SÃO PAULO (hoje volto cedo) – Longa tradição deste blog, já de uns dois dias, vamos ao resumo do sábado em tópicos, porque fica mais fácil de ler. E de escrever. A ordem dos tópicos é aleatória, não de importância. Na medida em que vou lembrando, vou escrevendo. Assim como vou escarafunchando meus rabiscos e encontrando uma anotação aqui, outra ali.
A eles, então.
1) Hülkenberg na Force India já é algo dado como certo mesmo. Sinal de que ele não acredita muito em discos-voadores do planeta Quantum que possam trazer dos confins da galáxia o dinheiro que a Lotus precisa para abrir mão de um piloto pagante. Hulk não está disposto a esperar. E deve ter dado uma busca no Google para conhecer o perfil do alienígena-mor dessa Quantum, que vocês vão conhecer em breve na Revista WARM UP.
2) No caso, o pagante mencionado aí no alto de quem a Lotus precisa é Maldonado, claro Acho que na semana que vem pingam os anúncios oficiais.
3) A Sauber é a equipe mais indefinida de 2014. Tem, na prática, dois lugares. O russinho Syrotkin é um mistério, talvez seja um boneco inflável. Gutiérrez fica? Pérez volta? Maldonado, se a Lotus embromar muito, pode rasgar o que assinou e mudar de rumo? Tudo aberto, ainda.
4) Um internauta notou que faltava o item 4. Não falta mais.
5) Anunciaram em release oficial o público de hoje em Interlagos: 49.822 pessoas, contra 43.193 registrados pelos organizadores no sábado do GP de 2012. Os números são oficiais, não contei. Alguém deve ter contado.
6) Não sei se isso é importante, mas a volta mais rápida da classificação hoje não foi a da pole, de Vettel. Antes, no Q1, Hamilton virou 1min25s342, na média de 181,767 km/h. O tempo de Sebastian foi 1min26s479, média de 179,377 km/h. O Meianov fez sua melhor volta de todos os tempos em 2min14s aqui nesta pista abençoada, e como V = e/t, calculei que isso dá 107 km/h, mas não sei se fiz a conta certa. A relação custo/segundo-no-cronômetro do meu carro é bem melhor que a da Red Bull, pois. Considerando que esses carros de F-1 custam mais ou menos 7 milhões de obamas, arredondando, dá para dizer que em termos de eficiência o trabalho de gestão da minha equipe é muito melhor. Para montar um Meianov hoje, sem pechinchar, vejamos… Uns 8 paus para comprar um carro, mais uns 4 de santantonio, uns 3 de suspensão e freios, uns 5 para fazer o motor, mais uns 5 para pintar bonito, mais uns 5 de banco e cinto, mais uns 3 de parte elétrica, uns 2 de acrílico para substituir os vidros, uns 2 de fibra de vidro para fazer capô e tampa do porta-mala, uns 2 de pneu, uns 2 de extintor, bateria e instrumentos, mais uma GoPro, um Hot Lap, umas lanternas compradas em Praga, uns faróis de Niva, vamos lá, digamos que 50 mil dilmas, exagerando, o que dá, também exagerando, 25 mil obamas. Por esses valores, cada segundo que o cronômetro marca numa volta em Interlagos, para a Red Bull, custa a bagatela de 81 mil dólares. No Meianov, o mesmo segundo, porque um segundo é um segundo em qualquer lugar do mundo e em qualquer tempo, custa 186 dólares — ou 0,23% do valor torrado pelos rubrotaurinos. Se a F-1 quer ser viável financeiramente, tem de falar comigo.
7) Sanduíche do dia na sala de imprensa: carne seca com purê de mandioquinha e cebola. Não, não é bom comer carne seca e purê gelados. O de calabresa segue imbatível. Por isso, optei por almoçar na Shell com um amigo da Globo, Fábio Seixas.
8) Falando em amigos, muito bom hoje encontrar figuras que não via havia muito tempo, a saber: a Fabi, atual esposa do Bernie, com quem tivemos — eu, ela, a irmã dela e o Seixas — épico jantar em Montreal há uns dez anos, cuja conta ultrapassou os limites do razoável; a Jane, ex-assessora da Minardi e da Ferrari, que sofria muito nas nossas mãos, minhas e do Seixas, especialmente quando pedia para guardarmos sua mala no carro e nos entregava a dita cuja sem cadeado; a dupla dinâmica Rogério-Thompson, da Petrobras, que vive em reunião e quando não está em reunião fica chorando pelo Fluminense e pelo Botafogo; Filippo, Nigel e Stefania, da Ferrari, trio que destoa da média da F-1 pela simpatia, amizade e desprendimento, com quem dividimos muitas mesas em passado distante pelos paddocks deste mundo e nas noites claras de Madonna di Campiglio; fora os jornalistas italianos, ingleses e espanhóis que me parecem cada vez mais cansados, mas seguem amigos e irmãos camaradas.
9) Popular me intercepta no pitlane e conta todo animado que cruzou com Valsecchi e disse para ele: porra, te foderam! E Valsecchi responde ao popular: sim, me foderam. Foda, isso.
10) Aviões são caros e têm custo alto. Anotar para não fazer bobagem no futuro. Melhor usar o decolar.com ou entrar no site da CVC.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.