SÃO PAULO(vamos ver) – Pessoal, já peço desculpas de antemão pela formatação diferente do “Sobre ontem…”. As funcionalidades que eu tinha para postar textos no blog são diferentes no novo publicador do Grande Prêmio. Estamos trabalhando nisso e prometo que em algumas semanas as coisas voltarão ao normal. Inclusive com o espaço para os comentários. Hoje vou improvisar e, admito, cumprir tabela com o rescaldão do GP da Áustria.
Começando com a imagem da corrida, vamos lá… Me pareceu significativa essa alegria de Toto Wolff com o segundo lugar de Max Verstappen. Posso até ser injusto, mas ele pareceu mais satisfeito com a corrida da estrela do time rival do que com a vitória de seu ex-pupilo George Russell — o atual, claro, é Kimi Antonelli.
O cumprimento quase eufórico acontece num momento de indefinição para a carreira de Verstappen. Ele pode sair da Red Bull quando quiser. Se sair, vai para a Mercedes? Se for, Russell dança, claro. Seu contrato termina no fim do ano e ninguém falou em renovar. Toto sonha com Max faz tempo. E os dois são cada vez mais próximos. Não se esqueçam que Verstappen, recém-apaixonado pelas corridas de longa duração, fez as 24 Horas de Nürburgring com um Mercedão bala. E vai fazer as 24 de Spa no ano que vem do mesmo jeito. Vou convidá-lo para as Mil Milhas de Gol bolinha, inclusive.
O pobre do George está no mato sem cachorro. Não, a Mercedes não vai sacaneá-lo para que Antonelli seja o campeão. Na F-1 de hoje, em equipes desse nível, tais teorias da conspiração não se aplicam. Nico Rosberg foi campeão em cima de Lewis Hamilton no mesmo, time, não se esqueçam. E não é preciso ser muito esperto para saber que Lewis era muito mais interessante para a Mercedes que Rosberguinho, um chato de galochas. Mas prevaleceu o senso de justiça e a esportividade da chefia.
Só que o coitado sabe que para ser campeão vai ter de enfrentar uma forte torcida contra. Interna, inclusive. Todo mundo ama Kimi e seu rostinho angelical.
Eu, se fosse dono de equipe, também amaria.
Classificação de pilotos: 40 de vantagem
Já falamos domingo. Russell descontou 28 pontos dos 68 que tinha de déficit para Antonelli depois de Mônaco. A diferença é que o italiano abriu uma larga margem batendo sem dó no companheiro. E George conseguiu a reação graças a uma quebra do parceiro em Barcelona, quando estava atrás dele, e a uma circunstância muito específica do GP da Áustria. Primeiro, ao fazer a pole na malandragem, sábado. Valeu a experiência. Kimi foi juvenil ao tirar o pé numa volta que poderia lhe dar a primeira posição no grid — nunca saberemos. Depois, contou com as três primeiras voltas ruins do líder do campeonato, que acabaram condicionando o resto da corrida.
F-1 é resolvida, muitas vezes, no detalhe. Antonelli perdeu tempo ao sair da pista duas vezes e ao ficar encaixotado muito tempo atrás da Ferrari e de Verstappen. Não fosse isso, poderia ganhar a corrida. Dificilmente vai repetir os erros nas próximas corridas. “Tenho muito a aprender. Este fim de semana foi ótimo para eu me lembrar disso”, falou o meninote.
Equipes: Visa Etc. se aproxima da Alpine
Entre as equipes, a nova pontuação dupla da Débito ou Crédito? aproximou a filial da Red Bull um pouquinho da Alpine. Apenas três pontos, é verdade. Mas foi a primeira vez que o time francês deixou de pontuar no ano. E a equipe de Liam Lawson e Arvid Lindblad tem sido consistentemente rápida. A briga pelo posto de “melhor das outras” vai ser essa aí o ano inteiro.
Racing Bulls comemora mais uma corrida com sua dupla nos pontos: briga pelo quinto lugar
A FRASE DE SPIELBERG
“Max é um piloto que tira tudo de um carro, mais do que qualquer outro.”Toto Wolff, chefe da Mercedes
Verstappen não foi o único destaque do fim de semana austríaco, tendo largado de quinto no grid para terminar em segundo. Outro que andou bem foi Oscar Piastri, que anda meio sumido desde o ano passado, quando Lando Norris engatou uma quinta e o atropelou na corrida pelo título. De sétimo na largada, terminou em quarto. E ainda forçou a Mercedes a mexer na estratégia de paradas de Antonelli para não perder o pódio. O australiano está na frente do companheiro na classificação. Um pontinho só. Mas está na frente.
O NÚMERO DA ÁUSTRIA
…pontos mais que no ano passado, depois de oito corridas, tem a Mercedes. O time alemão chegou a 302 depois do GP da Áustria. Em 2025, eram 147. Até agora, a Mercedes ganhou sete das oito etapas do Mundial e fez todas as poles.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da disputa entre Verstappen e Hamilton por várias voltas em dois momentos da corrida. Dois pilotos de altíssimo nível, um respeitando o outro e ambos se divertindo.
Ferrari: decepção ao final da corrida
NÃO GOSTAMOS… do desempenho da Ferrari, que largou em segundo com Charles Leclerc e terceiro com Hamilton. O monegasco chegou em oitavo e o inglês, em quinto. Resultado: 14 pontos, apenas, seu pior fim de semana na temporada. Até então, o pior havia sido em Mônaco, com 18 pontos marcados.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.