Jamie Chadwick tem chamado cada vez mais atenção no mundo do automobilismo nos últimos anos, especialmente no endurance, e é uma das mulheres de maior destaque hoje. Atual reserva da Genesis na classe Hipercarro do Mundial de Endurance (WEC), a britânica fez uma reflexão sobre o papel que carrega como uma pilota de destaque no esporte a motor e também relembrou a pressão que já sentiu nas pistas em determinados momentos.

Em conversa no podcast Significant Figures, a tricampeão da antiga W Series falou sobre o cenário atual para pilotas no automobilismo e lembrou que a situação era ainda pior há quatro ou cinco anos, quando ainda menos mulheres ocupavam as prateleiras de cima do esporte. Por isso, sentia que sempre que tinha um dia difícil em pista, o gênero era a primeira coisa a ser apontada.

Em 2015, Chadwick se tornou a campeã mais jovem do Campeonato Britânico de GT e também a primeira mulher a levantar essa taça. Entre 2017 e 2018, competiu na F3 Britânica antes de ir para a W Series e conquistar o campeonato três vezes entre 2019 e 2022.

Depois, Chadwick ainda competiu na Indy NXT, se tornando a primeira mulher a vencer uma corrida em um circuito de rua na categoria norte-americana. Por fim, já teve aparições no Extreme E e na European Le Mans Series (ELMS) antes de ser contratada pela Genesis no WEC e também servir como embaixadora da Williams e consultora da academia de pilotos da equipe na F1 Academy.

“Sentia, mas principalmente porque, quando eu não era rápida, eu só queria ser lenta em paz. Se estou lenta, não é porque sou mulher. Estou lenta simplesmente porque estou lenta hoje. Apenas me deixem ser lenta”, disse Chadwick sobre a pressão que já sentiu por ser mulher no meio do automobilismo.

“Se eu fosse rápida todos os dias, ficaria feliz em levantar a bandeira feminina e dizer: ‘Olhem o que podemos fazer’. Mas isso é o esporte. Bem, algumas pessoas são boas todos os dias, mas eu não sou boa todos os dias. E isso era um peso que eu carregava“, admitiu.

Genesis assinou com Jamie Chadwick como pilota reserva na temporada 2026 do WEC (Foto: Genesis)

“Agora já não tanto, porque há muito mais mulheres no esporte. Sinto que isso diminuiu. Mas, quatro ou cinco anos atrás, éramos tão poucas competindo, em qualquer nível, que parecia que os olhares estavam sobre você como mulher, e não como pilota. E, se não fizer um bom trabalho, isso acaba refletindo, em certa medida, no gênero“, finalizou Chadwick.

O WEC agora volta às pistas neste fim de semana, entre os dias 24 e 27 de setembro, para as 6 Horas de Fuji, a sexta etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento e transmite TL3, classificação e corrida AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.