SÃO PAULO(incrível) – Alguma coisa acontece no coração de Lewis Hamilton quando ele corre em Silverstone. Este será seu 21º GP na pista inglesa. Nos 20 anteriores, fez sete poles, ganhou nove vezes e subiu ao pódio em 15 oportunidades. Ninguém venceu tantas vezes na mesma pista. Uma dessas corridas, lembremo-nos, não se chamou GP da Inglaterra. Foi o GP do 70º Aniversário, prova de 2020 — ano da pandemia, em que alguns circuitos receberam mais de uma etapa. Mas aquele ele não levou, ficou com Max Verstappen.
Hoje, contra todos os prognósticos — inclusive os dele e da Ferrari — fez a pole para a Sprint de Silverstone com uma daquelas voltas mágicas que costumava fazer no auge da Mercedes. Seu tempo: 1min28s376. Kimi Antonelli, o segundo no grid, ficou apenas 0s011 atrás.
“Não faz sentido”, disse George Russell, quinto na classificação com o outro carro da Mercedes. “Era para eles terem ido bem na Áustria e menos aqui. Foi o contrário”, falou o incrédulo piloto da Mercedes. Talvez a relação especial de Hamilton com a pista explique alguma coisa. Mais energia da torcida, ânimo nas alturas, um melhor entrosamento com a equipe, algum acerto especial, atalhos que só ele conhece, sabe-se lá. O fato é que o heptacampeão cravou todo mundo. E ainda teve revelada sua permanência na Ferrari por mais um ano, colocando um ponto final nas especulações sobre seu futuro. E mais: disse que só para de correr quando conquistar o oitavo título.
O grid da Sprint: Lewis e Antonelli na primeira fila
Claro que é só Sprint, tem um peso relativo, mas o resultado de hoje reverte as expectativas para este fim de semana. Se a Mercedes era a favorita teórica para passar o rodo na concorrência, esse favoritismo evaporou com o desempenho do inglês desde o treino livre único, na manhã de hoje para nosotros no Brasil. Ficou em primeiro, assim como no SQ1 e no SQ2. Não foi batido por ninguém. Nem mesmo seu companheiro Charles Leclerc conseguiu andar muito perto. O monegasco larga em quarto, com um tempo 0s327 pior. Na real, só Antonelli ameaçou Hamilton. O resto ficou para trás.
O cumprimento de Antonelli: único que andou perto
A sexta-feira foi ensolarada em Silverstone, com temperatura na casa dos 25°C. Quente para a região. No ano passado, a prova teve chuva e sol, sem casamento de espanhol. A surpresa foi o pódio de Nico Hülkenberg depois de 300 anos de F-1. A McLaren fez dobradinha com Lando Norris e Oscar Piastri. Nada parecido vai acontecer domingo.
No SQ1, Hamilton virou sua melhor volta em 1min29s273. O segundo lugar de Leclerc mostrou que a Ferrari seria mesmo protagonista ao longo da classificação modelo pocket. O segmento eliminou, pela ordem, Oliver Bearman e Esteban Ocon, da Haas, Sergio Pérez e Valtteri Bottas, da Cadillac, e Fernando Alonso e Lance Stroll, da Aston Martin. Nenhuma novidade.
Hamilton baixou o tempo para 1min28s747 no SQ2, primeiro novamente. Foi quando Antonelli começou a preocupar, ficando a 0s099 dele. Caíram Pierre Gasly, Gabriel Bortoleto, Nico Hülkenberg, Franco Colapinto, Carlos Sainz e Alexander Albon. Avançaram as duplas de Ferrari, Mercedes, McLaren, Red Bull e Pode Parcelar em Três, atual quinta força do campeonato.
Piastri com a McLaren retrô: pintura igual à de 1966
Cada piloto deu apenas uma volta rápida no Q3, já com os pneus macios — nas duas primeiras partes só os médios podem ser usados. Todos deram espaço para os coleguinhas, ninguém atrapalhou ninguém e a enorme multidão em Silverstone só tinha olhos para Hamilton. “Amo esta pista, amo essa torcida”, derreteu-se o piloto depois de fazer a pole. Antonelli, Verstappen, Leclerc, Russell, Norris, Piastri, Isack Hadjar, Liam Lawson e Arvid Lindblad fecharam o grupo das dez primeiras posições.
