SÃO PAULO (E ho trovato l’invasor) – Foi o de sempre em Monza em classificações: todo mundo atrás de um vácuo, e no fim quem fez a pole para a Sprint de amanhã acabou sendo Valtteri Bottas com uma volta muito boa em 1min19s555, 0s096 à frente de Lewis Hamilton — que vai ganhar a […]
Publicado em 10/09/2021 às 14:58
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Tudo por um vácuo: o de sempre em Monza
SÃO PAULO(E ho trovato l’invasor) – Foi o de sempre em Monza em classificações: todo mundo atrás de um vácuo, e no fim quem fez a pole para a Sprint de amanhã acabou sendo Valtteri Bottas com uma volta muito boa em 1min19s555, 0s096 à frente de Lewis Hamilton — que vai ganhar a minicorrida e empatar com Max Verstappen nos pontos, se o holandês não chegar em segundo ou terceiro. O jogo de equipe será escancarado. E, nesse caso, compreensível.
O roteirinho para amanhã está escrito porque a Mercedes é muito favorita para o GP da Itália de domingo, também. E Hamilton está atrás na classificação. Max ficou em terceiro hoje no Q3 a 0s411 do finlandês. É uma diferença considerável. A Red Bull sabe que em Monza o que tem de fazer é, como se diz, minimizar o prejuízo. De certa forma, recebeu uma pequena ajuda da Mercedes, que decidiu trocar o motor de Bottas. Valtteri perderá posições no grid para o GP. Vai largar no fundo do pelotão e não deve se meter na briga lá na frente, tirando pontos de Verstappen. Grid que, lembramos, será definido amanhã na provinha de 18 voltas — a segunda do ano; a terceira Sprint está prevista para Interlagos, se a Anvisa deixar.
Tráfego na saída de box: pequenos perrengues
Apesar da ânsia por um vácuo, o Q1 e o Q2 aconteceram sem grandes problemas, apenas com pilotos reclamando do tráfego pelo rádio, como fazem todos os anos. Hamilton foi o mais rápido na primeira parte da classificação com 1min20s543, 0s142 à frente de Bottas. Norris ficou em terceiro e Verstappen foi em quarto, a 0s492 do inglês. Latifi, Tsunoda (que perdeu sua melhor volta por exceder os limites da pista na Parabólica; me desculpem, mas vai ser difícil chamar essa curva de Alboreto), Schumacher, Kubica e Mazepin foram os eliminados. Kubica corre de novo em Monza no lugar de Raikkonen, que testou positivo para Covid-19 na semana passada.
A surpresa do Q1 foi Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo, em sexto. A equipe corre com uma pintura diferente em Monza. Detalhes em verde foram acrescentados ao seu histórico logotipo para festejar a corrida de casa. Ficou lindão, o carro.
Giovinazzi andou bem de novo
Alfa Romeo veio com pintura diferente
No Q2, quase todo mundo saiu em duplinha para pegar vácuo do companheiro. Hamilton voltou a andar forte com 1min19s936, deixando Bottas 0s096 atrás. De novo Norris foi o terceiro e Verstappen repetiu a quarta posição. Giovinazzi, mais uma vez, surpreendeu com a sétima colocação. O italiano ainda luta pela vaga na Alfa Romeo no ano que vem. Vettel, Stroll, Alonso, Ocon e Russell ficaram para trás. Aston Martin e Alpine decepcionaram e não levaram ninguém para o Q3.
A fase final da classificação também não apresentou grandes surpresas, exceção feita à grande volta de Bottas. Hamilton era o favorito e, com 1min19s949 em sua primeira volta, parecia prestes a confirmar a pole-que-não-é-pole-porque-Sprint-não-é-corrida. Só que Verstappen ficou apenas 0s017 atrás na primeira bateria de voltas rápidas e acendeu a luz amarela na Mercedes.
Bottas: pole para a Sprint, motor trocado para domingo
Mas não era preciso se preocupar tanto. Na segunda saída, mais uma vez com os segundos pilotos dando o vácuo para os primeiros, Bottas se recuperou de uma primeira volta ruim e cravou 1min19s555 para ficar com a primeira posição. Hamilton também melhorou, mas não conseguiu bater o tempo do futuro ex-parceiro. “Ele vez uma megavolta”, elogiou. Sem se preocupar demais também, porque sabe que amanhã terá toda moleza do mundo para assumir a ponta logo de cara. “Todo ponto conta”, falou Lewis na entrevista a Felipe Massa logo depois da classificação, lembrado pelo brasileiro da decisão de 2008 em Interlagos — ganhou o título por um ponto em cima do então piloto da Ferrari. “Já ganhei e perdi campeonatos por um ponto”, acrescentou, referindo-se a 2007. Naquele ano, sua estreia na F-1, ficou em segundo empatado com Alonso, enquanto Raikkonen comemorava a conquista pela Ferrari também no autódromo paulistano.
Com as boas voltas da Mercedes, Verstappen caiu para terceiro e viu a diferença no cronômetro subir para quase meio segundo. “A gente sabia que aqui ia ser difícil”, conformou-se o holandês, líder do Mundial. Norris ficou em quarto, seguido por Ricciardo, Gasly, Sainz, Leclerc, Pérez e Giovinazzi nas dez primeiras posições.
O grid para a Sprint: deu a lógica em Monza
A Sprint não deve chegar a meia hora de duração, amanhã. Pé embaixo o tempo todo com pneus macios, valendo três pontos para o vencedor, dois para o segundo colocado e um para o terceiro. As posições finais da provinha determinam o grid para o GP de verdade de domingo.
E atenção! Hoje tem “Fórmula Gomes” no YouTube, mas começa mais cedo, às 18h, porque temos um compromisso mais tarde — pizza com meus pais que completam 60 anos de casado!
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.