Muito se falou e esperou com relação ao Madring, o novo circuito urbano que virou casa do GP da Espanha, e sua pista. E finalmente pilotos e equipes foram oficialmente apresentados nesta sexta-feira (11) de treinos livres. É justo esperar ao menos até o restante do fim de semana para saber se o público aprova ou não, mas já dá para dizer que a peculiaridade aventada é real.
A pista tem trechos que se assemelham a diferentes pistas do calendário, mas rapidamente, como se fosse um portal de teletransporte, pula para um trejeito de outro canto. O que está sempre presente é a ameaça dos muros e, com um ombro a cada esquina, a velocidade chega a beirar o apavorante. O que os pilotos acharam disso tudo está muito claro. Mas como pode afetar corridas?
Na ordem de forças, a Mercedes permaneceu na frente, mas foi apenas o começo do que promete ser uma etapa repleta de alternativas e, muito provavelmente, alguma qualidade escondida no primeiro dia vai dar as caras amanhã.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 na Espanha.

Madring está, sim, à espreita…
O acidente de Arvid Lindblad, que entrou na curva 13 com velocidade demais e passou reto para estampar o muro do lado oposto foi a joia da coroa na comprovação que, na pista de Madri, qualquer erro custa caríssimo. Claro que os muitos problemas nas atividades de F2 e F3 já haviam mostrado, mas faltava algo da F1 para consagrar. Ainda não houve tempo hábil para avaliar se a pista vai render boas corridas, se as ultrapassagens serão tão complexas quanto parece ou se é tudo uma mistureba esquisita criada via algum algoritmo meia-boca. Mas que os desafios para a pilotagem são realíssimos, pode crer, são tão reais quanto o esperado.
… Mas os pilotos adoram
E os pilotos estão curtindo! Se as avaliações feitas no início da semana, que usavam como base somente as voltas de simulador, tratavam mais do temor com possíveis grandes incidentes — que, é claro, existem ainda —, a ida para a pista mudou um pouco o perfil da conversa. A esmagadora maioria dos pilotos terminou a sexta-feira dizendo que gostava muito da pista. “É uma descarga de adrenalina”, disse Pierre Gasly, enquanto Carlos Sainz tratou como “uma pista que te deixa amarradão”. A aprovação é acachapante.

Pneus à deriva fazem estratégia se tornar fundamental
Mas vamos falar de coisa séria: as projeções que a pista entrega para a corrida. Por se tratar de um traçado estreito e sem grandes freadas profundas, a expectativa original era — e, em larga escala, ainda é — de uma daquelas corridas amplamente definidas pela posição de largada, como Singapura ou Abu Dhabi. A sexta-feira, contudo, entregou alguns elementos. Em primeiro lugar, o desgaste de pneus. A aderência é maior do que se esperava no primeiro dia de uma pista quase sem uso e, também por isso, os pneus sofreram bastante. Como se trata de um traçado dianteiro, os pneus da frente se desgastam bem mais rapidamente que os de trás e sobretudo o do lado esquerdo. É claro que La Monumental, a tão falada curva angulada, tem muita culpa no cartório, uma vez que obriga os carros a colocarem carga gigantesca na borracha em questão. Tão grande o desgaste que a corrida não será de apenas uma parada, a não ser que as coisas mudem drasticamente no sábado. Será uma prova de duas paradas, com a real possibilidade de três janelas.
E, aí, também se torna uma questão o eterno pit-lane do Madring. A estimativa é perda de 25 segundos a cada parada, bem acima da média da Fórmula 1, que gira em torno de 20s. É preferível, claro, entrar nos boxes o menos possível nessas condições, mas talvez não seja possível. E talvez seja mais custoso jogar os dados da sorte com pneus desgastados nessa pista cheia de ombros. A classificação pode, sim, definir a corrida, mas os treinos livres fizeram a importância do acerto estratégico se multiplicar em progressão geométrica.

Quem incomoda a Mercedes?
Que talvez o novo circuito não fosse o favorito da Mercedes, pelas características estabelecidas, estava na boca do povo. Os primeiros treinos, no entanto, mostraram muita força, com George Russell na frente no treino livre 1 feito de freio de mão puxado por todo mundo e Andrea Kimi Antonelli na sessão mais veloz. As simulações de corrida foram comprometidas pela bandeira vermelha causada por Lindblad, mas paciência.
A Ferrari deu a entender que tem ótimo ritmo de classificação, com Charles Leclerc e Lewis Hamilton na frente de Russell no TL2. A Red Bull também mostrou certa força com Max Verstappen, mas talvez o mais legal do ritmo do tetracampeão tenha sido o stint de oito voltas de pneus macios que não o fez perder tanto no tempo de volta do início ao fim. Em média de tempos, tal stint o colocou à frente das Ferrari nos determinados stints mais longos do dia com pneus médios. Tudo bem, a amostragem é pequena, mas ainda vale olhar.

Madri pode resolver ‘título’ da F1 B
A luta pelo título do pelotão intermediário está por um fio! Isso porque este é exatamente o tipo de pista com o qual a Racing Bulls se dá bem há anos e o ritmo da sexta-feira foi amplamente superior ao das rivais, especialmente em ritmo de classificação. Antes de bater, Lindblad garantiu o quarto lugar do segundo treino livre — e por ali ficaria, porque as simulações de uma volta já tinham basicamente acabado. Yuki Tsunoda se colocou na oitava colocação, com boa diferença para as oponentes. Num cenário em que a McLaren começa o fim de semana com problemas e que Liam Lawson de Red Bull é uma incógnita, a Racing Bulls tem condições reais de anotar uma pontuação violenta na capital espanhola. Atualmente tem 13 pontos de frente para a Alpine, mas não é absurdo nenhum imaginar que marque algo como 12 pontos contra um ou nenhum da rival e amplie a vantagem para perto de 25 pontos. No pelotão intermediário, isso pode ser o beijo da morte.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Espanha, 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar o que aconteceu após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além disso, o GP está in loco em Madri com o repórter Leonid Kliuev.
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