O tempo da pole de Hamilton foi cerca de 3s5 mais lento que o da pole para a corrida do ano passado. Era esperado. Mas os pilotos ficaram surpresos com o desempenho dos novos motores, que não perderam tanta potência por falta de energia no veloz circuito britânico. “A gente achava que seria muito pior”, admitiu Lewis, que está usando neste fim de semana um capacete com a mesma pintura da época em que ainda corria na GP2, antes de estrear na F-1. Seu chefe era o mesmo, Frédéric Vasseur. Sobre a pole, foi sincero: “Foi uma surpresa. A gente não estava esperando”.
Vasseur e Hamilton em 2006 (foto do alto): capacete igual
A Sprint de amanhã terá 17 voltas e largada às 8h de Brasília. Silverstone recebeu a primeira corrida curta da história, em 2021, e depois não teve mais. Naquele ano, só os três primeiros pontuavam. Agora são oito. Ao meio-dia todos voltam à pista para definir o grid do GP da Inglaterra, nona etapa do Mundial. Foi a terceira pole de Hamilton para corridas Sprint. Ele já venceu uma, na China no ano passado.
SÃO PAULO(vamos ver) – Pessoal, já peço desculpas de antemão pela formatação diferente do “Sobre ontem…”. As funcionalidades que eu tinha para postar textos no blog são diferentes no novo publicador do Grande Prêmio. Estamos trabalhando nisso e prometo que em algumas semanas as coisas voltarão ao normal. Inclusive com o espaço para os comentários. Hoje vou improvisar e, admito, cumprir tabela com o rescaldão do GP da Áustria.
Começando com a imagem da corrida, vamos lá… Me pareceu significativa essa alegria de Toto Wolff com o segundo lugar de Max Verstappen. Posso até ser injusto, mas ele pareceu mais satisfeito com a corrida da estrela do time rival do que com a vitória de seu ex-pupilo George Russell — o atual, claro, é Kimi Antonelli.
O cumprimento quase eufórico acontece num momento de indefinição para a carreira de Verstappen. Ele pode sair da Red Bull quando quiser. Se sair, vai para a Mercedes? Se for, Russell dança, claro. Seu contrato termina no fim do ano e ninguém falou em renovar. Toto sonha com Max faz tempo. E os dois são cada vez mais próximos. Não se esqueçam que Verstappen, recém-apaixonado pelas corridas de longa duração, fez as 24 Horas de Nürburgring com um Mercedão bala. E vai fazer as 24 de Spa no ano que vem do mesmo jeito. Voou convidá-lo para as Mil Milhas de Gol bolinha, inclusive.
O pobre do George está no mato sem cachorro. Não, a Mercedes não vai sacaneá-lo para que Antonelli seja o campeão. Na F-1 de hoje, em equipes desse nível, tais teorias da conspiração não se aplicam. Nico Rosberg foi campeão em cima de Lewis Hamilton no mesmo, time, não se esqueçam. E não é preciso ser muito esperto para saber que Lewis era muito mais interessante para a Mercedes que Rosberguinho, um chato de galochas. Mas prevaleceu o senso de justiça e a esportividade da chefia.
Só que o coitado sabe que para ser campeão vai ter de enfrentar uma forte torcida contra. Interna, inclusive. Todo mundo ama Kimi e seu rostinho angelical.
Eu, se fosse dono de equipe, também amaria.
Classificação de pilotos: 40 de vantagem
Já falamos domingo. Russell descontou 28 pontos dos 68 que tinha de déficit para Antonelli depois de Mônaco. A diferença é que o italiano abriu uma larga margem batendo sem dó no companheiro. E George conseguiu a reação graças a uma quebra do parceiro em Barcelona, quano estava atrás dele, e a uma circunstância muito específica do GP da Áustria. Primeiro, ao fazer a pole na malandragem, sábado. Valeu a experiência. Kimi foi juvenil ao tirar o pé numa volta que poderia lhe dar a primeira posição no grid — nunca saberemos. Depois, contou com as três primeiras voltas ruins do líder do campeonato, que acabaram condicionando o resto da corrida.
F-1 é resolvida, muitas vezes, no detalhe. Antonelli perdeu tempo ao sair da pista duas vezes e ao ficar encaixotado muito tempo atrás da Ferrari e de Verstappen. Não fosse isso, poderia ganhar a corrida. Dificilmente vai repetir os erros nas próximas corridas. “Tenho muito a aprender. Este fim de semana foi ótimo para eu me lembrar disso”, falou o meninote.
