A classificação do GP da Itália de Fórmula 1, realizada na manhã deste sábado (5), definiu uma das maiores surpresas da temporada 2026 e dos últimos anos: a pole-position de Pierre Gasly. O piloto levou a equipe à primeira pole em 17 anos logo no dia seguinte da perda, nos tribunais, do único pódio conquistado no campeonato até aqui.

GASLY ALCANÇA POLE HISTÓRICA NO GP DA ITÁLIA F1 2026: GRID DE LARGADA [narração + Briefing]

Não que a Alpine tenha se tornado grande favorita ou a Mercedes se desmanchado no quesito favoritismo, mas tampouco se tratou de uma lambança que terminou num local aleatório. A realidade da corrida é outra coisa, mas a classificação tinha sua história a contar. E contou.

O grande fator de diferenciação é a necessidade quase patológica do vácuo que aparece para boas voltas lançadas numa pista viciada em velocidade como é Monza. E, neste pedido, alguns se criaram — Gasly pôde trabalhar com Franco Colapinto — e houve quem se enrolasse.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do sábado da Fórmula 1 na Itália.

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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Uma grande surpresa em Monza ( Foto: Alpine)

Vingança de Gasly veio a galope

Um dia depois da notícia de que o único pódio da Alpine nos últimos dois anos foi retirado pelo restabelecimento de uma punição contestada há meses, das acusações de Flavio Briatore e da promessa de Pierre Gasly de que as coisas não ficariam assim, a Alpine deu a melhor resposta que podia. Se na sexta a força das atualizações não apareceram, no sábado Gasly andou entre os primeiros colocados o tempo todo. No fim das contas, furou Mercedes, McLaren e Ferrari para conquistar a pole-position, a primeira da carreira, na mesma pista em que venceu pela primeira vez. A Alpine, antes Renault, não marcava uma pole desde 2009, 17 anos atrás. A corrida é outra história, mas a pole serve de um doce sabor para quem se sente tão prejudicado.

F1 encontra maneiras de mesmerizar

O feito de Gasly é um daqueles que força um sorriso ao menos de canto de rosto. Se nada mais, por conta do inesperado. A F1 tem muito de confirmação de expectativas, do sucesso dos melhores, o topo do topo não deixando abertura alguma para a classe média. A verdade é que a F1, com todo o investimento e sua pirâmide de classes, cria uma casca de cinismo em quem trabalha com isso. Um resultado inesperado como esse, com um veterano da categoria deixando para trás os favoritos quando absolutamente ninguém esperava, força a que deixemos o cinismo de lado por um instante. Hoje, ao menos nesta noite, todo mundo vai dormir feliz por ter acompanhado uma grande história ser desfraldada assim.

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Não deu tudo certo, mas Russell ainda é favorito (Foto: Mercedes)

Nada muda: Russell ainda é muito favorito

E quem esperava ver um George Russell irado após perder a pole para um rival tão surpreendente justamente na etapa em que o companheiro de equipe estava fora da briga, tomou um susto ao notar o piloto da Mercedes tão leve no fim da atividade. A verdade é que a Alpine não representa uma ameaça para a Mercedes a longo prazo na prova, ao menos em condições normais de temperatura e pressão. Na verdade, nem mesmo a Ferrari é tão amedrontadora assim. Quem mais poderia incomodar é a McLaren, mas as coisas melhoraram ainda mais quando Oscar Piastri foi punido por bloquear Liam Lawson e caiu do terceiro para o sexto posto — Lando Norris é o oitavo. A não ser que alguma coisa extraordinária aconteça, Russell vai tomar a dianteira nas primeiras voltas e fazer o motor Mercedes cantar.

Amigo de Wolff, negócios à parte

Parte importante da derrota de Russell foi a maneira como Max Verstappen se posicionou para a parte final do Q3. Sem companheiro de equipe ainda na pista para oferecer o vácuo, tão necessário para uma volta das mais competitivas em Monza, Verstappen tentou se aproveitar das Mercedes. Quis ficar entre os dois e aproveitar, uma vez que Antonelli, que está punido, chegou ao Q3 apenas para dar vácuo a Russell. Mas Kimi não deixou. Assim, Max ficou bem na frente de ambos, enquanto Antonelli não tinha muito a acelerar para deixar o vácuo atrás. Russell acabou próximo demais e sem ter como dar uma volta limpa. Muito provavelmente, foi o que custou os 0s03 que o separaram de Gasly. A amizade com Toto Wolff não fez Verstappen aliviar.

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Oscar Piastri cometeu erro caro no Q3 (Foto: Gabriel López/Grande Prêmio)

Erro de um, prejuízo de dois

Falando em vácuo, a situação da McLaren foi dramática. Era prioridade para Lando Norris e, então, os dois pilotos saíram juntos na tentativa final do Q3 com planos de Piastri oferecer o vácuo. A questão é que Oscar errou, passou reto numa das curvas e perdeu uma eternidade de tempo e espaço. Por isso, nada de vácuo e Norris terminou numa terra sem dono. “Não foi minha melhor volta, é verdade, mas a maior parte do tempo que perdi foi nas retas”, garantiu o atual campeão mundial. É uma decepção enorme que a McLaren largue amanhã com Piastri em sexto e Norris em oitavo, mas é a realidade.

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*Horários de Brasília