A Fórmula E não pretende abandonar a característica que marcou a categoria desde a fundação: correr em centros urbanos. Quem garante isso é o cofundador e diretor Alberto Longo. O dirigente explicou que o processo de escolha dos locais das corridas começa por definir os mercados relevantes, depois escolher as pistas. Dentro deste processo e da inclusão crescente de autódromos permanentes, garantiu que permanecer perto de grandes cidades segue como prioridade.

Com a chegada da Gen4, que contará com 600 kW de potência — o equivalente a 816 cv — e alcançará velocidades acima de 330 km/h, a categoria admite que os novos carros exigirão ajustes em alguns circuitos urbanos e pode até levar à substituição de sedes tradicionais.

O ExCel Center, em Londres, por exemplo, não seguirá sediando corridas a partir da temporada 2026/27. Silverstone e Brands Hatch são os locais favoritos para ser a nova casa da etapa britânica — com Brands Hatch à frente justamente por ser mais perto da capital.

Nos Estados Unidos, a Fórmula E já corre no Autódromo Internacional de Miami, ao redor do Hard Rock Stadium, e projeta uma segunda corrida no país — tudo indica que será no Circuito das Américas, em Austin. Zandvoort é outro local permanente que tem acordo encaminhado para estrear no campeonato.

ExCel Center não seguirá como casa da Fórmula E na próxima temporada (Foto: Fórmula E)

Longo admitiu que os carros mais rápidos e potentes tornaram as corridas em vias públicas cada vez mais difíceis do ponto de vista operacional e de segurança. Ainda assim, ressaltou que o objetivo segue sendo disputar provas em grandes centros, ainda que em instalações privadas adaptadas dentro dos próprios mercados urbanos.

“Não vamos mudar o DNA. Ainda pensamos que precisamos procurar locais nos centros das cidades. O problema é que as corridas de rua estão ficando extremamente desafiadoras por causa da velocidade e da potência desses carros”, afirmou ao portal Motorsport.

“O que estamos tentando encontrar cada vez mais são locais como Tempelhof: espaços privados onde você pode desenhar a pista da forma ideal para mostrar o desempenho desses carros. É nessa direção que estamos indo, e isso não mudou”, seguiu.

Segundo Longo, o ponto central não é o tipo de traçado, mas a presença da Fórmula E em mercados estratégicos ao redor do mundo. A escolha do circuito passa a ser uma etapa posterior da decisão.

Aeroporto de Templehof é visto como modelo ideal de local para correr em centros urbanos na Gen4 (Foto: Fórmula E)

“O que está muito claro para nós é que precisamos estar em determinados mercados. Essa é a prioridade máxima. Se precisamos estar no Reino Unido, por exemplo, estaremos lá”, explicou.

“O tipo de pista não será o fator decisivo. Depois que escolhemos os mercados, a segunda prioridade é definir qual tipo de local vamos usar naquele lugar”, finalizou.

Diante deste cenário, o Autódromo do Anhembi chegou a ter o futuro colocado em xeque. Porém, tanto Fórmula E quanto Prefeitura de São Paulo confirmaram ao GRANDE PRÊMIO a permanência do local no calendário. Outra pista que já recebe a categoria, o Circuito de Corniche, em Jedá, pode ampliar traçado para receber os carros Gen4.

A Fórmula E retorna entre os dias 19 e 20 de junho, com a realização do eP de Sanya. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.

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