Equipes: Visa Etc. se aproxima da Alpine
Entre as equipes, a nova pontuação dupla da Débito ou Crédito? aproximou a filial da Red Bull um pouquinho da Alpine. Apenas três pontos, é verdade. Mas foi a primeira vez que o time francês deixou de pontuar no ano. E a equipe de Liam Lawson e Arvid Lindblad tem sido consistentemente rápida. A briga pelo posto de “melhor das outras” vai ser essa aí o ano inteiro.
Racing Bulls comemora mais uma corrida com sua dupla nos pontos: briga pelo quinto lugar
A FRASE DE SPIELBERG
“Max é um piloto que tira tudo de um carro, mais do que qualquer outro.”Toto Wolff, chefe da Mercedes
Verstappen não foi o único destaque do fim de semana austríaco, tendo largado de quinto no grid para terminar em segundo. Outro que andou bem foi Oscar Piastri, que anda meio sumido desde o ano passado, quando Lando Norris engatou uma quinta e o atropelou na corrida pelo título. De sétimo na largada, terminou em quarto. E ainda forçou a Mercedes a mexer na estratégia de paradas de Antonelli para não perder o pódio. O australiano está na frente do companheiro na classificação. Um pontinho só. Mas está na frente.
O NÚMERO DA ÁUSTRIA
…pontos mais que no ano passado, depois de oito corridas, tem a Mercedes. O time alemão chegou a 302 depois do GP da Áustria. Em 2025, eram 147. Até agora, a Mercedes ganhou sete das oito etapas do Mundial e fez todas as poles.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da disputa entre Verstappen e Hamilton por várias voltas em dois momentos da corrida. Dois pilotos de altíssimo nível, um respeitando o outro e ambos se divertindo.
Ferrari: decepção ao final da corrida
NÃO GOSTAMOS… do desempenho da Ferrari, que largou em segundo com Charles Leclerc e terceiro com Hamilton. O monegasco chegou em oitavo e o inglês, em quinto. Resultado: 14 pontos, apenas, seu pior fim de semana na temporada. Até então, o pior havia sido em Mônaco, com 18 pontos marcados.
Que Copa que nada! Domingo tem GP da Inglaterra em Silverstone. Antes, Sprint no sábado. Horários e agendinha já na tela! Lembrando que o FÓRMULA GOMES de domingo depende do horário em que terminar o jogo do Brasil, que começa às 17h, mas pode ter prorrogação e pênaltis.
Russell: segunda vitória no ano, sétima na carreira
SÃO PAULO(divertido) – George Russell está vivo no campeonato. O inglês venceu o GP da Áustria com autoridade e descontou mais dez pontos de Kimi Antonelli na luta pelo título mundial da F-1. Depois de uma sequência de cinco sapatadas que levaram o italiano a abrir 68 pontos na tabela após o GP de Mônaco, Russell reagiu e tirou 28 nas últimas duas etapas. Kimi abandonou em Barcelona e ele chegou em segundo; hoje, seu jovem companheiro da Mercedes terminou em terceiro, atrás ainda de Max Verstappen. O placar aponta, agora, 171 a 131 para Antonelli. A vantagem sobre Russell, de novo vice-líder, caiu para 40. Lewis Hamilton ficou em quinto na corrida austríaca e tem 125 pontos, de novo em terceiro na classificação.
Foi a segunda vitória de seu Jorge no ano, sétima na carreira. A Mercedes segue dominando a temporada com sete triunfos em oito etapas. Fez também todas as poles. Vai ser campeã, claro. A questão é saber qual dos dois levanta a taça no fim do ano.
“Ah, mas e a Ferrari, que teve o ADUO e tem a asa macarena e eu vi no Insta e no TikTok que os discos de freio do…”
Gente… Deixa eu dizer uma coisa procês. Existem os “conteúdos” na internet e a vida real. A vida real, felizmente, é bem diferente dos conteúdos da internet. Fala-se muita bobagem, é preciso gravar todo dia para engajar e monetizar, todo mundo caga regra sem saber do que está falando. Não há milagres em corridas de automóvel. Há algumas surpresas de vez em quando, claro, e ainda bem que é assim. A vitória de Lewis na Espanha há duas semanas foi dessas. Vários fatores levaram a ela: estratégia ousada de três paradas, pilotagem agressiva, disputa fratricida da Mercedes, safety-car virtual na hora certa… Tudo isso no liquidificador deu em Hamilton no topo do pódio.
