SÃO PAULO (bico) – Foi tão fácil quanto tirar leite de uma máquina nas pequenas fazendas que circundam o Red Bull Ring. Max Verstappen ganhou a minicorrida de Spielberg, somou mais oito pontos na tabela da classificação e larga na pole do GP da Áustria amanhã. Confirma, assim, a primeira posição do grid obtida ontem. […]
Publicado em 09/07/2022 às 12:24
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Sem dificuldade, Max vence mais uma: rei das Sprints
SÃO PAULO (bico) – Foi tão fácil quanto tirar leite de uma máquina nas pequenas fazendas que circundam o Red Bull Ring. Max Verstappen ganhou a minicorrida de Spielberg, somou mais oito pontos na tabela da classificação e larga na pole do GP da Áustria amanhã. Confirma, assim, a primeira posição do grid obtida ontem. A vitória veio de ponta a ponta e sem muito esforço.
Charles Leclerc e Carlos Sainz, da Ferrari, ficaram em segundo e terceiro e ganharam suas medalhinhas da patrocinadora da Sprint, uma firma de criptomoedas. Chegaram a disputar algumas curvas no início da prova e ficaram meio emburrados no final. Um com o outro.
Leclerc x Sainz: de bico um com o outro
Antes da saída para a volta de apresentação, um pequeno drama. Uma bandeira amarela ao lado do grid sinalizou que havia algo de errado com alguém. Era Fernando Alonso, coitado. Seu carro ainda estava com as mantas térmicas sobre os pneus e erguido nos macacos. A equipe teve de tirá-lo do grid. Nem largou. Depois seria reportado um problema na bateria.
Os outros não tinham nada com isso e foram para o alinhamento. Mas teve um segundo pequeno drama. Assim que chegava ao grid, Guanyu Zhou parou o carro. A largada foi abortada e, pelas regras, uma nova volta de apresentação foi autorizada. Aí Zhou conseguiu fazer sua Alfa funcionar. Foi para o fundo do pelotão e teve de largar dos boxes.
Finalmente a Sprint começou, agora para 23 voltas em vez das 24 originais. O único incidente aconteceu com Gasly, que tocou em Hamilton e acabou rodando. Verstappen largou bem, segurou a ponta e Sainz passou Leclerc. O monegasco não perdeu muito tempo e ainda na primeira volta recuperou o segundo lugar.
Medalha, medalha: é o que levou Verstappen pela vitória
Quem estava se divertindo era Hamilton. Caiu para 11º com o toque de Gasly e saiu passando quem fosse possível. Pérez e Vettel, também começaram a prova de maneira auspiciosa. O primeiro ganhou cinco posições no início e o segundo, meia dúzia.
Pneus médios foram a escolha da maioria dos pilotos, já que em corridas Sprint não há pit stops obrigatórios e largar com macios poderia ser meio arriscado – eles acabariam logo. É pau puro por meia hora. Apenas Albon, Stroll, Latifi e Vettel começaram de macios. Com Leclerc e Sainz se cutucando em segundo e terceiro, Verstappen foi sumindo na frente. A equipe italiana (usando em seus carros o logotipo do cavalinho rampante antigo em homenagem aos 90 anos de seu primeiro uso por Enzo Ferrari) liberou os dois para a briga, desde que não chegassem às vias de fato.
Cavalinho da Ferrari: 90 anos de tradição
Pérez passou Schumacher na nona volta e Magnussen, na décima. Assumiu a sexta posição e foi para cima de Ocon. O carro da Red Bull se mostrava muito veloz e o mexicano ia se recuperando. Um toque entre Albon e Vettel quase motivou uma bandeira amarela, mas o alemão conseguiu voltar à pista. Em último.
Checo passou Ocon na volta 13 e parou por aí. A distância dele para Russell, o quarto colocado, era superior a 6s e não daria tempo de chegar. Mais atrás, em nono, Hamilton saía à caça da dupla da Haas. Leclerc e Sainz sossegaram e se conformaram com as posições que ocupavam.
Sem brigas na frente, o melhor passou a acontecer no duelo entre Lewis e Mick Schumacher, o oitavo. Comovente, diga-se. O jovem alemão se defendia com bravura dos ataques do inglês, mesma valentia de uma semana antes em Silverstone contra Verstappen – só que, lá, como atacante. Hamilton passou apenas na volta 21 e entrou na zona de pontos da Sprint.
Final da Sprint: mais uma para Verstappen
Duas voltas depois, fim de papo. Sem nenhuma dificuldade, Verstappen recebeu a bandeira quadriculada conquistando sua terceira vitórias em Sprints em cinco edições desse tipo de prova. Neste ano, ganhou as duas – a outra foi em Ímola; a próxima acontece em Interlagos. Leclerc, Sainz, Russell, Pérez, Ocon, Magnussen e Hamilton fecharam os oito primeiros. Nessa ordem, largam amanhã para o GP da Áustria. E também somam pontinhos.
Não foi exatamente um grande espetáculo, mas pelo menos animou a torcida no autódromo rubro-taurino, majoritariamente pintado de cor de laranja para vibrar com Max. Como tem acontecido nessas Sprints, tem gente que se dá bem e gente que se dá mal. No caso, hoje, Pérez saiu no lucro: de 13º para quinto no grid amanhã. E quem se deu mal, Alonso: de nono para último.
Após a prova, ficou um clima meio estranho entre os pilotos da Ferrari. O tom das declarações de Leclerc e Sainz pareceu um pouco azedo. Nada que uma boa conversa não resolva.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.