SÃO PAULO (vi melhores) – Este GP de São Paulo prometia ser um puro-sangue da temporada. Título decidido, pilotos relaxados, chuva, protagonistas largando do fundo do pelotão, azarões nas primeiras filas, perspectiva de intervenções múltiplas do safety-car por conta das condições traiçoeiras da pista, dois brasileiros no grid pela primeira vez desde 2016. Ingredientes mais do que suficientes para oferecer ao distinto público um belo espetáculo.

Acabou sendo um pangaré.

Kimi Antonelli, campeão antecipado e bibelô recém-eleito dos torcedores brasileiros, fez uma corrida medíocre, embora tenha liderado as primeiras voltas com pista molhada. Passou boa parte do GP reclamando pelo rádio que seu carro estava “estranho”, sem conseguir explicar direito o que estava acontecendo. Terminou em quinto. A chuva que caiu antes da largada, durante toda a manhã, molhou a pista, verdade. Mas parou. O asfalto secou. E a água só foi dar as caras de novo nas voltas finais, quando todos tiveram tempo suficiente para colocar pneus intermediários e terminar a prova sem sustos. As estrelas que começaram lá atrás até deram a impressão de que ofereceriam algo de especial ao público. Tanto Max Verstappen quanto Lewis Hamilton largaram muito bem. Mas se o primeiro correspondeu às expectativas pelo menos no resultado final, terminando em segundo, o outro empacou no meio do pelotão e lá ficou. Foi o nono colocado. Os azarões como Liam Lawson e Nico Hülkenberg, que alinharam na segunda fila, viraram abóbora e acabaram em oitavo e décimo, respectivamente. Ninguém bateu, por isso o carro de segurança ficou estacionado nos boxes sem ter o que fazer. E os dois pilotos da casa andaram o tempo todo nas últimas posições e nem apareceram na TV. Gabriel Bortoleto foi o 16º e o estreante Rafael Câmara recebeu a bandeira quadriculada em 20º — o último entre os que concluíram a prova.

Para piorar, quem deu a bandeirada foi o jogador Neymar Jr., do Santos – não se machucou na ação, pelo menos. E, logo depois, dois expoentes da extrema-direita brasileira, que compartilham do – vá lá – pensamento político do atleta-celebridade, estiveram no pódio para entregar troféus: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, para o vencedor Lando Norris; Ricardo Nunes, prefeito da cidade, para o terceiro colocado, Isack Hadjar. E como nenhuma desgraça é pouca, o hino nacional foi cantado por uma cantora sertaneja que atende pelo nome de Ana Castela, ostentando um chapéu de caubói e a inscrição “boiadeira” na camisa, ladeada por um sujeito com um berrante e outro com um violão ou coisa parecida – podia ser uma viola, não sei distinguir. Em comum, todos esses personagens são devotos da família Bolsonaro. O patriarca do clã está em prisão domiciliar em Brasília, condenado a 27 anos e três meses de cadeia por tentativa de golpe de estado. O primogênito fugiu para os EUA dois dias depois de perder a eleição para presidente do Brasil e não pode voltar porque sabe que quando pisar aqui será preso, também – por lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas, rachadinha e outros crimes, entre os quais negociar por baixo do pano a compra vacinas contra a Covid numa suruba num barco no lago Paranoá durante a pandemia. Tem dedicado seu tempo a proclamar um discurso golpista e mentiroso acusando o sistema eleitoral brasileiro de fraudulento. Seu irmão mais novo fugiu há mais tempo e também mora nos EUA, depois de ter seu mandato de deputado cassado e de ser condenado por coação da Justiça – também será preso quando (e se) colocar os pés no Brasil novamente.

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Neymar deu a bandeirada

Isso tudo me leva à conclusão irrefutável de que o fascismo do século 21 brilhou na passarela da F-1 neste domingo cinzento e gelado em São Paulo. E não ficou apenas no lumpesinato político escalado para a corrida, o que já seria suficiente para atirar este GP no lixo da história. Teve coisa pior, como o caso de uma advogada que veio ao autódromo com um boné vermelho do MST e foi agredida pelos patriotas vestidos de amarelo com bonés do Banco Nacional. Fora os outros casos de hostilidade, machismo e misoginia verificados ao longo dos três dias nas arquibancadas – procurem nas redes sociais, não vou ficar listando tudo aqui, não sou delegado e não registro boletins de ocorrência.

Com tudo isso, acho que adivinhei que não ia dar bom.

Deu ruim. Foi ruim.

Assim, decidi narrar os fatos deste 8 de novembro em ritmo de despachos telegráficos sem nenhum charme estilístico na escrita. O GP de São Paulo de 2026 não mereceu. Pelo menos deixo para a posteridade um relato fiel dos acontecimentos. Boa leitura.

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Eram 9h30 quando cheguei a Interlagos sem nada de trânsito, nem fora nem dentro do autódromo. Coisa rara e inexplicável. Talvez todos já estivessem aboletados em seus lugares. Chovia, e as tribunas e camarotes estavam cheios. Duas horas depois, Rubens Barrichello entrou num carro da Williams de 2011 e deu duas voltas para se despedir da F-1 com 15 anos de atraso. Foi o carro de seu último GP. Na ocasião ele não deu adeus porque esperava continuar em 2012, o que acabou não acontecendo. Rubinho parou na reta dos boxes, desceu do carro e foi aplaudido pelas arquibancadas. Chorou ao abraçar o filho Dudu. Estava com o mesmo macacão que usou na derradeira aparição na categoria. A ação foi patrocinada pelos postos Ale ao custo de R$ 4,5 milhões. A marca foi adesivada nas laterais do carro e na asa traseira, que originalmente levava o nome da PDVSA, petrolífera estatal da Venezuela. O companheiro de Barrichello naquele ano foi Pastor Maldonado, que em 2012 ganharia uma corrida em Barcelona e festejaria dias depois nas ruas de Caracas tomadas por uma multidão, ao lado de Hugo Chávez.

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Rubens Barrichello (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUp)

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Barrichello correu na Indy em 2012 e no ano seguinte veio para a Stock Car brasileira, conquistando os títulos de 2014 e 2022. Segue correndo na série brasileira, aos 54 anos de idade. Na F-1, foram 19 temporadas com 322 GPs, 11 vitórias, 68 pódios e 14 poles por Jordan, Stewart, Ferrari, Honda, Brawn e Williams. Foi vice-campeão em 2002 e 2004.

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Indo para o grid, com a pista bem molhada ainda e muito escorregadia, Antonelli escorregou e foi para a grama na entrada da Junção. “Está inguiável”, falou. Patinou, quase atolou e voltou para os boxes.

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Antes da sertaneja bolsonarista cantar o hino, integrantes das escolas de samba de São Paulo desfilaram na frente do grid com uma bateria, uma ala de baianas e fantasias de mulatas do Sargentelli.

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Neymar Jr. e Memphis Depay foram algumas das estrelas do grid ao lado de uma dezena de influencers e artistas de segundo escalão da TV brasileira.

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Torcedores (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUp)

Antes da largada, novo recorde – todas as corridas tiveram recordes neste ano – de público em Interlagos foi anunciado: 317.096 pessoas nos três dias.

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Todos os pilotos largaram de pneus intermediários e o pole Norris patinou ao apagar do lume encarnado. Antonelli assumiu a ponta com Lawson em segundo. Lando caiu para terceiro. A pista estava muito escorregadia, mas sem chuva.

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Hadjar fez uma grande largada e passou em quarto na primeira volta. Verstappen saiu de 21º para 11º e Hamilton foi de 20º para nono. Câmara caiu para 17º. No fim da terceira volta Max passou Lewis na subida do Café – trecho assim chamado, de acordo com fontes indefinidas, porque é tão longo que dá tempo de tomar um cafezinho.

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Na quinta volta Verstappen passou Oscar Piastri e Alexander Albon e foi para sétimo. Enquanto Norris apanhava para passar Lawson, Antonelli ia embora. Quando finalmente se livrou do neozelandês, na sexta volta, o inglês estava 5s2 atrás do italiano.

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Gabriel Bortoleto (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUP)

Bortoleto em 20º e Câmara em 18º. Essas eram as posições dos brasileiros na volta 8. Discretos e cuidadosos. A pista estava secando. Outro discreto, Charles Leclerc, ocupava a 13ª posição e avisava: seus pneus traseiros já estavam acabando. Os pit stops começariam logo.

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Enquanto Max avançava, Hamilton empacava. Na décima volta, foi ultrapassado por Leclerc, seu desafeto de equipe. Antonelli, Norris, Hadjar, George Russell, Lawson, Verstappen, Piastri, Hülkenberg, Albon e Oliver Bearman eram os dez primeiros.

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Caendo y caendo, Hamilton começou a pedir por pneus slicks na volta 13, depois de ser ultrapassado por Fernando Alonso. Câmara, talvez cauteloso demais, caiu para último. A temperatura na capital paulista era de 16°C.

