O interesse cada vez maior de nações em querer sediar a Fórmula 1 tem colocado circuitos clássicos diante de uma realidade ainda difícil de ser encarada: a de que terão de se adequar a um revezamento para sobreviver no calendário da maior categoria do automobilismo mundial. É o caso da icônica Spa-Francorchamps, que ainda não tem garantias de estar presente nas temporada de 2028 e de 2030.
Tal situação, na visão do promotor do GP da Bélgica, Melchior Wathelet, é explicada pela popularidade da Fórmula 1, principalmente depois da série Drive to Survive, da Netflix, e também do recente filme F1, estrelado por Brad Pitt e com Lewis Hamilton na produção. É natural, portanto, que pistas clássicas abram espaço para novos traçados, e isso também reflete a visão comercial do Liberty Media.
“O Liberty Media é um grupo com negociadores rigorosos que sabem exatamente o que querem. Eles cuidam muito bem da imagem da Fórmula 1, e o esporte está muito forte atualmente. Muitos países querem sediar corridas, e isso faz com que o calendário mude cada vez mais”, explicou o presidente de Spa-Francorchamps à revista neerlandesa Formule1.
“Graças ao apoio da Região da Valônia, conseguimos negociar bem. Agora temos um contrato de seis anos com quatro corridas, o que nos dá perspectiva para os próximos anos, a médio prazo”, acrescentou Wathelet.

Spa-Francorchamps recebeu a F1 pela primeira vez em 1950, ano de estreia da categoria. Desde então, os monopostos retornaram à pista belga 57 vezes, o que fez Spa se tornar o quarto circuito que mais teve corridas de F1 na história, atrás apenas de Monza, Mônaco e Silverstone. Agora, a tradicional pista precisa dar espaço para novos traçados que querem fazer parte do esporte.
Com a possibilidade de incluir outros circuitos no calendário da F1 em 2028 e 2030, o Liberty Media pode aumentar ainda mais o alcance do campeonato. Objetivo que conduz parte considerável das decisões da empresa. Entretanto, a possibilidade de voltar a correr em Spa nesses anos não foi descartada.
“Era importante para nós que tivéssemos corridas pelo menos até 2027. E depois disso também, como em 2029 e 2031. Sendo assim, sem corridas em 2028 e 2030. Pelo menos, é possível que não tenhamos nenhuma corrida nessas datas. Mas também é possível que tenhamos, embora eu não vá dar uma porcentagem para isso”, finalizou Wathelet.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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