Últimas Notícias
Categorias Motociclismo
Categorias Endurance
Categorias Turismo
Outras Categorias
ÚLTIMAS NOTÍCIAS GPTV 24 horas YouTube Vídeos Galerias de fotos Grande Premium
LEWISTONE (4)
F1

LEWISTONE (4)

GP da Inglaterra termina atrás do safety-car com vitória de Leclerc e reviravolta no fim

Flavio Gomes

Publicado em 0 comentários

SÃO PAULO (loucura, loucura…) – O GP da Inglaterra teve o mais improvável dos desfechos, lembrando muito os jogos da Copa do Mundo decididos nos últimos minutos, nos acréscimos, no apagar das luzes das prorrogações. Charles Leclerc venceu com a Ferrari. George Russell foi o segundo com a Mercedes. E Lewis Hamilton, com o outro carro vermelho, fechou o pódio. Kimi Antonelli, líder do campeonato, teve um piripaque no carro nas voltas finais, quando se preparava para atacar Leclerc pela vitória – com enormes chances de conseguir. Max Verstappen rodou quando era o terceiro, a quatro voltas do encerramento, atolando na brita e disparando impropérios contra o carro. Gabriel Bortoleto foi o oitavo colocado, sua melhor posição no ano. Fez pontos pela primeira vez desde a prova de abertura do Mundial, na Austrália. A prova terminou sob bandeira amarela, com o safety-car à frente do pelotão.

Foi um final anticlimático para uma prova que teve bons momentos e prometia minutos derradeiros dos mais emocionantes. Os legalistas argumentarão: regra é regra. E é verdade, e têm razão. O safety-car entrou na pista na volta 48, a quatro do final. Até juntar todo mundo e os retardatários começarem o processo de reorganizar o pelotão, foram mais três. O regulamento manda que pelo menos uma volta seja percorrida depois da reorganização da fila. Nesse sentido, de fato o regulamento foi obedecido. O problema é que antes disso apareceu uma mensagem na tela informando que o safety-car iria deixar a pista e haveria a relargada. A FIA informou que houve um erro de software e que a mensagem foi corrigida logo depois. Isso realmente aconteceu. Diz o artigo B5.13.5 b) do regulamento esportivo: “(…) once the message ‘LAPPED CARS MAY NOW OVERTAKE’ has been sent to all competitors (…), the safety car will return to the pits at the end of the following lap”. A “following lap” era a última.

Regra é regra. Ela não foi obedecida no GP de Abu Dhabi de 2021 em situação muito parecida e deu no que deu. Soltaram as feras sem arrumar o pelotão, Verstappen trocou pneus no desespero, Hamilton se manteve na pista achando que a prova ia terminar atrás do safety-car, houve a relargada e o holandês ganhou o campeonato. Se todo mundo criticou a decisão estapafúrdia do diretor Michael Masi naquela noite, é justo reconhecer que o regulamento foi obedecido hoje, mesmo que para isso sejamos obrigados a engolir um fim de prova em câmera lenta e sem disputa.

Leclerc: nove vitórias na carreira, primeira desde EUA/2024

Leclerc venceu pela nona vez na carreira. E a Ferrari chegou à marca de 250 vitórias na F-1, um número histórico, sem dúvidas. Para o campeonato, o resultado foi bom. Antonelli terminou em 16º e zerou no domingo. Tinha feito oito pontos ontem, na Sprint. No balanço do fim de semana, Russell marcou 15 pontos mais do que ele. Nas últimas três etapas, o inglês fez 66 contra 23 do italiano. Descontou 43. A diferença, que chegou a 68 depois de Mônaco, caiu para 25: 179 a 154.

George não virou o jogo, mas entrou nele de novo. Antonelli, agora, é quem tem de tomar um banho de sal grosso. Mas Russell não deve se iludir. Precisa andar mais. A maré de azar do amiguinho que lidera o campeonato não vai durar a vida toda. Hoje, em Silverstone, foi batido na pista enquanto Kimi lutava pela vitória. Só chegou em segundo por causa dos acréscimos de Copa do Mundo. Teve mais sorte do que juízo. Embora possa, também, se vangloriar da decisão de não trocar pneus durante o safety-car no fim. E, também, de reclamar da falta de sorte pouco depois da metade da corrida, quando teve um pneu furado.

