SÃO PAULO (cadê o sol daqui?) – George Russell larga na pole-position para a Sprint do GP do Canadá, quinta etapa do Mundial de F-1. Terá ao seu lado na primeira fila – adivinhem – o companheiro Kimi Antonelli, líder do campeonato. A Mercedes segue dominando a temporada. Ganhou as quatro corridas disputadas até agora […]
SÃO PAULO (cadê o sol daqui?) – George Russell larga na pole-position para a Sprint do GP do Canadá, quinta etapa do Mundial de F-1. Terá ao seu lado na primeira fila – adivinhem – o companheiro Kimi Antonelli, líder do campeonato. A Mercedes segue dominando a temporada. Ganhou as quatro corridas disputadas até agora e fez todas as poles. Só perdeu uma Sprint, a de Miami, para a McLaren. A prova curta de amanhã será a terceira do ano e a primeira disputada em Montreal.
O inglês precisava do resultado que obteve hoje, depois de três surras indiscutíveis que tomou do jovem parceiro nas últimas três provas. “Nunca duvidei de mim”, falou, aliviado. Se fosse batido de novo por Kimi, o italianinho, poderia entrar em parafuso de vez. Mas precisa completar o serviço para recuperar o equilíbrio. Para isso, é de bom tom ganhar a Sprint de amanhã e buscar a pole para o evento principal algumas horas mais tarde. No ano passado, Russell venceu o GP do Canadá. Antonelli terminou em terceiro, em seu primeiro pódio na categoria.
A McLaren ficou com a segunda fila no grid da Sprint, a Ferrari com a terceira e a Red Bull, com a quarta. Gabriel Bortoleto, brasileiro da Audi, larga em 12º.
McLaren, Ferrari e Red Bull: coadjuvantes
Na classificação para a Sprint, a tarefa no SQ1 não era das mais complicadas para ninguém. Apenas quatro seriam eliminados, já que Alexander Albon e Liam Lawson não sairiam dos boxes. O primeiro tinha atropelado uma marmota no treino livre – e por isso bateu no muro – e o segundo teve problemas insolúveis no carro da Só Não Aceitamos Amex. Os danos no automóvel do tailandês foram tantos que o time teve de trocar motor e câmbio. No caso do neozelandês, o problema foi um vazamento no sistema hidráulico.
A Mercedes, que ficara em primeiro e segundo no treino livre, tinha colocado quase 0s8 em Lewis Hamilton, o terceiro colocado. Um abismo atribuído ao pacote de atualizações levado pelos alemães para Montreal. Era franca favorita à primeira fila. Se tivesse mais carros, faria a segunda, também. Mas Hamilton ameaçou incomodar os prateados no início da classificação. Era o primeiro com 1min13s889 quando, faltando 1min46s para o fim, uma batida de Fernando Alonso (surpreendentemente décimo no treino livre) interrompeu o SQ1. Ele ocupava a 14ª posição.
Ainda dava tempo de quem estava atrás dele melhorar quando os boxes fossem abertos. Como Sergio Pérez e Valtteri Bottas têm lugares cativos na eliminação com suas limusines Cadillac, Lance Stroll e Pierre Gasly eram os dois que tentariam se livrar da degola no parco tempo de pista disponível. E quem estava perto deles, um pouco à frente, corria risco. A saber: as duplas da Audi e da Haas.
Onze carros foram para a pista quando os boxes foram abertos. Mas só três conseguiram abrir volta: os de Carlos Sainz, Stroll e Hamilton. O primeiro e o terceiro não precisavam nem ter voltado. Lance, piloto da casa, abortou a volta. Não mudou nada, no fim das contas. Pérez, Stroll, Gasly, Bottas, Albon e Lawson serão os últimos no grid da Sprint de amanhã.
No SQ2, a Mercedes se aprumou e Russell ficou em primeiro com 1min13s026. Hamilton, o segundo, fechou sua volta a 0s439 dele. Antonelli não se esforçou demais. Errou em sua segunda tentativa, mas como tinha um tempinho suficiente para avançar à parte final da classificação ficou nos boxes vendo os outros se esfolarem. No último instante, Sainz conseguiu uma vaguinha entre os dez primeiros. Ficaram de fora da festa Nico Hülkenberg, Bortoleto, Franco Colapinto, Esteban Ocon, Oliver Bearman e, claro, Alonso – seu tempo no SQ1 tinha sido bom o bastante para escapar da decapitação prematura, mas com o carro batido não havia o que fazer; também ficou vendo os amigos pela TV.
O grid em Montreal: nenhuma surpresa
No SQ3, os pneus macios demoraram um pouco para aquecer e os pilotos precisaram de duas ou três voltas rápidas para chegar à condição ideal. E Russell foi o único a baixar de 1min13s, com 1min12s965. Antonelli ficou a 0s068 dele. A McLaren fechou a segunda fila com Lando Norris em terceiro a 0s315 da pole e Oscar Piastri em quarto. Na terceira fila, Ferrari com Hamilton e Charles Leclerc. Na quarta, Red Bull com Max Verstappen e Isack Hadjar. Arvid Lindblad e Sainz fecharam a turma dos dez primeiros.
A Sprint terá 23 voltas e começa às 13h da Papudinha – para onde volta o “mito” daqui a alguns dias, soluçando ou não. Depois, sai o grid para a prova principal do domingo. Até agora, o sol tem brilhado em Montreal, com céu azul e temperaturas na casa dos 20°C. Mas, para a corrida, há possibilidade de chuva. O que é certo é que o tempo vai dar uma virada e os termômetros vão despencar para coisa entre 10 e 12°C.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.