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Hamilton insistiu, insistiu, e parou na volta 15. Colocou pneus macios para pista seca. Os tempos de volta com intermediários estavam na casa de 1min27s a 1min29s. Voltou em 20º. Carlos Sainz fez o mesmo.

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Na volta 17, Norris parou. E Russell. E Hadjar, e Lawson, e Piastri, e Hulk. Mas Russell, coitado… Oh, Russell! Rodou na saída do box. Teve de manobrar o carro para voltar à pista. Ficou na contramão. Foi hábil, apesar de tudo. Antonelli parou na volta seguinte. A pista estava quase seca. Hamilton começou a fazer bons tempos. Verstappen também trocou seus pneus. Lando reduziu a diferença para Kimi para 3s7.

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Lando Norris (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUp)

Na volta 18, estavam todos de slicks. Antonelli, Norris, Hadjar, Verstappen, Lawson, Piastri, Russell, Hülkenberg, Albon e Arvid Lindblad eram os dez primeiros. Hamilton vinha em 11º. Bortoleto aparecia em 19º. Câmara era o 21º e último (Valtteri Bottas nem tinha largado).

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Na 19ª, Antonelli disse pelo rádio que tinha algo de estranho no carro. Norris se aproximou: 0s9 de diferença. Tinha algo estranho mesmo. Na 20ª, Kimi rodou sozinho na entrada do S do Senna. Costuma-se chamar isso de erro. Mas quando o autor é campeão do mundo recém-coroado, dizemos que algo estranho”. Norris assumiu a liderança. Hadjar encostou em Antonelli e passou. O próximo seria Verstappen. Estava estranho, o italiano da Mercedes.

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Kimi reclamava que seu carro puxava para um lado quando acelerava. “É muito esquisito!”, gritou, sem dar muitas pistas ao engenheiro do que podia estar acontecendo. Fez uma volta 2s pior que as dos primeiros colocados. Max chegou nele na volta 23. Na 24ª, Antonelli passou direto de novo no S do Senna. Verstappen passou e assumiu o terceiro lugar.

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Pelo rádio, a Mercedes pediu ao campeão mundial para se concentrar. Ele reclamou de novo. “O carro vira sozinho!” E foi ficando para trás. Na volta 30, Antonelli era o quarto colocado a 15s do líder Norris. Hadjar e Verstappen sumiram dele. Piastri era o quinto, seguido por Lawson, Russell, Hülkenberg, Hamilton e Lindblad na zona de pontos. Bortoleto e Câmara, opacos, estavam em 19º e 21º.

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Quase metade da prova, 35 de 72 voltas. A corrida não era boa. Não havia nenhum drama possível no horizonte. Verstappen, em terceiro, não conseguia se aproximar do companheiro Hadjar. Norris estava tranquilo na frente, mais de 7s de folga. Bortoleto fizera sua segunda parada, caindo para último. Câmara era o penúltimo. Só então Max resolveu atacar Isack, depois de um ligeiro erro do colega. Reduziu a diferença para 1s.

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Max Verstappen (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUP)

Na volta 38, a Red Bull mandou Hadjar trocar de posição com Verstappen, o que o franco-argelino fez sem questionar a ordem. Max passou e assumiu o segundo posto a 9s2 de Norris. O que salvaria a corrida seria um safety-car. A diferença era grande. Com o pelotão reunido, o holandês travaria um belo duelo com Norris. Com chances de ganhar, claro. Mas a prova seguia tranquila e sem intercorrências, com o asfalto seco e amigável. Hamilton parou pela segunda vez e colocou novo jogo de pneus macios. Voltou em 14º. Hoje o inglês completou 400 GPs na F-1.

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Hadjar perguntou pelo rádio: “Se Max não alcançar o Lando eu volto pra frente dele?”. Silêncio. “Alguém pode me responder?” “Estamos trabalhando nisso”, respondeu uma gravação de IA.

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Antonelli, em quarto na volta 44, parou de reclamar do carro e voltou a fazer tempos competitivos. Mas já estava longe. A Red Bull perguntou se Verstappen conseguiria ir até o fim com o mesmo jogo de pneus, porque Norris dava a impressão de que poderia fazer isso. “Não, de jeito nenhum!”, descartou. E acrescentou. “Ainda mais com meu carro.” Silêncio. A diferença dele para o inglês aumentara para mais de 11s. Ele parou na volta 46 e trocou os pneus. Voltou em quinto. A Red Bull fez a mesma pergunta dos pneus para Hadjar, se dava para ir até o fim sem nova troca. “Oxe, com certeza!”, respondeu o jovem.

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“Está chovendo!”, desesperou-se Hadjar na volta 48. “Esta é a terra da garoa, não se preocupe”, respondeu o engenheiro pelo rádio.