E vamos à história desse GP louco, mais um nesta temporada bem doida. Tão doida que a Ferrari já ganhou duas corridas. E tão doida que um dos pilotos mais azarados do grid, Leclerc, viveu um dia de sorte do começo ao fim.

Largada da Ferrari: Leclerc e Hamilton pulam na frente

A prova começou com Antonelli largando mal e perdendo a liderança para os dois carros da Ferrari, Leclerc à frente. Na primeira volta, Russell até ensaiou um ataque ao companheiro, mas ficou na vontade. Kimi se ajeitou na cadeira e foi atrás da dupla vermelha. Mais atrás, Oscar Piastri se enrolou com alguém, quebrou o bico e foi para os boxes. Na segunda volta, Verstappen passou isack Hadjar. O ioiô previsto não ocorreu. Aparentemente, todos se tocaram, depois da Sprint, que não valia a pena ficar no passa-repassa frenético das primeiras voltas sem nenhum resultado prático, exceto oferecer pão & circo ao distinto público.

Leclerc, Hamilton, Antonelli, Russell, Verstappen, Hadjar, Lando Norris, Liam Lawson, Arvid Lindblad e Bortoleto eram os dez primeiros nas cinco primeiras voltas. O brasileiro mantivera a posição de grid na largada e, depois, conseguiu passar Carlos Sainz para entrar na zona de pontos.

Na oitava volta a direção de prova informou que Hamilton receberia um pênalti de 5s por ter se movido antes da largada. Precisaria pagar no pit stop. Kimi, em terceiro, comboiou o inglês por um bom tempo até ultrapassá-lo na 11ª volta. Àquela altura, Leclerc liderava com 4s2 de vantagem.

O italiano da Mercedes passou, mas não foi embora logo de cara. Lewis o seguia de perto, menos de 1s atrás. Depois vinham Russell e Verstappen, também com pouca diferença entre ambos – iguais até nas reclamações pelo rádio, sobre as reduções de marcha.

Chaleclé era um azarão improvável. Fazendo um campeonato errático, o monegasco seguia num ritmo consistente, sem que Antonelli, cinco voltas depois de assumir o segundo lugar, tivesse conseguido reduzir a distância um milésimo sequer. A Mercedes vinha sendo surpreendida. Mais atrás também. Na volta 17, Verstappen passou Russell, assumiu o quarto lugar, mas aproveitou pouco o momento, parando nos boxes na volta seguinte. Colocou um jogo de pneus duros e voltou em sétimo.

Bortoleto: oitavo lugar, melhor posição no ano

A diferença de Leclerc para Antonelli só foi começar a cair depois da 20ª volta, quando entrou na casa de 3s5. Ao mesmo tempo, Hamilton foi ficando para trás, meio desanimado. Se nas primeiras voltas depois de ter sido ultrapassado chegou a fustigar o italianinho, aos poucos foi se distanciando. Na volta 23, a diferença já era de 10s. O carro foi ficando ruim na medida em que os pneus iam se desgastando. “Está saindo muito de frente, está muito ruim”, se queixou pelo rádio. Aí o chamaram para os boxes. Pagou a punição e voltou em sexto.

Na metade da corrida, volta 26, Charlinho já tinha motivos para ficar preocupado. A diferença para Antonelli caíra para a casa de 2s5 e a Ferrari decidiu trocar seus pneus. Kimi assumiu a ponta, seguido por Leclerc, Norris, Verstappen, Russell, Hamilton, Hadjar, Lawson, Lindblad e Bortoleto. Nem todos tinham parado, ainda.

