Norris: 12 vitórias na carreira, primeira como campeão mundial

SÃO PAULO (animadinho) – Lando Norris fez valer sua pole-position na Hungria. O inglês da McLaren venceu a 11ª etapa do Mundial e vai para as férias de verão da F-1 com um sorriso no rosto. É a primeira vez que um pole ganha em Budapeste desde 2020. Nas últimas cinco edições da prova, a vitória caiu no colo de outrem.

Mas não foi daquelas de ponta a ponta, não. O campeão do mundo, que ganhou seu primeiro GP na temporada — 12º na carreira —, viu seu companheiro Oscar Piastri liderar a primeira parte da prova por conta de uma escorregada logo na primeira volta. Precisou remar vigorosamente para ganhar a posição na primeira janela de pit stops. Depois, foi sossegado. Até porque Piastri quebrou no fim. Max Verstappen, com uma bela apresentação, foi o segundo colocado. Kimi Antonelli, idem, o terceiro.

A Ferrari fracassou. Favorita anunciada desde sexta-feira, ficou apenas em quarto e quinto com Charles Leclerc e Lewis Hamilton. Voltou para casa sem nenhum troféu. A má largada do monegasco e mais um pênalti — o quinto do ano — para o inglês condicionaram o mau resultado. Gabriel Bortoleto, da Audi, foi o 11º.

O resultado ampliou de 45 para 50 pontos a vantagem do italianinho da Mercedes sobre o vice-líder, Hamilton: 219 x 169. George Russell, companheiro de Antonelli na Mercedes, viveu mais um domingo daqueles. Na frente do amiguinho no grid, seu carro empacou na largada e ele caiu para a 21ª posição. Recuperou-se para terminar em sétimo, mas viu sua distância para Kimi aumentar em nove pontos. Agora, está 59 atrás.

Piastri na frente: começo bom para o australiano

A corrida foi divertida. As estratégias de paradas para troca de pneus foram muito diferentes, menos pela quantidade — o padrão foi de duas, com um safety-car virtual levando alguns times a pararem três vezes —, mais pelo momento de ir aos boxes. Com isso, teve gente que se deu muito bem, como Verstappen e Antonelli, escalando o pelotão. E outros que se embananaram, perdendo tempo e espaço na pista magiar. O liquidificador dos pit stops acabou movimentando bem a zona de pontos durante as 70 voltas da prova.

No balanço das horas, o grande vencedor de Budapeste acabou sendo, novamente, Antonelli. Largou em sétimo e chegou em terceiro. Os que sonham em alcançá-lo na tabela ficaram atrás dele. E a McLaren também sai da Hungria satisfeita. Seu carro revisado funcionou muito bem. Dá o direito aos papaias de se candidatarem a mais vitórias na segunda metade do campeonato.

E vamos à corrida. Mas, antes, notícia que merece destaque:

Sepang: circuito volta a receber a F-1, como GP da Malásia
A F-1 confirmou a realização do GP do Bahrein no dia 4 de outubro, entre as corridas do Azerbaijão (26 de setembro) e de Singapura (11 de outubro). Três seguidas, pois. Detalhe nada irrelevante: a prova será realizada na Malásia, com o nome oficial de Formula 1 Gulf Air Bahrain Grand Prix in Malaysia. Isso mesmo, GP do Bahrein na Malásia, que recebeu a categoria entre 1999 e 2017 no monumental circuito de Sepang. O governo barenita vai pagar todas as despesas. A prova original, que seria em abril, foi suspensa  junto com o GP da Arábia Saudita por causa da guerra entre EUA e Irã, deflagrada pelo maior idiota vivo do planeta, Donald Trump. Já as duas etapas que encerram o campeonato, Catar e Abu Dhabi, seguem sob observação. Se a guerra continuar, podem ser substituídas por etapas na Europa. Ímola, na Itália, e Portimão, em Portugal, são possibilidades. Não é a primeira vez que um GP num país leva o nome de outro. O caso clássico é o do GP de San Marino, disputado por anos em Ímola, na Itália. San Marino é uma pequena república encravada em território italiano. O GP da Suíça de 1982 aconteceu em Dijon, na França. O de Luxemburgo, em 1997 e 1998, na Alemanha em Nürburgring. O que motivou tais saladas patrióticas, porém, foi o fato de que esses países (Itália, França e Alemanha) já tinham seus GPs nacionais quando receberam corridas duplicadas. Por isso as provas foram renomeadas com as bandeiras de outros países.
Largada na Hungria: dupla papaia pula na frente

Leclerc, na primeira fila, largou muito mal, caindo para quinto. Piastri, que tinha passado o monegasco, superou Norris quando o inglês deu uma embarrigada na terceira curva. Verstappen também se aproveitou do vacilo de Chaleclé e se colocou em terceiro. Russell, por sua vez, ficou quase parado e caiu para o fim do pelotão. Nada é tão ruim que não possa piorar.

