SÃO PAULO (atrasadinho) – A sexta-feira de Abu Dhabi, corrida que encerra o Mundial de F-1, foi cheia de novatos na pista na abertura dos trabalhos. Seis não-titulares ocuparam os carros da Ferrari (Arthur Leclerc), Aston Martin (Felipe Drugovich), Williams (Luke Browning), Red Bull (Isack Hadjar), McLaren (Ryo Hirakawa) e Pode Parcelar Até Três (Ayumu […]
Publicado em 06/12/2024 às 18:48
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Irmãos Leclerc: treino emocionante para ambos
SÃO PAULO(atrasadinho) – A sexta-feira de Abu Dhabi, corrida que encerra o Mundial de F-1, foi cheia de novatos na pista na abertura dos trabalhos. Seis não-titulares ocuparam os carros da Ferrari (Arthur Leclerc), Aston Martin (Felipe Drugovich), Williams (Luke Browning), Red Bull (Isack Hadjar), McLaren (Ryo Hirakawa) e Pode Parcelar Até Três (Ayumu Iwasa). Fora Jack Doohan, fazendo sua estreia oficial pela Alpine no lugar de Esteban Ocon.
Primeiro treino: seis novatos
O único que ficou na frente do companheiro de equipe foi Drugovich, que participou de seu quinto treino livre em fim de semana de GP. O brasileiro terminou a sessão em nono. Terminou a sessão em nono, com Fernando Alonso em 11º. Não significa nada, não vai mudar seu futuro, mas pelo menos fez sua parte.
Na segunda sessão, os adultos entraram em campo e a McLaren dominou a noite, com Lando Norris em primeiro e Oscar Piastri em segundo. O campeão Max Verstappen foi o 17º e reclamou muito do carro, como fizera no Catar. Lá, de sexta para sábado, ele virou o jogo. Acabou vencendo a corrida, domingo passado. Portanto, não deem muita bola para as queixas de Max.
Ademais, muito mais importante para ele, neste momento, é a notícia de que será pai. Sua namorada Kelly Piquet anunciou a gravidez pelas redes sociais.
Papai Max, no entanto, precisa se acalmar um pouco. Depois de dizer em Lusail que perdeu o respeito por George Russell — que o acusou de atrapalhar uma volta de preparação de volta rápida na classificação –, continuou a disparar a metralhadora em direção ao inglês. Que respondeu, dizendo que o holandês é perigoso, ameaçou dar com sua cabeça na parede, e que a mãe dele é isso, a irmã é aquilo, e se quiser me pega lá fora.
O clima está bem pesado entre os dois. Que não levem para a pista, porque aí pode machucar. A treta, claro, respingou nos chefes Toto Wolff e Christian Horner. O primeiro, da Mercedes, falou que o segundo lembra muito um cãozinho terrier histérico que late sem parar. Horner respondeu que terriers são ótimos cães e que é melhor ser cachorro do que lobo, e se quiser me pega lá fora.
Norris: mais rápido da sexta-feira
A McLaren deve mesmo conquistar o título de Construtores em Abu Dhabi, já que metade da Ferrari, Leclerc, parte com punição de dez posições no grid por troca de baterias. A equipe papaia tem 640 pontos, contra 619 dos italianos. São 21 pontos administráveis. Basta chegar na frente, ou não muito atrás. Franco Colapinto e Alexander Albon trocaram as caixas de câmbio de seus carros e também serão punidos, o que não fará muita diferença porque a Williams está longe de ser protagonista do fim de semana.
O que importa nesta corrida derradeira, na verdade, não é nem o resultado final, já que o título de Verstappen está garantido desde Las Vegas e a taça para a McLaren é pule de dez. Abu Dhab será uma daquelas provas cheias de despedidas, bem diferente da do ano passado, que também encerrou o campeonato mas com todos os pilotos do grid confirmados para o ano seguinte nas mesmas equipes.
Agora não.
Despedidas de peso, especialmente de Hamilton da Mercedes
Lewis Hamilton está dando adeus à Mercedes depois de 12 temporadas vestindo prata. Curiosidade: nos três anos como companheiro de Russell, cada um fez 685 pontos. O desempate será domingo. Mas falaremos mais disso, da longa trajetória de Hamilton com a estrela de três pontas, amanhã e depois. Valtteri Bottas, Guanyu Zhou e Kevin Magnussen deixam a categoria, ao menos como titulares. Os dois primeiros tentam um empreguinho como reservas, ainda, o que me parece melancólico e desnecessário. Melhor fariam se desapegassem, como o dinamarquês da Haas: vai para a BMW no WEC.
Na Ferrari, Carlos Sainz fecha seu ciclo de quatro anos de vermelho para dar lugar a Hamilton. No ano que vem, estará na Williams assumindo o carro que hoje é de Franco Colapinto. O argentino chegou chegando, mas perdeu força e está sem carro para 2025. Ele tinha alguma esperança numa das equipes da Red Bull, já que a aposentadoria — voluntária ou compulsória — de Sergio Pérez parece cada vez mais perto. Mas a turma dos energéticos já decidiu: com a saída do mexicano, Liam Lawson deve ser promovido para o time principal e Hadjar, que pode conquistar o título da F-2 no domingo, vai para a Pode Ser Por Aproximação. O francês briga pela taça com o brasileiro Gabriel Bortoleto na rodada dupla de Yas Marina.
Os novinhos Hadjar e Doohan e o velhinho Russell
Vai ter muita emoção e choradeira ao final da prova, claro. Principalmente na Mercedes, já que sua história com Lewis é a mais longeva da categoria. Além de ser a mais bem sucedida de todos os tempos, com seis títulos mundiais de Pilotos e oito de Construtores — sem falar no título de 2008 com a McLaren equipada com os motores alemães.
Sainz também já fez declarações comoventes de amor ao time de Maranello, mas disse que entendeu a decisão da equipe, que a tentação de ter um heptacampeão como Hamilton é irresistível e que seu instinto garante que o projeto da Williams será vencedor em breve.
Que tenham todos muita sorte na vida.
Mas, antes de derramar lágrimas, tem uma corrida pela frente.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.