Hoje os ferraristas ficaram em quinto e oitavo. Mesmo tendo largado em segundo e terceiro. Com ADUO, discos de freio comprados no MercadoCar, asa sei lá das quantas, as famosas atualizações… A realidade se impõe. Sempre.
Hamilton x Verstappen: bons duelos, vencidos pelo holandês
Vamos à corrida, que foi boa e teve algumas atuações de destaque — especialmente de Verstappen, que largou em quinto e foi buscar o que lhe cabia correndo diante de uma multidão vestida de laranja.
Russell largou bem, o que era absolutamente necessário para determinar o ritmo da prova. Ele precisava, sobretudo, que Antonelli se embananasse atrás das duas Ferrari, para que pudesse escapar na frente com alguma segurança para assumir o controle do GP, previsto para 71 desgastantes voltas. E Kimi, para sua sorte, começou a corrida de forma errática. Nas duas primeiras voltas, fez a curva 1 pelo acostamento. Perdeu duas posições: para Charles Leclerc, a quem tinha superado na largada, e Verstappen, que percebeu a escapada e aproveitou para ultrapassá-lo. Hamilton, na primeira volta, conseguiu deixar Chaleclé para trás e assumiu o segundo lugar, saindo à caça de Russell.
George tinha de abrir, ir embora, fugir de todos. Na volta 5 conseguiu colocar 1s sobre Lewis, o que o livrava da ameaça do “modo ultrapassagem”, seja lá o que for isso. Dois carros, àquela altura, já estavam nos boxes em chamas — exagero dizer “em chamas”, mas tanto Valtteri Bottas quanto Sergio Pérez, da Cadillac, pararam com superaquecimento dos freios e abandonaram.
Largada na Áustria: Russell pula na frente e controla a prova
Fazia um sol de rachar em Spielberg, com a maior temperatura do fim de semana, 35°C e sensação de Bangu no verão carioca. No asfalto fumegante, 50°C. Antonelli só foi passar Leclerc na volta 7. Mais à frente, Verstappen colou em Hamilton na 8ª. A Ferrari sofria com o calor e os pneus. George já tinha 2s4 em cima do heptacampeão e seguia firme. Na décima volta, essa diferença subira para 3s. Russell, Hamilton, Verstappen, Antonelli, Leclerc, Oscar Piastri, Lando Norris, Isack Hadjar, Liam Lawson e Arvin Lindblad eram os dez primeiros. Bortoleto vinha em 11º. Sem querer dar spoiler, esses 11 aí chegaram ao fim nas 11 primeiras posições. Alguns mais à frente, outros mais atrás. Outros, ainda, no mesmíssimo lugar.
Max e Hamilton começaram a trocar posições na volta 11, um passando o outro e o outro passando o um, num espetáculo que deixou todo mundo no autódromo de pé e foi, sem dúvida, um dos bons momentos da corrida. O holandês, em determinado ponto, entrou no rádio e pediu pênalti. “O VAR está checando”, informou o engenheiro. Lewis, que levara a melhor na batalha, parou na volta 13 e colocou pneus duros. Ele, como quase todos, havia largado com os compostos médios – apenas Bortoleto e Sainz saíram com macios. Leclerc veio logo depois. A Ferrari #44 voltou em décimo e a #16, em 11º.
Lewis não perdeu muito tempo atrás de Bortoleto e assumiu o nono lugar, partindo para cima da turma que estava à sua frente. Seu alvo era Verstappen, o segundo colocado. Quando o rubro-taurino parasse, Hamilton tentaria recuperar a posição. Mas a verdade é que os carros vermelhos fizeram o primeiro pit stop cedo demais, antecipando uma estratégia de três paradas que sei lá, viu… Três paradas numa pistinha curta como a austríaca significa devolver seu carro à pista sempre no meio do tráfego. Não é a ideia mais brilhante do mundo.
De qualquer forma, Max parou na 19ª volta e o que a Ferrari previu aconteceu: Lewis passou de novo.