A largada foi bem interessante porque deu uma chacoalhada no grid. E proporcionou a primeira grande batalha do domingo: Hamilton, quarto, versus Verstappen, terceiro. Batalha sem grandes atritos, é verdade. O inglês da Ferrari seguia o holandês rubro-taurino de perto, mas não partia para o ataque com muita veemência.

Lewis largara com pneus macios, assim como Leclerc e mais quatro pilotos lá do fundão — Bortoleto, Fernando Alonso, Carlos Sainz e Lance Stroll. Os demais, com médios. Por isso, era preciso passar Max logo, porque sua borracha iria acabar antes — forçando uma parada precoce.

Russell antes da largada: tudo que está ruim pode piorar

Com 12 voltas percorridas, Russell já estava em 11º. Galvão Bueno diria: faz uma bela prova de recuperação, o bonitão da Mercedes. Na frente, Piastri seguia altivo e seguro, com Norris muito próximo em segundo e os demais, um pouco mais distantes. “Max está muito lento”, reclamou Hamilton, que não conseguia passar. Então, na volta 14, resolveu parar e colocou pneus duros. Voltou em nono, atrás de Arvid Lindblad, da Para o Resto Existe Mastercard. A Red Bull reagiu e chamou Verstappen para sua troca na volta seguinte, de modo que mantivesse sua posição em relação ao ferrarista. Mas não conseguiu. Voltou atrás. Mas foi por pouco tempo. Na volta 16, Max partiu para cima do #44 e recuperou a posição com uma ultrapassagem de almanaque.

O líder Piastri parou na volta 17. Leclerc fez o mesmo. O calor de Budapeste, 30°C com 52°C no asfalto, levava as equipes a recalcularem o momento de trocar pneus. Norris, que assumira a liderança, fez seu pit stop na 18 e voltou ainda atrás de seu tagarela companheiro. Antonelli e Isack Hadjar foram para primeiro e segundo, mas ainda sem trocas.

Os mclarianos passaram Hadjar rapidinho, Verstappen fez o mesmo e Hamilton não deixou o francês atrapalhar sua peleja contra o rival. Isso tudo aconteceu na volta 19, tudo dentro dos conformes. Na volta 20, Antonelli, Piastri, Norris, Verstappen, Hamilton, Leclerc, Liam Lawson, Russell, Lindblad e Hadjar eram os dez primeiros.

Antonelli: queria parar uma vez só

Naquele momento, mais de 11s atrás de Kimi, Piastri fez um pronunciamento longuíssimo, em tons de profecia: “Ele só para uma vez”. Era uma possibilidade de estratégia para a Mercedes. Seria uma forma de compensar as dificuldades que o time alemão vinha mostrando no circuito húngaro desde o início dos treinos.

Mas na volta 22 Antonelli foi convocado para comparecer aos boxes. A previsão de Piastri dificilmente iria se confirmar. Faltava muito para o fim da prova, ainda. Mais para trás, com 25 voltas, Bortoleto e Alonso eram os reis da preservação da borracha macia. O brasileiro, em nono. O espanhol, em 11º. Esses, claramente, tentariam um único pit stop. Se seguravam, e bem, com os pneus menos resistentes do lote.

Russell, que já aparecia em sétimo, fez sua parada na volta 28. Saiu dos boxes em nono, sem perder muitas posições. Na volta 30, os oito primeiros eram Piastri, Norris, Verstappen, Hamilton, Leclerc, Antonelli, Hadjar e Russell. Bortoleto, nono, ainda não tinha parado. Fê-lo no final da volta e retornou à corrida em 14º. Leclerc, colado em Hamilton, pedia para passar porque se sentia mais rápido. Para evitar maiores atritos, a Ferrari chamou Lewis aos boxes novamente, para sua segunda parada. Cedo. Foram apenas 16 voltas com o jogo de pneus do primeiro pit stop. Voltou em sétimo.

Na McLaren, Norris começou a reclamar pelo rádio. Dizia que estava muito mais rápido que Piastri, que era muito melhor, campeão do mundo, mais bonito e com mais seguidores no Instagram. A equipe resolveu pôr um fim àquela cantilena e puxou o australiano para a segunda troca. Alonso foi o último a trocar pneus, na volta 36. Sua primeira aventura com o carro de 16 atualizações da Aston Martin vinha sendo bem interessante.

