Bem como já havia sido no sábado, Max Verstappen foi o nome do dia no domingo (4) da Fórmula 1 no GP do Bahrein na Malásia, em Sepang. O tetracampeão venceu a primeira dele na temporada, garantiu o 11ª campeonato seguido com ao menos uma vitória. Foi o desfecho perfeito para um fim de semana daqueles, que parece mais um aviso ou uma declaração de intenções.

Verstappen, contudo, tem de dividir as atenções do evento com o papelão da eletrônica das unidades de força, que forçou uma atualização de software geral por parte da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). A ação atrasou a retomada da prova em quase uma hora após a cena grotesca de vários carros perdendo potência ao mesmo tempo na volta de apresentação. E justo na primeira vez destes carros de nova geração na chuva.

A Fórmula 1 retorna já no próximo fim de semana, entre os dias 9 e 11 de outubro, com o GP de Singapura, no circuito de Marina Bay. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

A confusão generalizada na primeira tentativa de voltas de apresentação (Vídeo: Reprodução/F1)

Chuva e vergonha

“Uma combinação inédita de baixa rotação do motor, condições de baixa aderência, configurações de gerenciamento de energia para pista molhada e a configuração dos setores do circuito de Sepang levou a uma perda de potência não intencional em vários carros”, explicou Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, antes de explicar que, sim, o que atrasou a largada da corrida em 50 minutos após a bandeira vermelha foi uma atualização de softwares.

Na primeira situação de pista molhada que pegou com os novos carros — e onde sabia que viria —, a F1 se mostrou despreparada para lidar com a tão comum situação. A maneira como os carros foram parando na pista e como a retomada demorou quase uma hora mesmo sem chuva e com a pista secando foi, sem qualquer dúvida, uma vergonha para a categoria e para a FIA. No fim das contas, teve corrida normalmente, mas a vergonha aí está e precisa ser resolvida urgente. Cada evolução no assunto tem a obrigação de ser comunicada.

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Max Verstappen venceu enfim em 2026 (Foto: Red Bull Content Pool)

Os caminhos da Red Bull

O domínio por todo o fim de semana do GP do Bahrein na Malásia, corroborado por claramente o melhor ritmo real de corrida no domingo, levanta uma questão: é esse o novo normal da Red Bull 2026 depois das últimas atualizações? E, sobretudo, é com essas armas que vai para o ano que vem, começar do zero um novo campeonato?

Essas são perguntas que as próximas corridas vão responder, começando por Singapura, onde a Red Bull tem dificuldades históricas — foi, por exemplo, onde teve a última derrota de 2023. Mas se tudo que foi feito nos últimos dois anos desembocar num carro de ponta para Max Verstappen daqui para frente, terá sido uma reconstrução das mais céleres que a F1 já viu.

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Lewis Hamilton e Charles Leclerc precisaram de corrida de recuperação (Foto: Audi)

Ferrari e a mira no próprio pé

A Ferrari abraçou com vigor a estratégia de largar com pneus slick, ambos saíram de macios, enquanto boa parte do pelotão começou com intermediários. A decisão fez com que Lewis Hamilton e Charles Leclerc, que largaram nas duas primeiras filas, caíssem para as últimas posições. “Dá para discutir em detalhes a escolha dos pneus, mas acho que metade do grid foi de slicks e 50% de intermediários. Do pit-lane, não dá para ter um panorama geral da pista”, explicou o chefe Frédéric Vasseur.

E a justificativa faz todo o sentido. É verdade, não dava para ter plena certeza e por isso o grid ficou completamente dividido. Mas é incrível o aproveitamento da Ferrari para tomar decisões erradas sempre que as tem na mesa. Foi o que aconteceu no domingo de novo: viu os dois caíram para as últimas posições e terminarem Hamilton em terceiro e no pódio e Leclerc em quarto.

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Fernando Alonso (Foto: Aston Martin)

Alonso, um garoto

A Aston Martin tinha mostrado no sábado que estava melhor do que o inicialmente esperado em Sepang, mas a maluquice que foi o começo da prova deixou seus dois pilotos longe de qualquer briga mais aguda. Mas Alonso teve paciência e, conforme a corrida começou a se aproximar do fim, foi aparecendo pelas beiradas.

A oitava posição que conquistou, no fim das contas com uma bela passada em Arvid Lindblad para entrar no top-10 e, aí, contar com os problemas de George Russell e o erro de Lando Norris, fez com que ficasse na oitava colocação numa das grandes atuações dos últimos tempos. Ainda bem que o contrato está renovado.

Incidente entre Bortoleto e Sainz no GP do Bahrein na Malásia (Vídeo: F1)

Bortoleto e chances perdidas

Parecia uma corrida na qual a Audi tinha possibilidades de pontuar e Bortoleto voltar ao top-10 pela primeira vez desde o GP da Bélgica, antes do recesso de meio de temporada. Assim como a Ferrari, foi para a largada de pneus macios, mas reagiu rápido e trocou após a volta de apresentação, Tudo estava sob controle, tranquilamente dentro do top-10. Até a relargada.

A corrida de Bortoleto mudou na relargada pós-safety-car causado por Valtteri Bottas. Tocou Carlos Sainz, em lance pelo qual se desculpou, e ficou com dano no carro, além de ter sido punido. É uma pena, porque mostra muitos realmente promissores na F1, mas Bortoleto perde muitas chances. Essa foi uma delas.