A IMAGEM DA CORRIDA

Antonelli no pódio com a bandeira italiana: diferente

Finalmente uma grande foto. Monza é fotogênica, mas as imagens acabam se repetindo, como nessa aí embaixo. O pódio se debruça sobre a pista e a multidão, tem sempre muita gente de fundo, papel picado, fumaça colorida. Fotos legais, mas sempre muito parecidas. Essa aí, não: tirada de baixo para cima, transformou Kimi Antonelli numa silhueta na contraluz, com as cores da bandeira da Itália ao vento. Itália que, a partir de agora, vai dividir seu amor entre o piloto e a Ferrari. Infelizmente o perfil da F-1 que postou a imagem não deu nome ao fotógrafo. Ficarei devendo, mas se descobrir prometo registrar aqui.

A multidão de Monza: imagem tradicional

Os italianos não tinham ninguém para torcer havia muito tempo. Talvez por isso, desde os anos 60 do século passado, tenham trocado qualquer piloto local por um carro vermelho, ainda que ao volante deste esteja, sei lá, um elfo da escuridão ou a besta do apocalipse. É uma lealdade à Rossa que chega às raias da crueldade. Em 1983, em Ímola, Riccardo Patrese liderava o GP de San Marino quando bateu na Acque Minerali, uma chicane na parte alta do circuito. Foi no final da prova. Assumiu a liderança um francês, Patrick Tambay. Os tifosi foram ao delírio. E ainda vaiaram o coitado do conterrâneo que voltava a pé, desolado, para os boxes. Afinal, Tambay pilotava um carro feito em Maranello. E Patrese era da inglesa Brabham.

Kimi já é o segundo italiano com mais vitórias na F-1. O que nos leva ao…

NÚMERO DA ITÁLIA

…vitórias têm os pilotos italianos na categoria. O maior vencedor é Alberto Ascari, com 13 triunfos na década de 50. Antonelli, com sete, vem depois dele. Ontem o jovem da Mercedes deixou Patrese para trás. O país está em oitavo nas estatísticas, atrás de Reino Unido (330), Alemanha (179), Brasil (101), França (81), Holanda (71), Finlândia (57) e Austrália (52). Em compensação, é o segundo país em número de vencedores. São 16, contra 21 do Reino Unido (que inclui ingleses, escoceses e norte-irlandeses). Nove deles ganharam apenas uma vez. As 101 vitórias brasileiras foram conquistadas por seis pilotos diferentes.

Outro número que merece menção: a Mercedes, como fabricante de motor, chegou a redondas 250 vitórias na F-1. Só perde para a Ferrari, que tem 251. Essa marca deve cair muito em breve, o que será um enorme golpe para Maranello. Dessas 251 da marca italiana, apenas uma foi obtida por um carro de outra equipe. Foi em 2008 em Monza, com Sebastian Vettel na Toro Rosso. Já as 250 vitórias da Mercedes são distribuídas por quatro times diferentes: a própria Mercedes (140), a McLaren (101), a Brawn (8) e a Racing Point (1).

Kimi: 66 pontos na frente

Antonelli aumentou de 59 para 66 sua vantagem na tabela de classificação. Será o campeão. George Russell parece não ter mais forças para reagir. Hoje, precisa mais de um divã que de um carro. Ontem, disse que não está preocupado com o que precisa fazer para virar o jogo. Falou que vai pensar apenas em ganhar corridas, “como sempre fiz”. Nem reclamou do time, que parou Antonelli para uma troca de pneus e o deixou na pista sob regime de safety-car virtual na 28ª volta. “Naquela hora, ninguém saberia dizer qual a melhor decisão. A equipe escolheu deixar cada um numa estratégia, e foi o melhor a fazer. O resultado mostra isso, chegamos em primeiro e segundo.”

Alpine x Racing Bulls: briga pelo 5º lugar

George tem razão. Ele fez praticamente uma corrida de 50 voltas com um jogo de pneus duros, desconsiderando as três percorridas antes da bandeira vermelha por causa do acidente de Charles Leclerc. Kimi, por sua vez, teve de disputar essa prova de 50 voltas apenas com pneus médios, mais velozes, mas precisou parar uma vez para trocar, já que eles não aguentariam até o final. E largou para essas 50 voltas em 12º, posição que já ocupava quando a prova foi paralisada. George, por sua vez, era o pole na segunda largada.

Feitas as contas, 50 voltas de pneus duros sem parar era mais rápido que 50 voltas de pneus médios com uma parada. Só que a troca de Antonelli se deu sob safety-car virtual, o que representa um ganho de 15s em relação a um pit stop normal, com todos em ritmo de corrida. Ele chegou cerca de 4s na frente de Russell. Não fosse o safety-car virtual, em resumo, George provavelmente ganharia a prova. Com Antonelli em seus calcanhares, é verdade. Mas, provavelmente, terminaria em primeiro. É a vida.

Russell no pódio: foi o que deu para fazer

A FRASE DE MONZA

“Fomos longe demais. Eu estava na frente na curva 2. Então não tem ‘nós’ nisso. Na Mercedes, tínhamos regras claras para essas situações. Aqui não tem, cada um faz o que quiser. É algo que vem de cima, e teremos de resolver.”
Lewis Hamilton, sobre a disputa com Leclerc na primeira volta

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da Alpine, principalmente da pole de Pierre Gasly no sábado. No domingo, ele terminou em sétimo, “o melhor dos outros”. “Foi mágico, mas a corrida nos trouxe de volta à realidade”, admitiu o francês. Franco Colapinto, em nono, foi muito bem na hora do acidente de Leclerc. Antes que o safety-car entrasse na pista, esperto, apertou o botão de ultrapassagem e pulou para terceiro, aproveitando o vacilo da dupla da McLaren. Foi sua posição na segunda largada. Aí errou, caiu para 16º e chegou em nono. Até chorou pela chance desperdiçada, mas não iria conseguir muito mais, mesmo se não tivesse errado.

Pole de Gasly: um dos pontos altos do fim de semana

NÃO GOSTAMOS… da Ferrari, claro. De bom, apenas as homenagens a Michael Schumacher. Rubens Barrichello, no sábado, e Vettel, no domingo, andaram com carros campeões do mundo nas mãos do alemão. “O espírito dele estava aqui”, falou Sebastian, emocionado. Mas na corrida, os italianos fracassaram. Além da treta entre Leclerc e Hamilton, ainda teve acidente com o monegasco e um desempenho abaixo do esperado do inglês, que além de tudo não trocou de pneu quando deveria, no safety-car virtual. Fez a prova inteira com o mesmo jogo de médios, que no fim estavam em petição de miséria. Chegou em sexto. Nem o motor atualizado ajudou.