George pouco antes da primeira parada: largou de médios e colocou duros depois
Volta 20, Russell nos boxes. Pneus duros para ele, para responder imediatamente às paradas de Hamilton e Verstappen. Voltou à frente de ambos. Antonelli e Norris assumiram as duas primeiras posições, mas precisando trocar pneus. George, apesar do bom início, não tinha paz. Estava apenas 1s7 à frente de Hamilton, que por sua vez tinha 0s6 sobre Verstappen. Ia dar briga.
E deu, na volta 22. Max e Lewis se encontraram novamente, e novamente um passou o outro, o outro passou o um e o um passou o outro mais uma vez. “Um” é Verstappen, “outro” é Hamilton. O inglês resistiu mais pela reputação que qualquer outra coisa. Quando concluiu a última ultrapassagem, o holandês respirou fundo e se mandou. O ritmo de corrida da Ferrari não era grande coisa.
Na volta 25, Antonelli parou. Deu azar. Se fizesse o pit stop na volta seguinte, ganharia a parada quase de graça porque Carlos Sainz tinha quebrado naquele exato instante. Assim que Kimi concluiu a troca, o safety-car virtual foi acionado para retirar o carro do espanhol, que parou junto à mureta do pit-lane. Hamilton foi chamado para um segundo pit stop. “Vocês me chamaram tarde”, lamentou o piloto, que já tinha passado pela entrada dos boxes. “Tentamos…”, respondeu seu engenheiro de sotaque engraçado, Carlo Santi, 52 anos e uma longa folha de serviços prestados à Ferrari – foi o engenheiro de Kimi Raikkonen lá pelos idos de 2016. Mas Hamilton ainda conseguiu parar na volta seguinte e colocou pneus macios. Voltou em sétimo.
A prova foi retomada na volta 27. Russell liderava com 5s2 para Verstappen. Leclerc era o terceiro e Antonelli, o quarto. Kimi, com pneus mais novos – tinha parado dez voltas depois que Charles –, acabou superando o monegasco na volta 30 sem muita dificuldade. George se mantinha na ponta, mas a conta-gotas Max ia se aproximando. Na volta 35, a distância era de apenas 3s2. Era melhor se preocupar. Ainda tinha metade da corrida pela frente.
Verstappen: ritmo forte, segundo lugar no final
Correndo em casa, empurrado pela torcida – mentira, torcida não ganha corrida –, Verstappen apertava o ritmo e já via Russell à frente sem precisar de binóculos. “Vejam bem…”, começou George no rádio. “Um momento, George, estamos vendo uma briga pela TV”, respondeu Toto Wolff. No caso, era uma disputa tripla entre Piastri, Hamilton e Leclerc. Valia a quarta posição. A refrega deu em Piastri na frente, Hamilton atrás e Charlinho no box para trocar pneus ao final da volta. Só então o piloto da Mercedes foi chamado de volta. “Diga, George, o que deseja?”, retomou a conversa Toto Wolff. “Vejam bem…”, continuou o piloto, sendo interrompido de novo. “Momentinho, George, a briga está boa”, pediu o chefe da Mercedes. Agora era Hamilton para cima de Piastri.
Russell poderia ter problemas. Além de não conseguir discorrer sobre a situação pelo rádio com seu habitual palavrório prolixo e demoroso, via Verstappen se aproximar rapidamente. Hamilton e Piastri foram para os boxes na volta 43. Para Lewis, era a terceira visita. Para Oscar, a segunda. Então, na volta 44, Russell trocou seus pneus para não ser ultrapassado na pista por Verstappen. Ali estava a briga pela vitória. Um olho no gato, no caso o bonitão George, de fato um gato, e outro no peixe, no caso Max — de alcunha “boca de tilápia” entre os que não simpatizam com sua figura.
Naquele momento da prova, mesmo com pneus já bem rodados, quase carecas, quem andava bem era Antonelli, segundo colocado. Se aproximava rapidamente de Verstappen, o líder, ambos ainda com uma parada por fazer. Na volta 49, a diferença caíra para 0s9. E Max percebeu que seria jantado pelo italianinho se não tomasse alguma atitude. Foi para os boxes e colocou mais um jogo de pneus duros. Voltou em terceiro.
