SÃO PAULO (pras ruas já!) – Assim que acabou a classificação em Paul Ricard, Christian Buziner, o chefe da Red Bull, falou: “Se a gente ganhar na França, estará provado que podemos bater a Mercedes em qualquer pista”. Pois é. Ontem, aqui mesmo nestas páginas, falei que Hamilton faria a pole, mesmo tendo começado muito […]
Publicado em 19/06/2021 às 13:29
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Verstappen, quinta pole: na frente da Mercedes onde a Mercedes era favorita
SÃO PAULO(pras ruas já!) – Assim que acabou a classificação em Paul Ricard, Christian Buziner, o chefe da Red Bull, falou: “Se a gente ganhar na França, estará provado que podemos bater a Mercedes em qualquer pista”. Pois é. Ontem, aqui mesmo nestas páginas, falei que Hamilton faria a pole, mesmo tendo começado muito mal o fim de semana. Quase fez. Mas “quase” não basta. Quem ficou na frente foi Verstappinho, pela quinta vez na carreira e segunda no ano — ele tinha feito a pole também na abertura do campeonato.
É favorito à vitória amanhã? Olha, vou dizer… O sorrisinho maroto de Hamilton na entrevista logo após a classificação me deixaria preocupado, se meu nome fosse Max e o sobrenome, Verstappen.
Mas como não é o caso, que deixemos as preocupações a quem elas pertencem. Lewis arrancou um segundo lugar no grid surpreendente e disse três coisas importantes, a saber: 1) a história de que a troca de chassi com Bottas poderia estar por trás dos maus resultados desde ontem era apenas “um mito”, como definiu; 2) a Mercedes está perdendo para a Red Bull em velocidade de reta, porque os rivais optaram por uma configuração com menos asa; 3) de ontem para hoje, ele e a equipe mexeram no carro de cabo a rabo: “Vocês não fazem ideia de quantas mudanças fizemos entre os treinos”.
Sorrisinho maroto: o que Hamilton vai aprontar amanhã?
Verstappen, feliz com a pole, decidiu que na França vai recuperar os pontos perdidos em Baku. “É nosso objetivo aqui”, resumiu. “O fim de semana está sendo muito bom. Hoje não vale ponto nenhum e temos de terminar o trabalho amanhã.” OK. Terá a ajuda de Pérez? Talvez não muito, porque o mexicano ficou em quarto no grid. Max fez a pole com uma volta extraordinária em 1min29s990, o único a andar abaixo da casa de 1min30s no chatonildo traçado de Paul Ricard. Hamilton ficou 0s258 atrás. Bottas, o terceiro, 0s386. O mexicano, vencedor no Azerbaijão, virou 0s455 mais lento que seu companheiro.
Foram dois os destaques no Q3. Carlinhos, em quinto, conseguiu seu melhor grid na Ferrari e ficou na frente de Charlinho. Gasly, que teve sua primeira volta cancelada por exceder os limites da pista, cravou um excelente sexto lugar. Depois dele vieram, pela ordem no top-10, Leclerc, Norris, Alonso e Ricciardo. O grid completo está aí embaixo.
Grid para o GP da França: surpresa maior foi Mick Schumacher em 15º
Há uma possibilidade de chuva para amanhã, aventada por Hamilton depois da classificação. Falou sobre isso com o mesmo sorriso maroto. Hoje o dia foi nublado e quente na região do circuito, perto de Marselha. Os organizadores abriram as arquibancadas para 15 mil pessoas. A vida começa a voltar ao normal no mundo civilizado, enquanto por aqui o seboso fedorento segue cuspindo seus perdigotos e dizendo que ninguém mais precisa usar máscara. É um imbecil perigosíssimo. Usem máscaras. Vacinem-se.
(Falando em público, ontem começaram a ser vendidos os ingressos para o GP de São Paulo, ex-Brasil, que terá capacidade limitada de público em Interlagos, isso se acontecer a corrida. A primeira leva, para quem tinha cadastro, já esgotou. Fiquem atentos às notícias no Grande Prêmio, vocês que pretendem ver a prova.)
Pérez, quarto no grid: poderia ter sido um pouquinho melhor
Dois pilotos bateram na classificação. O primeiro foi Tsunoda, cada vez pior. Saiu dos boxes, rodou e deu no guard-rail. Larga em último. O outro foi Mick Schumacher, depois de cometer a façanha de colocar a carroça da Haas em 14º. Faltavam 30 segundos para o fim do Q1, a bandeira vermelha foi acionada e, assim, dois pilotos que poderiam superá-lo não tiveram a chance de fechar voltas e empacaram no grupo da degola: Stroll e Raikkonen. Eles se juntaram a Latifi, Mazepin e Tsunoda na turma que foi para os vestiários mais cedo.
Com o carro arrebentado, Schumaquinho não pôde participar do Q2, que teve todo mundo fazendo voltas com pneus médios para poder usá-los na largada amanhã — as exceções foram Russell e Giovinazzi, que de qualquer maneira não passaram ao Q3 e poderão usar os mesmos médios dede o começo da corrida; os macios não duram mais que uma volta.
Foi no Q2 que Hamilton deu sinal de vida, superando a Red Bull pela primeira vez. Bottas também foi bem e os sorrisos voltaram à garagem da Mercedes. Em compensação, muxoxos na Alpine (Ocon em 11º) e na Aston Martin (Vettel em 12º). Giovinazzi, Russell (de novo no Q2, passou em todas neste ano) e Schuminho foram os riscados da lousa.
Schuminho ou Schumaquinho? Bom, seja como for, mesmo batendo ele merece aplausos pelo desempenho no Q1. Seu pai ficaria orgulhoso. Talvez tenha ficado. Ninguém sabe. Aliás, ninguém sabe nem onde a família Schumacher está morando. Dia desses a mansão da Suíça foi colocada à venda.
No Q2, Mercedes dá sinal de vida: Bottas em primeiro, Hamilton em segundo
Não tiraram os salsichões da curva 2, motivo de reclamação de muita gente ontem, e como ninguém arrebentou assoalho nenhum hoje acho que o diretor de prova Michael Masi estava certo quando disse que as equipes e os pilotos são uns malas, que um dia pedem uma coisa e no dia seguinte querem outra. Quem fiquem longe da salsicha e acabou o assunto.
Claro que a pole de Verstappen faz dele um ligeiro favorito à vitória amanhã, e os palpiteiros de plantão, como eu, tendem a colocá-lo nessa posição. Mas ainda acho que Hamilton vai encontrar alguma coisa de hoje para amanhã para reverter o quadro. A Mercedes ganhou em Paul Ricard em 2018 e 2019 com muita facilidade. Ambas com Lewis. Vou manter meu palpite inicial e sigo com ele. Mas está na cara que, se acontecer, será muito mais difícil do que nas edições anteriores desse GP. Tenho dito com frequência neste ano: a Mercedes ainda tem um belo carro e é plenamente capaz de ser campeã de novo. Só que sem a moleza das temporadas passadas.
E é isso que está fazendo deste campeonato o melhor dos últimos anos.
Hoje às 19h tem “Fórmula Gomes” lá no YouTube. Apareçam!
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.