ITACARÉ (corre pro aeroporto!) – Max Verstappen confirmou o que dele se esperava e larga na frente amanhã para o GP da Holanda, que recebe a F-1 de novo depois de 36 anos. O piloto da casa fez a décima pole de sua carreira, sétima no ano, para delírio de 70 mil pessoas vestidas de […]
Publicado em 04/09/2021 às 11:25
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Torcida laranja: festa nas arquibancadas
ITACARÉ(corre pro aeroporto!) – Max Verstappen confirmou o que dele se esperava e larga na frente amanhã para o GP da Holanda, que recebe a F-1 de novo depois de 36 anos. O piloto da casa fez a décima pole de sua carreira, sétima no ano, para delírio de 70 mil pessoas vestidas de laranja que encheram as arquibancadas de Zandvoort. É o grande favorito à vitória, em corrida que pode marcar sua volta à liderança do campeonato. A Mercedes chegou a assustar a Red Bull e larga em segundo com Hamilton e em terceiro com Bottas. Vai ser uma prova, como se diz, em que o time alemão vai tentar minimizar o prejuízo, embora esteja esbanjando confiança. Mas a impressão até agora é de que na pista holandesa os carros negros terão muita dificuldade para andar no mesmo ritmo que Verstappen, apesar da volta excepcional de Lewis no Q3.
Sainz bate, Kubica corre: notícias da manhã
O dia começou com uma notícia importante e uma pancada forte. A notícia: Kimi Raikkonen testou positivo para Covid-19 e foi afastado pela FIA. A Alfa Romeo colocou Robert Kubica em seu lugar. Jos Capito, CEO da Williams, que tinha jantado com o finlandês ontem, também foi colocado de quarentena no hotel. A pancada: Carlos Sainz bateu sozinho, dando um trabalho danado aos mecânicos da Ferrari para reconstruir o carro, mas eles conseguiram.
No Q1, era previsível que o tráfego fosse intenso na pista curta e muito estreita de Zandvoort. Por isso, os últimos instantes da sessão foram razoavelmente tensos para pilotos que não costumam ser degolados logo de cara. A tensão se transformou em alívio no final para alguns como Norris, Ocon e Ricciardo, que passaram. Em compensação, Pérez e Vettel, 16º e 17º, não avançaram ao Q2 — decepcionando redondamente Red Bull e Aston Martin, especialmente o mexicano (que deve trocar o motor e largar dos boxes). Ambos se queixaram do excesso de carros e da escassez de metros quadrados de asfalto para conseguirem uma volta boa. Sebastian foi além e admitiu que seu carro estava lento. Kubica, Schumacher e Mazepin se juntaram a eles na turma dos eliminados.
E não dá para dizer que o resultado lá no alto da tabela tenha sido, digamos, dos mais normais de todos os tempos. A Ferrari voltou a andar forte, como ontem, com Leclerc em primeiro (1min09s829) e Sainz em segundo. Verstappen foi o terceiro, sem muito esforço. Mas em quarto e quinto, dois “outsiders” dos mais surpreendentes: Giovinazzi e Latifi.
Na Red Bull, decepção: Pérez eliminado no Q1
No Q2, com cinco carros a menos para atrapalhar, os engarrafamentos foram menos problemáticos. Ainda assim, os pilotos perdiam muito tempo olhando no retrovisor para não prejudicar as voltas dos amiguinhos. Faltando pouco menos de quatro minutos para o fim da sessão, Russell rodou e causou a primeira bandeira vermelha da classificação. George, neste fim de semana, vive uma situação incomum, com Latifi fazendo tempos similares ou, até, melhores que ele. A batida foi de leve, atenuada pela área de escape de brita “old fashion”. Tanto que ele conseguiu levar o carro de voltar aos boxes. Mas seu dia de trabalho acabou ali.
Depois que o pessoal das vassouras terminou de limpar a pista, o cronômetro foi disparado de novo e quem se via numa situação incômoda, com pouco tempo para sair dela, era Norris, em 13º. Seu companheiro Ricciardo, que andou atrás dele o ano inteiro, aparecia em sexto. E mesmo a turma que parecia garantida resolveu sair para mais uma tentativa, pelo sim, pelo não.
Alpine sai dos boxes: céu azul, 19°C, como o carro
Mas não deu tempo de nada. Saindo dos boxes, foi a vez de Latifi se espatifar na barreira de proteção da curva 8, causando mais uma bandeira vermelha. As escapadas, rodadas e batidas de sexta e sábado ratificaram a impressão inicial de todos sobre Zandvoort: uma pista que não perdoa erros, como antigamente. Amanhã o safety-car vai ter trabalho.
A direção de prova decidiu encerrar o Q2, já que o tempo restante era muito curto. Assim, foram ceifados do Q3, pela ordem, Russell, Stroll, Norris (primeira vez no ano fora da fase final da classificação), Latifi e Tsunoda. E Giovinazzi passou, para alegria da Alfa Romeo.
Latifi no muro: pista não perdoa erros
O Q3 confirmou o favoritismo de Verstappen, que virou 1min08s923 na sua primeira tentativa, levantando a torcida nas arquibancadas. Hamilton fez 1min09s268, ficando atrás de Bottas, o segundo. A segunda rodada de voltas rápidas não mudou muito o cenário. Max melhorou seu tempo para 1min08s885, uma volta praticamente imbatível. Bottas ficou com o tempo que tinha e Hamilton conseguiu superar o companheiro e foi para segundo, a apenas 0s038 do grande rival na temporada — a primeira fila será daquelas de tirar faísca. Foi uma voltaça, a do inglês. E a curiosidade: seu tempo, 1min08s923, foi idêntico ao da primeira volta rápida de Verstappen. Se Max não melhorasse, ainda assim largaria na pole porque fez o tempo antes.
A Ferrari, que vinha ameaçando algum brilhareco, acabou em quinto com Leclerc e sexto com Sainz. Gasly, em quarto, foi a grande surpresa do Q3. “Ainda não entendo por que a Red Bull não assinou comigo para 2022”, desabafou o francês. Giovinazzi, num ótimo sétimo lugar (melhor posição de largada do time no ano), Ocon, Alonso e Ricciardo fecharam os dez primeiros.
Verstappen: pole e favoritismo em casa
Hoje à noite, a partir das 19h, estaremos ao vivo no “Fórmula Gomes” para falar de tudo isso e um pouco mais! Apareçam!
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.