comigo, para que ninguém me encha o saco num sábado despretensioso.

Pela segunda vez no ano, o inglês da McLaren, que está em quinto no campeonato a 90 pontos do líder, Kimi Antonelli, larga na pole-position. Até o GP da Bélgica, a Mercedes fez dez poles seguidas nesta temporada. Na Hungria, Lando largou na frente e quebrou a série do time alemão. E hoje, na Holanda, o campeão vigente conseguiu deixar todo mundo para trás de novo. George Russell divide a primeira fila com ele. Na segunda estarão Antonelli e o outro carro da McLaren, de Oscar Piastri. Gabriel Bortoleto, da Audi, parte em nono.

Norris chegou a 18 poles na carreira numa classificação ameaçada, nos últimos instantes, pela mesma instabilidade climática que esteve perto de embaralhar a corrida Sprint de Zandvoort algumas horas antes. Mas a chuva que caiu no fim da prova curta passou rápido e o sol voltou a brilhar entre nuvens na tarde holandesa. Um sol de geladeira, com 18°C nos termômetros.

No começo da classificação, quase todo mundo colocou pneus macios usados em seus carros para poupar alguns para a corrida – Charles Leclerc, na Sprint, deu 24 voltas com a borracha mais macia e chegou em segundo; foi a senha para todos entenderem que esses pneus podem ser uma ótima opção para o GP de amanhã.

Piastri foi o melhor do Q1 com 1min12s610 e teve, perto dele, apenas Hamilton (a 0s063) e Norris (a 0s085). Russell, o quarto, ficou mais de 0s3 atrás. Bortoleto passou tranquilo em décimo. Os eliminados foram Carlos Sainz, Fernando Alonso, Lance Stroll, Oliver Bearman, Valtteri Bottas e Sergio Pérez. Mas, pelo menos desta vez, os efeitos da pequena extensão da pista se refletiram no cronômetro. Sainz, o primeiro degolado, foi 0s964 pior que Piastri – andou no mesmo segundo, pois. Alonso ficou 1s040 atrás e saiu do carro feliz da vida, embora não tenha avançado ao Q2. Bottas e Pérez, da estreante Cadillac, ficaram a menos de 2s do líder. Tais diferenças nesta temporada vêm sendo muito maiores nas classificações, mesmo em circuitos curtos. É sinal de que na turma da rabeira está havendo alguma evolução. Não muita, mas alguma.

Lawson, em seu primeiro GP no ano pela Red Bull: bom top-10

No Q2, já com pneus novos, Russell foi o primeiro a baixar de 1min12s. Fez 1min11s959, 0s431 melhor que seu companheiro Antonelli, que já tinha fechado volta rápida. Lembrava o velho George do comecinho do campeonato, quando deu pinta de que seria imbatível no Mundial – até começar a apanhar sem dó de Kimi.

Seus adversários na Holanda, porém, estavam em boxes diferentes e vestindo outras cores. McLaren e Ferrari também entraram rapidamente na casa de 1min11s. Três deles, Piastri, Norris e Leclerc, à frente do inglês da Mercedes. Na dúvida, com diferenças muito pequenas entre todos, o pessoal voltou à pista no finalzinho do Q2 para se garantir. Ou assustar os rivais. Ou, ainda, tentar se salvar.

Quem assustou os outros foi Norris, com 1min11s628. Quem se salvou foi Arvid Lindblad, em décimo. E quem se garantiu foi Bortoleto, em nono, avançando novamente ao Q3 e reforçando sua boa posição na Audi. Passaram, previsivelmente, as duplas de Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull. Os intrusos entre os dez primeiros vieram da Audi e da Peça Seu Cartão Black Para Ter Direito a Sala VIP em Guarulhos. Dançaram Pierre Gasly, Yuki Tsunoda, Nico Hülkenberg, Franco Colapinto, Esteban Ocon e Alexander Albon.

O tempo deu uma fechada no final da classificação e, com medo da chuva, todos foram para a pista assim que os boxes foram abertos no Q3. Ninguém queria correr o risco de ser pego pela água, já que nuvens carregadas começaram a se aproximar do autódromo.

Norris fez 1min11s344 na sua primeira volta voadora, o melhor tempo do fim de semana até ali. Faltando 6min30s para o fim da sessão, apareceu uma mensagem na tela: vai chover daqui a um minuto!

E todo mundo foi correndo para a pista.

Mas foi alarme falso, deep fake braba. Se é verdade que do plúmbeo Mar do Norte parecia se aproximar um aguaceiro, ele acabaria passando ao largo do circuito. Ninguém se molhou. Todo mundo fechou suas voltas no seco, e quase todos melhoraram seus tempos. Norris virou 1min11s163 e conseguiu a pole-position. “Foi a melhor volta da minha vida!”, exagerou. Russell ficou 0s102 atrás dele. Antonelli fez o terceiro tempo, com Piastri em quarto. Hamilton, Leclerc, Max Verstappen, Liam Lawson, Bortoleto e Lindblad fecharam os dez primeiros. Menção honrosa para Lawson, fazendo seu primeiro GP pela Red Bull no ano. Ficou apenas 0s1 atrás de Max. Ele está correndo no lugar de Isack Hadjar, que machucou o punho treinando boxe.

O grid em Zandvoort: Lando favorito amanhã

O desempenho da McLaren em Zandvoort acabou pegando muita gente de surpresa. Russell, principalmente, que vinha tendo um fim de semana daqueles de almanaque, dando tudo certo. O tempo de Norris, porém, deixou o piloto do Mercedão #63 preocupado. Poucas horas antes, largando na pole, ele tinha vencido a Sprint com facilidade. Sabia que, partindo da mesma posição amanhã, o favoritismo para a corrida passou automaticamente para Norris. Desde 2021, quando a F-1 voltou para a Holanda, todas as provas no circuito foram vencidas por quem largou na pole.

Para piorar, atrás no grid está Antonelli, que vai partir para cima dele na largada sem medo de ser feliz. Capaz de o sonho de Russell, de virar o jogo na volta das férias, vire um pesadelo.