SÃO PAULO (luto absoluto) – Lando Norris venceu a Sprint de Miami no início da tarde deste sábado, com dobradinha da renascida McLaren. Oscar Piastri foi o segundo colocado e Charles Leclerc, da Ferrari, o terceiro. Foi a primeira prova do ano não vencida pela Mercedes, incluindo as duas Sprints já realizadas na temporada. Kimi […]
Norris: vitória na Sprint, quarta dele nas minicorridas
SÃO PAULO (luto absoluto) – Lando Norris venceu a Sprint de Miami no início da tarde deste sábado, com dobradinha da renascida McLaren. Oscar Piastri foi o segundo colocado e Charles Leclerc, da Ferrari, o terceiro. Foi a primeira prova do ano não vencida pela Mercedes, incluindo as duas Sprints já realizadas na temporada. Kimi Antonelli, líder do Mundial, terminou em quarto. Mas imediatamente após o fim da minicorrida o italiano levou um pênalti de 5s por exceder os limites da pista mais vezes do que os comissários tenham achado razoável. Caiu de quarto para sexto. A diferença dele para o companheiro George Russell na tabela, que iria para dez pontos, caiu para sete.
Foi a quarta vitória de Norris em Sprints. Até hoje foram disputadas 26 provas curtas na categoria, desde 2021. Max Verstappen venceu 13 delas, metade. Lando ganhou, como prêmio, uma placa entregue por um dos astronautas da Artemis II, o comandante Reid Wiseman.
Os três primeiros e o astronauta Reid Wiseman, que não vende travesseiros
Foi uma prova OK, sem grandes momentos, exceto, talvez, por um breve duelo entre Verstappen e Lewis Hamilton. Não dá para fazer nenhuma avaliação muito definitiva sobre as mudanças do regulamento, não visíveis a olho nu – tudo passou pelas configurações dos motores, recuperação de energia, megajoules e quilowatts. Houve menos ultrapassagens, vai berrar alguém. Calma. Foi uma Sprint de 19 voltas. Nem todas as pistas são iguais. É preciso mais tempo para entender se as coisas vão funcionar. Não se precipitem.
O que deu para perceber é que McLaren, muito, Ferrari e Red Bull, um pouco menos, melhoraram bastante nas férias forçadas. Mas a Mercedes deu a ligeira impressão de ter estacionado, embora seja igualmente precipitado cravar que tenha dormido sobre os louros das três primeiras etapas. De novo: nem todas as corridas são iguais, nem todas as pistas são idênticas, e mesmo equipes dominantes têm seus pontos fracos. Miami pode ser isso para a Mercedes.
Antonelli punido: caiu de quarto para sexto
A miniprova foi disputada em 19 voltas debaixo de um sol inclemente de 31 graus, fervendo o asfalto a 53. Quase todos escolheram pneus médios, com exceção de duas duplas lá do fundão: a Aston Martin com macios, a Cadillac com duros. No grid, 20 carros. Dois pifaram antes da largada. Nico Hülkenberg, da Audi, quando se dirigia ao grid. Ferveu tudo. Pouco antes, deu para ver nos boxes, sob o carro, o piso molhado de um líquido cor de rosa. Quem ainda sabe o que é um radiador deve ter matado na hora: Paraflu, claro! O outro que não largou foi Arvid Lindblad, da Maquininha Amarelinha. Ia partir dos boxes, lá ficou.
A largada da Mercedes foi ruim de novo e Antonelli caiu de segundo para quarto. Chegou a ser assediado por Russell, mas um telefonema de dona Veronica foi decisivo: tirem esse velho daí!, gritou pelo telefone para Toto Wolff.
Kimi, então, foi para cima de Leclerc, que reclamou pelo rádio que o menino estava pegando pesado no roda-a-roda – ele viu pelo retrovisor o lance com George. Verstappen e Hamilton também se estranharam. Max, que engasgou na partida, acabou ficando na frente. Depois Lewis passou o cabra. Quinto no grid, o holandês caiu para sétimo.
Russell de roxo-Nu Bank: “Melhora deles é assustadora”
A McLaren partiu muito bem com Norris e Piastri, o primeiro na pole e o segundo já pulando uma posição. O ritmo do campeão do mundo era surpreendente. Com sete voltas, já tinha mais de 2s de vantagem para o australiano. “A melhora da McLaren e da Ferrari é assustadora”, diria Russell depois da corridinha. Oscar, por sua vez, tinha 1s5 sobre Leclerc. Na volta 8, George passou Antonelli e foi para quarto. Dona Veronica ligou. Caiu na caixa postal de Toto Wolff e ela deixou um recado mal educado. Pelo WhatsApp, mandou um áudio. “O que é vafanculo?”, perguntou Toto ao cozinheiro da equipe, um napolitano que estava vendo a corrida perto dele. “Com dois efes?”, perguntou o chef. “Como vou saber?”, devolveu Toto. “Ela mandou um áudio!” “Se for com um efe só, não é nada”, disfarçou o rapaz, e saiu de fininho.
Verstappen e Hamilton se divertiam mais atrás. Max passou o inglês da Ferrari pelo acostamento e foi obrigado a devolver a posição. Seguiram em sexto e sétimo. Duas voltas depois, o holandês passou de vez. E Antonelli repassou seu Jorge depois do “vaffanculo” de dona Veronica.
A três voltas do fim Leclerc se aproximou de Piastri. “Ele está chegando”, avisou o engenheiro da McLaren. “Sim”, respondeu o australiano. “Você viu?” “Sim.” “E não vai fazer nada?” “Não.” Não precisou, mesmo. Na penúltima volta Charlinho cometeu um ligeiro erro e Oscar abriu quase 2s para o ferrarista.
Lando, o vencedor, e os oito primeiros na Sprint de Miami
Assim, Norris, que não foi incomodado em nenhum momento, ganhou a Sprint com quase 4s de vantagem para Piastri. Leclerc fechou o pódio que não é pódio. Antonelli, Russell, Verstappen, Hamilton e Pierre Gasly fecharam a zona de pontos. Gabriel Bortoleto foi o 11º. A poucos metros da bandeirada, Fernando Alonso passou Sergio Pérez e ficou em 16º. Não tem importância, claro, exceto para os litigantes – Aston Martin e Cadillac. A estreante americana estava quase conseguindo chegar, na pista e andando, na frente de um time veterano. Mas Fernandinho não quis nem saber.
Daqui a pouco sai o grid para o GP de Miami. Apostar na Mercedes, que seria pule de dez até um mês atrás, não é uma boa ideia na pista da Flórida. Norris x Piastri será a disputa. Leclerc e Antonelli são os azarões.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.