As últimas etapas da temporada 2026 da Fórmula 2 seguem indefinidas e há a possibilidade de não acontecerem por conta do conflito entre os Estados Unidos, Irã e Israel, que já afetou o calendário anteriormente, o que fez a organização realizar rodadas em Miami e no Canadá. Ainda assim, Bruno Michel, CEO da categoria, reforçou que as corridas no Catar e em Abu Dhabi não serão canceladas. O dirigente também ressaltou que seria “muito triste” coroar Rafael Câmara como campeão sem a realização das etapas finais.

Os GPs do Catar e de Abu Dhabi correm um risco real de cancelamento. Se confirmado, Ímola será a única substituta, com a prova marcada para 6 de dezembro. A F2, por outro lado, não tem um plano B encaminhado.

A categoria, inclusive, adicionou uma corrida extra no Azerbaijão na tentativa de compensar possíveis cancelamentos, seguindo o exemplo da Fórmula 3, que realizou uma prova em Madri para suprir a ausência da rodada do Bahrein. Porém, o CEO da F2 reiterou que os planos para as etapas no Catar e em Abu Dhabi seguem inalterados.

“Por enquanto – e acho que está completamente claro – Catar e Abu Dhabi estão no calendário, e vamos terminar o campeonato lá“, iniciou Michel.

Bruno Michel, CEO da F2, salientou que etapas do Catar e de Abu Dhabi serão realizadas (Foto: F2)

“Estamos acompanhando a Fórmula 1 nesse aspecto. A F1 está plenamente ciente de toda a situação e do que precisa ser feito para garantir que essas duas corridas sejam realizadas nas melhores condições possíveis – o que certamente acontecerá. Como temos um campeonato fantástico para encerrar, com muitos pilotos, sendo que três deles disputam o título, estamos realmente ansiosos para realizar essas duas últimas rodadas no Catar e em Abu Dhabi”, reforçou.

Caso as etapas não sejam disputadas, Câmara, que vai defender a Haas na F1 2027, será coroado o campeão da F2 2026, já que tem sete pontos de vantagem para Nikola Tsolov. Michel reconheceu que seria uma infelicidade declarar o vencedor com um mês de atraso e fora das pistas.

“Isso seria muito triste, vamos colocar dessa forma. Sinceramente, não vai acontecer. Voltar atrás e dizer: ‘O campeão foi declarado há um mês, mas não conseguimos coroá-lo’, não seria nada bom. Então, sim, queremos absolutamente terminar o campeonato seguindo o calendário atual”, finalizou.

O combate entre Irã, Estados Unidos e Israel deixou de ser um conflito concentrado no território iraniano e passou a afetar diretamente rotas aéreas, navegação, energia e mercados dos países do Golfo. O ponto mais sensível neste momento é o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela enorme do comércio energético mundial. Recentemente, o Irã afirmou ter atingido um petroleiro no estreito, algo que não foi confirmado.

O Catar está entre os países do Golfo mais expostos porque a economia do país depende fortemente da exportação de gás natural liquefeito (LNG), que precisa atravessar o Estreito de Ormuz por navio. O problema deixou de ser apenas uma questão de risco futuro: segundo o ministro de Energia e CEO da QatarEnergy, ataques contra Ras Laffan danificaram dois trens de produção de LNG e uma unidade de GTL. A previsão apresentada pelo governo catariano é de que os reparos dos dois trens de LNG possam levar cerca de três anos.

A Fórmula 2 planeja voltar às pistas entre 27 e 29 de novembro, com a etapa no Catar. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada.