SÃO PAULO (tudo como dantes) – Foi muito fácil. Depois do incomum abandono na Austrália, Max Verstappen colocou a F-1 de novo nos trilhos – seus trilhos – e na madrugada de hoje cravou a pole-position para o GP do Japão, quarta etapa do Mundial. Sergio Pérez, seu companheiro de Red Bull, ficou com a […]
Publicado em 06/04/2024 às 04:34
Atualizado em
5 min de leitura
Compartilhar
Verstappen: quinta pole seguida, quarta nesta temporada
SÃO PAULO(tudo como dantes) – Foi muito fácil. Depois do incomum abandono na Austrália, Max Verstappen colocou a F-1 de novo nos trilhos – seus trilhos – e na madrugada de hoje cravou a pole-position para o GP do Japão, quarta etapa do Mundial. Sergio Pérez, seu companheiro de Red Bull, ficou com a segunda posição no grid. Lando Norris superou as duplas de Ferrari e Mercedes e larga em terceiro.
O holandês segue invicto em classificações neste ano e, contando a última de 2023, acumula cinco poles seguidas, igualando sua maior sequência na carreira — entre os GPs de Mônaco e da Inglaterra da última temporada. O recordista de poles consecutivas na categoria é Ayrton Senna, que fez oito entre os GPs da Espanha de 1988 e dos EUA de 1989. Verstappen chegou a 36 poles na carreira. É o quinto nessa estatística, muito longe do quarto colocado — Sebastian Vettel, que fez 57.
Norris, Pérez e Alonso: destaques positivos do sábado
A definição do grid em Suzuka começou preguiçosa, como foram os treinos livres, ambos dominados por Verstappen – o primeiro e o terceiro, já que o segundo nem existiu, por causa da chuva.
O pessoal deixou para ir à pista quando faltavam pouco mais de dez minutos para o fim do primeiro segmento, o famigerado Q1, e Max logo de cara entrou na casa de 1min28s, o que ninguém tinha conseguido ainda: 1min28s866, já superando o tempo da pole dele mesmo no ano passado.
Depois, mais um período de marasmo até o cronômetro apontar três minutos para o final, e então os que ainda não estavam garantidos para avançar ao Q2 deixaram os boxes. Vários ficaram parados na garagem – já tinham voltas boas o bastante. Isso porque ninguém queria gastar muitos pneus macios, que serão usados na corrida. Como cada piloto tem oito jogos desse composto para o final de semana todo, convém não abusar.
Ao final do Q1, Stroll, Gasly, Magnussen, Sargeant e Zhou foram os eliminados. Chamou a atenção o 16º lugar do canadense da Aston Martin. Alonso, seu companheiro, foi o segundo colocado. No mais, tudo normal: Alpine, Haas, Williams e Sauber avançando com um carro e deixando o outro pelo caminho.
Tsunoda: de novo na frente de Ricciardo
A dupla da Red Bull foi a primeira a deixar os boxes no Q2, pegando pista limpa e com a clara intenção de resolver logo sua situação fazendo apenas uma volta rápida. Max fez 1min28s740 e Checo fechou sua volta apenas 0s012 atrás. Sobravam na turma, os carros energéticos. Como se imaginava, nem precisaram voltar à pista. Hamilton foi o terceiro, seguido por Norris e Alonso nas cinco primeiras posições.
Ricciardo, Hülkenberg, Bottas, Albon e Ocon foram os degolados. Tudo dentro da lógica. Mais uma vez o australiano da Crédito ou Débito? ficou atrás de seu companheiro Tsunoda, para alegria do público japonês.
Torcida de Tsunoda nas arquibancadas de Suzuka: forcinha da galera
Hamilton foi o primeiro a registrar tempo no Q3, 1min28s766. Verstappen fechou sua primeira volta na sequência e deu o recado, enfiando mais de meio segundo no inglês: 1min28s240. Se quisesse, poderia voltar para o hotel que a pole estava garantida. Norris, Pérez, Sainz e Piastri também superaram Lewis em suas primeiras saídas dos boxes.
Com exceção de Leclerc, que só tinha um jogo de pneus macios novos para a fase decisiva da classificação, os demais poderiam fazer duas tentativas. O monegasco da Ferrari tinha usado um jogo extra no Q1 e pagou o preço.
Ferrari, Red Bull, McLaren e Mercedes: mais imagens do Japão
E foi o que aconteceu. Quando Charlinho fechou sua volta única, os demais saíram dos boxes. Max melhorou e foi para 1min28s197. Pérez também, ficando a 0s066 do companheiro – um bom resultado, garantindo a primeira fila para a Red Bull. Norris, Sainz, Alonso, Piastri, Hamilton, Leclerc, Russell e Tsunoda fecharam o grupo dos dez primeiros.
Ferrari e Mercedes, como se nota, decepcionaram. A primeira, depois da dobradinha muito festejada de Melbourne, ficou apenas em quarto e oitavo; a segunda, em sétimo e nono. Quem acabou mostrando serviço foi Norris, o chamado “primeiro dos outros” com a McLaren. E Alonso, com o quinto lugar no grid, tirou de seu carro mais do que ele tem para dar.
Checo, Max e Lando: abraços e pose para fotos
Verstappen é franco favorito à vitória na prova que começa às 2h do domingo. Não terá de se preocupar sequer com algum assédio na largada, já que a seu lado estará Pérez, devidamente orientado a não perturbar o parceiro. O GP japonês tende a ser disputado apenas do terceiro para trás, com McLaren, Aston Martin – leia-se Alonso –, Ferrari e Mercedes brigando por um lugarzinho no pódio. Não há previsão de chuva e todo mundo deve fazer dois pit stops.
Resumindo, não esperem muito dessa corrida.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.