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Volta 50: Norris no box para sua segunda parada. Voltou em quinto atrás de Piastri, que abriu caminho para o companheiro. Hadjar parou. Antonelli assumiu a ponta, agora com Norris a 9s dele. Na liderança, Kimi perguntou à equipe: “O que a gente faz agora?”. O time pediu para ele esperar um pouco. “Vamos ver o que acontece.”

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Kimi Antonelli (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUP)

Não aconteceu nada e Antonelli parou na volta 54 para seu segundo pit stop. Norris voltou à primeira posição, com Verstappen em segundo e Hadjar em terceiro. Russell era o quarto, mas teria de parar de novo. Antonelli era o quinto.

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Norris sintonizou seu rádio numa estação de notícias de FM que informou: vem chuva fraca por aí, uma frente fria avança pelo litoral e deve derrubar as temperaturas na capital paulista. “Onde é a capital paulista?”, perguntou Lando à equipe. “Aqui”, respondeu o rádio, aproveitando para dizer que lá pela volta 64 viria uma chuva fraca porque uma frente fria estava avançando pelo litoral. “Onde é o litoral?”, perguntou Lando. “É onde tem praia, deve ser no Rio de Janeiro”, respondeu o engenheiro com parcos conhecimentos geográficos.

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Volta 60. A frente fria avançou, derrubou as temperaturas e começou a chover. Os tempos de volta subiram da casa de 1min13s para 1min16s. Parar ou não parar, eis a questão. Norris já tinha 13s sobre Verstappen. E Hadjar, desventurado, passou a ser assediado por Antonelli. Seu pódio começou a escorregar pelos dedos.

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Mas a chuva apertou salvando o segundo piloto da Red Bull. Os tempos subiram ainda mais. O asfalto estava escorregadio, insidioso, raposino. Sem pestanejar, todos voltaram aos boxes para colocar pneus intermediários. Faltavam oito voltas. Não dava para ficar na pista com outro tipo de pneu. Hamilton rodou antes da sua troca. Deu sorte e bateu de leve no muro sem quebrar nada. Norris, Verstappen, Hadjar, Antonelli, Russell, Piastri, Lawson, Leclerc, Hamilton e Lindblad eram os dez primeiros. A Mercedes pediu a Kimi para deixar George passar. Gentilmente, o menino que tem sido tratado como Ayrton Senna reencarnado o fez.

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Hülkenberg, esforçado, passou Lindblad na volta 66 e entrou nos pontos. Bortoleto era o 16º. Câmara, o 20º e último. Os brasileiros não empolgavam ninguém, mas pelo menos chegavam ao fim da corrida.

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No celular de Norris tocou um sino, apareceu uma mensagem, ele leu e perguntou: “O que é Defesa Civil?”. “Um momento”, pediu o engenheiro da McLaren e perguntou à sua Alexa, que descreveu longamente: “A Defesa Civil é um conjunto de ações permanentes destinadas a prevenir, mitigar, preparar, responder e recuperar a sociedade de desastres naturais ou tecnológicos”. O engenheiro voltou ao rádio para responder ao piloto: “É um grupo de WhatsApp criado por um deputado”. “OK”, disse Norris.

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Leclerc x Lawson foi a última briga do dia, pelo sétimo lugar. Os tempos subiram para 1min26s. A Defesa Civil alertara para a chuva forte que poderia causar transtornos.

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Max Verstappen, Lando Norris e Isack Hadjar (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUp)

Neymar Jr, filho de Neymar pai, deu a bandeirada para Lando Norris, que venceu pela terceira vez no ano, 14ª na carreira, segunda no Brasil. Verstappen foi o segundo, 14s6 atrás. Hadjar sustentou o terceiro lugar e foi ao pódio, onde uma garrafa de champanhe foi quebrada por Norris ao tentar expelir a rolha. Russell, Antonelli, Piastri, Leclerc, Lawson, Hamilton e Hülkenberg fecharam a zona de pontos. Horas depois da corrida a FIA puniu Leclerc por um toque em Lawson e eles trocaram de posição. Bortoleto terminou em 16º. Câmara completou seu primeiro GP em 20º. O resultado deu à Mercedes o título mundial de Construtores por antecipação. É a nona taça do time alemão, que conquistara oito seguidas entre 2014 e 2021.

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O pôr do sol em São Paulo neste domingo aconteceu às 18h24. Esse horário é calculado com base nas coordenadas geográficas locais, usando obviamente dados astronômicos. Mas como o sol não apareceu, não deu para ver. Foi um domingo cinza e sem graça.