SÃO PAULO (atualizando) – Por motivos de “não tive muito tempo nos últimos dias”, deixamos de registrar algumas breves notícias aqui que não vão mudar a cotação do dólar, mas merecem algumas considerações. Como já está todo mundo em Sóchi pronto para o GP da Rússia, é um bom momento para passar a régua. Vamos […]
Publicado em 23/09/2021 às 14:34
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Chuva em Sóchi: pode ser assim o fim de semana todo
SÃO PAULO(atualizando) – Por motivos de “não tive muito tempo nos últimos dias”, deixamos de registrar algumas breves notícias aqui que não vão mudar a cotação do dólar, mas merecem algumas considerações. Como já está todo mundo em Sóchi pronto para o GP da Rússia, é um bom momento para passar a régua. Vamos lá:
HAMILTON – Disse que Verstappen parece um pouco ansioso, já que disputa um título pela primeira vez. “Sei como é, já aconteceu comigo, mas ele precisa entender que nem tudo se resolve numa única curva”. Recusou-se a admitir que exista uma “guerra psicológica” com o adversário. Falou que já passou dessa fase, com a experiência que tem na F-1, e que no fim das contas tudo se resolve na pista, mesmo. “O importante é que numa disputa todos sobrevivam com segurança.”
VERSTAPPEN – “Ah, sim, estou muito nervoso, não consigo nem dormir”, rebateu o holandês com ironia. “Se Lewis disse isso, mostrou mais uma vez que não me conhece.” Depois, chamou de “hipócritas” os que criticaram sua indiferença ao passar pelo carro de Hamilton, sob o seu, em Monza. “Vi que ele estava tentando sair de ré. Depois, foi para os EUA participar de um evento de moda. Se fez tudo isso, é porque estava bem.” Assunto aparentemente encerrado. Sobre a perda de três posições no grid do GP da Rússia, “não tenho de concordar com a punição, mas não é o fim do mundo”. Assunto encerrado também. A Red Bull vai esperar o resultado da classificação, sábado, para decidir se troca o motor do holandês, pagando o pênalti de largar no fundo do grid.
METEOROLOGIA – A decisão sobre a troca do motor depende também das condições climáticas. Tem chovido bastante na região de Sóchi nesta semana e se o clima se mantiver assim, a Red Bull pode mudar de ideia.
ASTON MARTIN – A equipe confirmou a manutenção da dupla Sebastian Vettel/Lance Stroll para 2022. Nenhuma novidade. O alemão chegou neste ano e veio basicamente para ajudar a estruturar o time com o conhecimento que traz de anos de Red Bull e Ferrari. No ano que vem, a Aston Martin espera inaugurar sua fábrica nova, que está sendo construída onde sempre esteve, em frente aos portões de Silverstone, desde os tempos em que se chamava Jordan. Os planos são ambiciosos.
HAAS – Também fez o anúncio oficial sobre seus pilotos para o próximo Mundial, e da mesma forma não houve surpresa alguma. Ficam Nikita Mazepin e Mick Schumacher. O primeiro porque o pai banca a equipe com dinheiro russo. O segundo por fazer parte da academia de jovens talentos da Ferrari, que fornece os motores ao time americano.
ALFA ROMEO – Guanyu Zhou, chinês que faz um bom campeonato na F-2 (é o atual vice-líder) e é membro da turma de jovens talentos da Alpine, ganhou força nas últimas semanas como candidato a uma vaga no time ítalo-suíço, que já confirmou Bottas para 2022 e a saída de Raikkonen. Briga com ele, neste momento, apenas o atual titular Antonio Giovinazzi. Mas as coisas estão pendendo para o piloto da China — que além de talentoso traz dinheiro de patrocinadores de seu país e abre um mercado cobiçadíssimo por todos na F-1. Em Sóchi, Raikkonen volta ao time, recuperado da Covid. Disse que não viu pela TV as duas corridas que perdeu.
MIAMI – 8 de maio. Esta é a data anunciada para o GP de Miami, que entra no calendário do ano que vem. A pista será montada em volta do Hard Rock Stadium. A lista das 23 etapas de 2022 com suas datas ainda não foi divulgada.
ÍMOLA – O prefeito da cidade e os administradores do autódromo andam dizendo por aí que o circuito será incluído no Mundial de 2022 a 2025. Nada confirmado, porém.
Leclerc: motor trocado, fundo do grid
LECLERC – O monegasco terá na Rússia a mais nova versão do motor da Ferrari — segundo consta com alguns cavalinhos, não muitos, a mais. Por isso, terá de largar da última fila. O motor trocado faz parte do programa de desenvolvimento da equipe para 2022. Hora de começar a testar algumas coisas.
SAINZ – Foi vítima das milícias digitais brasileiras porque teria dito “não quero ser um Barrichello na Ferrari”. Não foi o que disse, literalmente; perguntaram, na imprensa espanhola, se ele preferia ter sido Schumacher ou Barrichello na história da Ferrari, e ele obviamente respondeu “Schumacher”. Foi o bastante para os chatos das redes sociais atacarem o espanhol. “Tenho muito respeito por Rubens. Quantas corridas ele ganhou? 11. Eu não ganhei nenhuma. Então, não sou ninguém perto dele. O que eu disse foi outra coisa, mas como sempre os ‘feeds’ de notícias vão distorcendo tudo.” Explicado, com toda educação e respeito do mundo.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.