Leclerc no box: má largada condicionou corrida

A segunda parada de Leclerc veio na volta 37. A prova era interessante, com as estratégias de pit stop embaralhando o pelotão o tempo todo. E quando os retardatários começaram a aparecer, quase deu rolo. Sainz não viu Piastri e os dois se tocaram. “Sai da minha frente sua besta, cretino, lorpa, parvo, tonto, pacóvio!”, gritou Oscar, perdendo um tempo precioso.

Na volta 40, Norris parou. E voltou à frente do companheiro. As voltas extras que percorreu depois do pit stop de Piastri, mais a patuscada de Sainz, ajudaram Lando a tomar a ponta. O australiano ficou desolado.

Verstappen, que assumira a liderança, fez sua segunda parada na volta 41. Colocou pneus macios. Voltou em quinto e perguntou: “Vocês têm alguma prova, em todo este cenário idílico e fervilhante, sensual, até, de que estes pneus de merda vão durar até o final?” “Sim, Max”, respondeu o engenheiro. “Pois eu não acredito”, devolveu o piloto, em modo full pistola — que ele utiliza de forma permanente em corrida. Duraram, como já sabemos.

Antonelli assumiu a ponta, mas não seria para sempre. Teria de parar mais uma vez. Norris, o segundo, chegou nele em pouco tempo, com pneus muito mais novos — cinco voltas de uso, contra 22 da borracha do italiano. Passou na volta 46, retomando a ponta. Piastri era o terceiro. E já tinha desistido de ganhar, profundamente deprimido com o que acontecera pouco antes. “Você está bem, Oscar?”, preocupou-se o engenheiro. “Sim.” “Precisa de alguma coisa?” “Sim.” “Está chateado?” “Sim.” “Quer sair da equipe?” “Sim.” O engenheiro, então, desligou o microfone e cochichou com Zak Brown, chefe da equipe: “Manda mensagem pro Max.”

Antonelli parou na volta 54. Mas não gostou. “Por que não vamos até o fim?”, perguntou pelo rádio. A Mercedes informou que pneus não são eternos como diamantes. Voltou em sexto com possibilidade de lutar pelo pódio, pelas contas da equipe. Afinal, teria borracha mais nova do que todos à sua frente.

Piastri abandona: câmbio quebrado

Na volta 56, Piastri entrou no rádio e avisou: “Perdi o câmbio”. Estava em segundo. Abandonou. O safety-car virtual foi acionado e quem estava passando pela entrada dos boxes aproveitou para colocar pneus fresquinhos para a parte final da prova. Dos ponteiros, Norris, Hamilton e Leclerc fizeram isso. Verstappen, corajoso, ficou na pista e pulou para segundo. Lewis voltou em terceiro, mas passou Antonelli quando saiu dos boxes sob bandeira amarela. Teve de entregar a posição.

Na volta 60, Norris, Verstappen, Antonelli, Hamilton, Leclerc, Hadjar, Russell, Lindblad, Bortoleto e Lawson eram os dez primeiros. O brasileiro não resistiu muito. Com pneus duros e desgastados, acabou sendo ultrapassado pelo neozelandês e também por Nico Hülkenberg, seu companheiro de equipe — ambos com pneus macios. Saiu dos pontos.

Os dez primeiros: McLaren vence a primeira no ano

Antonelli se sustentou em terceiro, mas Hamilton foi para cima dele. Na volta 63, Lindblad, Lawson e Hülkenberg se pegaram de tapa pelo oitavo lugar e depois da contenda o estreante inglês, com pneus piores (só ele e Bortoleto fizeram um único pit stop na corrida), acabou sendo ultrapassado pelos dois. Naquele momento Lewis recebeu a má notícia: 5s de pênalti por excesso de velocidade nos boxes. O inglês, desde Mônaco, vinha sendo o campeão de punições por motivos diversos. Um verdadeiro transgressor das regras, manuais e cartilhas de comportamento. E ainda usa brinco e piercing, e tem tatuagens! Um comunista, em resumo.

Kimi percebeu que não chegaria em Verstappen e garantiu o terceiro lugar com o pênalti de Hamilton. Norris recebeu a quadriculada com 15s de vantagem para Max. Os três fizeram sua festinha no pódio e rumaram para o período de descanso da categoria recendendo a champanhe. A zona de pontos foi fechada, pela ordem, por Leclerc, Hamilton, Hadjar, Russell, Lawson, Hülkenberg e Lindblad. Foram os primeiros pontos do alemão da Audi na temporada. Fora do top-10, a notícia do domingo foi a Aston Martin. Stroll terminou em 13º e Alonso, em 14º. O novo carro já deixou para trás adversários de Alpine, Haas e Williams, além da dupla da claudicante Cadillac.

A F-1 faz uma pausa, agora, de quase um mês. A próxima etapa, na Holanda, está marcada para o dia 23 de agosto.