SÃO PAULO (mas é bonito) – Eu adoro as explicações que nos dão para algumas coisas… Esse aí em cima é o troféu do GP de São Paulo, ex-Brasil. Foi revelado agora há pouco. O pessoal de imprensa da corrida acaba de mandar o release, detalhando seu processo de criação e descrevendo seus significados. Como […]
Publicado em 28/10/2025 às 12:50
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O troféu do GP de São Paulo: “brasilidade”
SÃO PAULO (mas é bonito) – Eu adoro as explicações que nos dão para algumas coisas… Esse aí em cima é o troféu do GP de São Paulo, ex-Brasil. Foi revelado agora há pouco. O pessoal de imprensa da corrida acaba de mandar o release, detalhando seu processo de criação e descrevendo seus significados. Como não entendi nada, reproduzo abaixo, com uma ligeira edição para encurtar o texto:
O novo troféu do Formula 1 MSC Cruises Grande Prêmio de São Paulo 2025 é uma verdadeira ode à brasilidade. O troféu foi concebido pela Furf Design Studio, dos designers Mauricio Noronha e Rodrigo Brenner, e traduz o encontro entre a tecnologia, arte e emoção, com formas que remetem à pluralidade do Brasil e à paixão nacional pelo automobilismo. “Tivemos a missão de materializar a identidade brasileira nos quatro objetos mais desejados e sonhados pelos pilotos e suas equipes. Ainda mais nessa reta final da temporada, onde tudo ainda está em aberto, dá uma sensação mais especial podermos, enfim, revelar esse projeto que está sendo pensado desde abril deste ano. Todos os mínimos detalhes foram pensados para transparecer e comunicar a cultura vasta e plural do Brasil que serão mostradas ao mundo todo consagrando campeões”, disse Alan Adler, CEO do GP São Paulo.
Produzido em impressão 3D sem resíduos e alumínio fundido, com acabamento metalizado e envernizado, o troféu é feito de dez camadas de folhas, representando as dez equipes de F-1 que competem. Mas quando olhado de cima, são 12 folhas, representando o relógio e a corrida contra o tempo dos pilotos na pista. A textura em movimento mistura referências como mantos Tupinambá, louros da vitória, escamas, pétalas e o skyline de São Paulo, criando um mosaico que reflete a diversidade e a energia do país. “O troféu é uma metáfora da pluralidade tupiniquim. Penas, folhas, escamas, pétalas, prédios, tudo junto e misturado, assim como São Paulo é! Ele tem movimento, tem ginga. São dez fileiras de louros compostas por doze folhas cada: as dez equipes correndo contra o relógio. E sua forma, inspirada na curva do S do Senna, remete a uma ampulheta, analogia à conquista do piloto como se tivesse dominado o tempo”, explica Rodrigo Brenner, cofundador da Furf Design Studio. “Queríamos criar um ícone profundamente brasileiro, com reverência ao passado e um olhar para o futuro. O povo brasileiro tem uma relação emocional única com o automobilismo. É parte da nossa história, da nossa identidade. O brasileiro não só assiste, ele vibra, lembra, sonha, sente. Criar o troféu do GP São Paulo é tocar esse sentimento coletivo e dar a ele um corpo, um símbolo.”, complementa Mauricio Noronha, seu sócio.
O acabamento final da peça foi feito por Alan Mosca, sócio da Sid Special Paint e filho do lendário Sid Mosca, referência no automobilismo. “Foi uma honra ser convidado a participar de uma parte tão importante e significativa de um evento de nível mundial, como o GP de São Paulo. Representa um momento marcante na minha trajetória. Estou há 50 anos nesse universo do esporte a motor e agora tenho a oportunidade de completar a arte de troféus que fazem parte da história da temporada de 2025. Para a Sid, é um grande reconhecimento e uma demonstração de confiança em nosso nome, resultado de muito trabalho e expertise”, afirma Mosca.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.