Russell assumiria a ponta de novo, mas teria um final de prova bem tenso, com pneus mais gastos que os de Verstappen e, sobretudo, piores que os de Antonelli, que se mantinha na pista esticando o segundo stint. Kimi foi chamado aos boxes na volta 52. Voltou em terceiro. Seus pneus eram oito voltas mais novos que os do companheiro de equipe. Mas, antes de pensar em qualquer coisa, precisaria passar Verstappen, o segundo. Russell, então, acendeu uma vela para Max. Como se sabe, ele prefere ver o capeta pintado na camisa azul da seleção brasileira do que Antonelli pintado de ouro.
Hamilton, três paradas: ritmo de corrida ruim para a Ferrari
Volta 55, faltavam 16 para o final, e o retrato de momento era Russell, Verstappen a 8s4 dele, Antonelli a 4s8 do holandês, e depois Piastri, Hamilton, Leclerc, Hadjar, Norris, Lawson e Lindblad na zona de pontos. George tinha feito uma volta esquisita pouco antes, mas ninguém na Mercedes se incomodou muito. “Vejam bem…”, o piloto entrou no rádio. “George, um segundinho só que estamos vendo os gols de Áustria e Argélia”, pediu o engenheiro. “Quanto foi?” “Empatou 3 a 3, e Toto quer ver todos os replays. Se puder chamar daqui a pouquinho…” Russell suspirou, mas tentou mostrar alguma familiaridade com o tema. “Agora pega a Espanha, né?” Ao que o Toto Wolff lhe chamou a atenção: “George, por favor, não é hora de falar de futebol, apenas dirija”.
Não, não seria nada tranquila a reta final da corrida para o inglês. Verstappen e Antonelli forçavam bem o ritmo e na volta 61, a dez do final, o #63 da Mercedes tinha só 5s6 de vantagem sobre o #3 da Red Bull, que por sua vez estava 3s9 à frente do #12 da Mercedes. Naquela toada, os três chegariam à bandeira quadriculada um embutido no rabo do outro.
Russell, Verstappen e Antonelli apareceram na mesma foto na volta 68 na reta dos boxes. Terminariam, sim, muito próximos. Estavam separados por 3s5, do primeiro para o segundo, e 2s1, do segundo para o terceiro. Àquela altura, porém, George dava a impressão de que controlava as coisas. Max, menos: Antonelli teria pelo menos uma volta com a possibilidade de usar um daqueles botões de ultrapassagem sobre os quais pouco se fala atualmente – bem menos do que se falava sobre a asa móvel em priscas eras.
Classificação final na Áustria: Mercedes venceu sete de oito corridas no ano
Mas não conseguiu. De fato os três receberam a bandeirada no mesmo enquadramento das câmeras, com Russell em primeiro 1s6 à frente de Verstappen, que por sua vez viu a quadriculada 0s3 antes de Antonelli. Piastri, Hamilton, Hadjar, Norris, Leclerc, Lawson e Lindblad foram os dez primeiros. Bortoleto foi o 11º. Aqueles 11 lá de cima. Eu já tinha dado o spoiler.
No pódio, a surpresa foi Bernie Ecclestone, que já havia aparecido na transmissão da F1TV na hora da execução do hino austríaco, antes da largada. Aos 95 anos, o ex-dono da F-1 colocou a medalha no peito de Russell e fugiu quase correndo do banho de champanhe – não se pode exigir muita velocidade de um nonagenário. O mais aplaudido pelo público foi Verstappen, que acabou sendo o destaque da prova com um pódio improvável diante do favoritismo de Mercedes e Ferrari desenhado nos treinos e na classificação.
Semana que vem tem mais, em Silverstone. Com Sprint. Se Russell aproveitar o momento, são duas chances de tirar pontos de Antonelli. Mas que seus torcedores não se iludam demais. Kimi não parece ter se abalado minimamente com as duas “derrotas” de Barcelona e Spielberg. Entre aspas, mesmo, porque na Espanha ele quebrou quando estava na frente do companheiro. E, na Áustria, apenas teve um fim de semana ruim. Mesmo assim, chegou em terceiro. E não tem nem seleção para se preocupar. A Inglaterra de Russell tem duas babas agora, mas depois é capaz de pegar Brasil ou Noruega, e mais à frente, a Argentina. Um filme de terror.
Já a Itália de Antonelli está de férias de Copa do Mundo desde 2014.