As primeiras voltas com pneus novos da Ferrari, tanto de Hamilton quando de Leclerc, foram muito boas. Ambos ganharam terreno em relação a seus adversários diretos. Kimi foi esticando a corda. Quando mais tarde parasse, mais voltas teria com pneus mais novos no possível ataque a Leclerc, contra quem fazia sua corrida particular. Era um jogo estratégico. O líder do campeonato perdia tempo em relação a Leclerc, mas conseguiria atacar no final da prova. Esse era o plano, pelo menos.

Na volta 30, Russell e Hamilton abriram uma briga ioiô pela quarta colocação. Lewis passou, George retomou a posição. Verstappen, um pouco mais à frente, só acompanhava pelo espelhinho. A briga valia o terceiro lugar no pódio, porque os dois primeiros pareciam garantidos. Só restava saber em qual ordem.

O troca-troca britânico seguiu por mais um tempo, sempre associado à carga de bateria de cada um. Hamilton passava, a torcida vibrava, Russell repassava, a torcida silenciava. Na volta 33, sob a indiferença do público nas arquibancadas, George conseguiu se descolar um pouco da Ferrari e se aproximou de Verstappen. Atacou na volta 34. Max se defendeu, Lewis se reaproximou.

Mas quando a fase não é boa, não tem jeito. A Mercedes chamou Russell para os boxes porque detectou uma pequena perda de pressão nos pneus. Ele ainda fez uma graça, passando Verstappen antes da entrada do pit-lane. Foi sua segunda parada, imprevista. Voltou em sétimo. A briga pelo terceiro lugar, então, ficou entre o holandês e Hamilton.

Antonelli na caça: ia ganhar, quebrou

Na volta 36, finalmente, Antonelli parou. Seus pneus para a fase decisiva da corrida eram dez voltas mais novos que os de Leclerc, que voltou à primeira colocação. A diferença entre eles era pouco superior a 7s. Faltavam 16 voltas. Kimi iria chegar no rival e não demoraria muito. O plano da Mercedes para mitigar a má largada de seu piloto tinha tudo para funcionar.

Enquanto Kimi remava feito um norueguês gritando “ro!”, Hamilton partia para cima de Verstappen. Na volta 38, passou o piloto da Red Bull e assumiu o terceiro lugar, para delírio do povo inglês. Então houve um safety-car virtual, porque Hülkenberg quebrou e seu carro ficou parado na pista. Max aproveitou e foi para os boxes, já sem pneus. Era uma chance de, com borracha nova, atacar Hamilton novamente, no fim.

Três voltas depois de sua parada, Antonelli já tinha descontado 2s em relação a Leclerc. O safety-car virtual foi desativado. Pelo rádio, o piloto da Ferrari concluiu o óbvio: “Estamos ferrados”.

A diferença ia caindo, caindo, caindo. Mas os deuses do automobilismo são cruéis. Na volta 41, pelo rádio, Antonelli avisou: alguma coisa quebrou no carro. Ele ficou mais lento. Estava pouco menos de 3s atrás de Charlinho. E a vitória caiu no colo do quase sempre desafortunado monegasco. Melhor ainda para a Ferrari: com uma dobradinha jamais sonhada.

Antonelli foi para os boxes, trocou o bico, voltou à pista, mas continuou com problemas. “Não consigo mais dirigir!”, desesperou-se. “O carro não vira!”. Foi sendo ultrapassado por todo mundo. Primeiro Norris. Depois, Hadjar. “Não está dando”, reportou. A equipe então o chamou para retirar o carro da prova. “Acho que dá para continuar, fazer um pontinho…” Mas teve de parar. Uma peça tinha se soltado do carro, bloqueando o mecanismo de direção junto à suspensão esquerda. A equipe tirou o pedaço enroscado e ele voltou para a pista em décimo. Mas o carro estava todo estropiado. E a Mercedes decidiu pelo abandono do italiano. Que insistia em ficar na pista. “Em que lugar eu estou?” “Décimo, com Colapinto atrás”, respondeu o engenheiro. “Eu vou tentar”, respondeu o menino.

