ALERTA – ATUALIZADO ÀS 15H, 25 MINUTOS DEPOIS DA PUBLICAÇÃO ORIGINAL: Oscar Piastri acaba de tuitar em sua conta que NÃO VAI CORRER PELA ALPINE NO ANO QUE VEM! Detalhes no próximo post! Dito isso, tudo que foi escrito abaixo é verdade. Ou, pelo menos, era até a negativa do piloto. Mas vou manter publicado, […]
Publicado em 02/08/2022 às 14:35
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ALERTA – ATUALIZADO ÀS 15H, 25 MINUTOS DEPOIS DA PUBLICAÇÃO ORIGINAL: Oscar Piastri acaba de tuitar em sua conta que NÃO VAI CORRER PELA ALPINE NO ANO QUE VEM! Detalhes no próximo post! Dito isso, tudo que foi escrito abaixo é verdade. Ou, pelo menos, era até a negativa do piloto. Mas vou manter publicado, para que no futuro a gente se lembre de como este novo mundo é estranho: uma equipe do tamanho da Alpine vem a público de manhã para anunciar uma nova dupla de pilotos. Um deles, um estreante há quatro anos sendo preparado pelo time. Sonho de qualquer moleque. Poucas horas depois, o mesmo piloto nega que tenha assinado um contrato e vai além: afirma que NÃO VAI CORRER pelo time. Tudo pelo Twitter. Sem que ninguém dê as caras para que possa ser questionado por aquilo que um dia a gente chamou de imprensa. Loucura total.
SÃO PAULO(rapidinho) – Não demorou nada. Pouco mais de 24 horas depois de saber que Fernando Alonso estava de saída para a Aston Martin, a Alpine fez valer o contrato que tem com o australiano Oscar Piastri até o fim de 2024 e confirmou o menino como titular no ano que vem. Campeão da F-3 em 2020 e da F-2 em 2021, Piastri, 21 anos, está há quatro sob o chapéu da Renault, dona da Alpine.
Foi um pouco tensa a negociação nas últimas horas porque, como revelou o chefe da equipe, Otmar Szafnauer, vazaram informações sobre uma possível conversa de Piastri com a McLaren. À frente dela, o agora empresário do piloto Mark Webber. Tudo porque Webber sabia que a Alpine contava com a permanência de Alonso, e não queria que Piastri ficasse mais um ano na geladeira sem correr.
O time francês até estudava alternativas para manter o pupilo em atividade, como alocá-lo numa provável vaga na Williams — que deve se abrir com a saída de Latifi. Mas ele não queria um time fraco e desinteressante. Assim, de olho num possível expurgo de Daniel Ricciardo da McLaren — o que no fim das contas não deve acontecer –, foi falar com a equipe papaia.
Mas tudo se resolveu sem que ninguém precisasse perder o emprego. Szafnauer justificou a escolha de Piastri — de resto, mais do que óbvia — dizendo que não faria sentido a Alpine investir tanto tempo e dinheiro na formação de um piloto para entregá-lo de mão beijada a outra equipe. E existia esse risco, se os alpinos não arrumassem um carro para ele em 2023.
Oscar é um menino prodígio que na temporada passada da F-2 ganhou cinco provas, fez cinco poles, subiu ao pódio 11 vezes e pontuou em 19 das 23 corridas de um campeonato confuso, de rodadas triplas e grids incompreensíveis. Era sua estreia na categoria. Foi imediatamente promovido a piloto reserva da Alpine neste ano.
Até o fim do campeonato, é provável que o time azul coloque Piastri para participar de treinos livres no lugar de Alonso, que não está saindo exatamente sob aplausos da companhia, muito pelo contrário. Szafnauer disse que só ficou sabendo da debandada do espanhol ontem de manhã, pela imprensa. E que até domingo o bicampeão lhe garantia que não tinha assinado com ninguém. O dirigente confirmou que Fernando queria um contrato longo, e que a equipe oferecera apenas um ano de extensão, com opção para mais um. Na Aston Martin, ele deve ficar dois anos, com possibilidade de um terceiro. Foi isso que mais pesou na decisão do bicampeão mundial de ir embora quase sem dizer adeus.
As conversas entre Piastri e McLaren foram minimizadas por Szafnauer. “Demos a ele muitos quilômetros de testes, foi promovido a piloto reserva, tem trabalhado no simulador. Eles [piloto e empresário] podem conversar com quem quiserem, claro, mas estamos cumprindo todas nossas obrigações contratuais. Inclusive para que ele corra em 2023”, falou antes do anúncio oficial.
Agora ele vai correr em 2023. Onde a Alpine queria, ainda que tudo tenha sido precipitado pelo acordo entre Aston Martin e Alonso. E, convenhamos, numa ótima equipe para começar a carreira.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.