Verstappen roda na Stowe: muda a história da corrida

Os problemas de Antonelli levaram Bortoleto à nona posição. Por exceder os limites da pista várias vezes com seu carro torto, Kimi levou um pênalti de 5s. Aí não faria mais sentido ficar na pista, mas ele quis continuar. Era uma demonstração de resiliência. Alguns pontinhos Antonelli estava decidido a levar para casa. E poderia acontecer algo na frente, sabe-se lá…

E não é que aconteceu? O safety-car acionado na volta 48 porque o senhor Max Verstappen, que era o terceiro, rodou e atolou na brita na Stowe. O incidente foi inexplicável. “Este carro é inacreditável”, reclamou o holandês pelo rádio. Jogou o volante na brita, saiu do cockpit e foi embora.

Quem conseguiu parar nos boxes o fez. Charles foi um deles. Hamilton também. Russell chutou o balde e decidiu ficar na pista. Tinha trocado seus pneus algumas voltas atrás por causa do furo, não ia parar de novo. Assumiu o segundo lugar. Os dois ferraristas espetaram pneus macios em seus carros. Aliás, todos que pararam fizeram isso. Não ia dar tempo para muita coisa e quando houvesse a relargada o negócio seria fechar os olhos e socar o pé. Faltando duas voltas, os carros que tinham tomado volta foram autorizados a passar o safety-car. O tempo ia passando. Pelo jeito, somente a última volta seria percorrida em bandeira verde. Russell, coitado, seria uma presa fácil enlatado entre duas Ferrari com pneus macios. Até Norris o ameaçava. Iria tentar um pódio e olhe lá.

Final em Silvertone: pódio duplo da Ferrari

Mas, aí, a surpresa. E a completa broxada. O safety-car não saiu da pista. Era preciso reorganizar o pelotão – em 2021 não fizeram isso em Abu Dhabi, lembram? Se não desse tempo, paciência. O carro de segurança abriu a última volta na pista. E com ele à frente seria agitada a bandeira quadriculada. No fim, George se deu bem. E, mais ainda, Leclerc.

O monegasco venceu corrida contra toda e qualquer previsão. Pouquíssimos apostariam nele antes da prova, apesar do segundo lugar no grid. Perderia, se não fosse o problema de Antonelli. Poderia ser atacado numa eventual relargada, se não fosse o fim da prova sob bandeira amarela. Mas Kimi teve problemas. E não houve relargada. Leclerc, Russell, Hamilton, Norris, Hadjar, Lawson, Lindblad, Bortoleto, Franco Colapinto e Pierre Gasly foram os dez primeiros. O argentino da Alpine foi um dos destaques do dia, saindo de 19º para nono. Antonelli recebeu a bandeirada na zona de pontos, mas como levou 5s de punição caiu para 16º.

O pódio em Silverstone: sem muita festa para os ingleses

Embora dois ingleses estivessem no pódio, a cerimônia não foi festiva. Hamilton não gostou do rendimento de seu carro e da punição que levou. De qualquer forma, chegou a 16 pódios em 21 GPs em Silverstone. Recebeu o troféu, porém, sem abrir seu conhecido sorriso cheio de dentes. Russell teve uma breve e ríspida troca de palavras com Toto Wolff pelo rádio ao final da prova e também foi à premiação sem demonstrar nenhum traço de euforia. Feliz, mesmo, estava Leclerc, que não vencia um GP desde outubro de 2024 em Austin, nos EUA. “Ia ser difícil segurar o Kimi no final”, reconheceu. “Dei sorte.”

Próxima etapa, Bélgica. No dia da final da Copa. A Mercedes segue favorita a tudo. Hoje, no entanto, perdeu o terceiro pódio no ano por quebra – foi assim no Canadá com Russell, na Espanha e na Inglaterra com Antonelli. Com sete vitórias em nove corridas e todas as poles da temporada, não precisa se sentir ameaçada. O inimigo está em casa, é só ajeitar as coisas. E não entrar em parafuso. Como fazem algumas seleções em minutos finais de jogos na Copa.  

Deixe seu comentário

Você precisa estar logado para comentar.

Entrar para comentar

Ainda não tem conta? Cadastre-se