A IMAGEM DA CORRIDA

Gasly no ar: felizmente, só susto

SÃO PAULO (relevem) – O fato em si não teve nenhuma importância. O GP de Miami não será lembrado pelo acidente entre Pierre Gasly e Liam Lawson. Mas uma boa foto deve ser valorizada. O autor é Sam Bloxham, da agência LAT Images.

Apesar do pedido de desculpas do neozelandês e de sua equipe, Gasly ficou bravo. “Era evitável”, falou. Tendo a concordar. A presepada de Lawson foi atribuída, pela Maquininha Amarelinha, a “uma falha da quinta marcha”. Se estava em quinta e não reduziu, era só meter o pé no breque. Se a quinta não entrou, a explicação não faz nenhum sentido por não ser a marcha usada naquela curva.

Mas deixa pra lá. Ninguém vai se lembrar dessa história daqui a meia hora. Só o fotógrafo, que acertou em cheio.

Cheguei a pensar em outra, esta menos sensacional no visual, mas espetacular na ação. Vejam:

Verstappen roda na curva 2: por milagre, ninguém bateu nele

O que Max Verstappen fez foi impressionante. Rodou na curva 2 logo depois da largada. Estava cercado de carros por todos os lados. E ninguém encheu seu Corcel energético. Aqui, aplausos efusivos para toda a pilotaiada, que conseguiu evitar um carambolage histórico, como dizem os franceses — palavra muito melhor que “engavetamento”. E para o holandês, também. que deu um 360 e seguiu em frente como se nada tivesse acontecido.

Mas a corrida teve um vencedor, e não foi nem Gasly, nem Verstappen. Kimi Antonelli está deixando boquiabertos aqueles que, no ano passado, passaram a temporada dizendo “ainda é cedo”. E para não ignorar o menino de Bolonha, seguem alguns cliques bonitos dele no domingo, ainda inéditos neste blog que ninguém lê.

Já foram exaustivamente destacadas as marcas que Antonelli estabeleceu em Miami, mas vou repetir: terceiro piloto a vencer suas três primeiras corridas de forma consecutiva (antes: Damon Hill em 1993 com a Williams e Mika Hakkinen em 1997/98 com a McLaren) e primeiro na história a converter suas três primeiras poles em vitórias.

Kimi ampliou sua liderança no Mundial para 20 pontos em cima de George Russell. As classificações estão aí embaixo. A arte é diferente porque a imagem que eu costumo usar, do Twitter da F-1, não foi atualizada com a punição a Charles Leclerc. Uma vergonha. O placar está 100 x 80 para o italianinho.

O NÚMERO DA FLÓRIDA

48

…pontos marcou a McLaren em Miami, contando Sprint e GP. Até então, na temporada, tinha feito 46 nas três primeiras etapas — incluindo a miniprova da China. Uma reação e tanto. O time papaia fez pole e dobradinha na Sprint e levou os dois pilotos ao pódio no dia seguinte. A Mercedes marcou 45 pontos e a Ferrari, 20.

Piastri (esq.) e Norris: McLaren reage com maior pontuação do fim de semana

A boa atuação da McLaren não foi o suficiente para deixar Lando Norris mais animado. O campeão mundial segue odiando os novos carros da categoria. Mas é inegável que a equipe melhorou muito. Fossem quais fossem os problemas detectados nas primeiras provas do campeonato, eles foram resolvidos. E o pacote de atualizações levado para Miami funcionou.

Foi um recado para a Mercedes: não cochila que o cachimbo cai.

A FRASE DE MIAMI

“Com esses carros, você é punido por ir ao limite e por acelerar antes que os outros. Não acho que vão conseguir consertar isso.”

Lando Norris
Domenicali (com Colapinto, Messi e Antonelli): calendário pode mudar

Notícias do lado de lá, agora.

Bahrein e Arábia Saudita ainda não desistiram de seus GPs. Os dois países acreditam que a guerra promovida pelo Agente Laranja pode terminar a qualquer momento, permitindo um rearranjo no calendário mais para o final do ano com a volta das duas corridas à programação de 2026. Talvez colocar uma delas ali perto de Azerbaijão e Singapura, entre o final de setembro e começo de outubro, e empurrar a outra para a vizinhança de Catar e Abu Dhabi.

Não se espantem se acontecer. Aliás, vou ficar espantado é se não acontecer. Lembremo-nos que até agora FIA e Liberty não usaram o termo “cancelamento” para as provas que deveriam ter acontecido em abril. Disseram, apenas, que elas não iriam mais acontecer em abril.

A sutileza tem razão de ser. “Cancelar” significa rasgar contratos e perder dinheiro. Mudar as datas mitiga esse problema. Stefano Domenicali, CEO da F-1, disse em Miami que nada está descartado.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da Williams, que finalmente deu o ar da graça e levou seus dois carros aos pontos. Nada tão espetacular, é verdade, um nono e um décimo de Carlos Sainz e Alexander Albon, mas já foi o suficiente para descolar da Audi na classificação, subindo para cinco pontos.

NÃO GOSTAMOS… da Audi, que começou o campeonato direitinho com pontos na Austrália, mas parece que desandou cedo demais. Os problemas técnicos são excessivos e graves, porque não afetam apenas o desempenho: tiram os carros de treinos, classificações e corridas. Bortoleto mal classificou. Hülkenberg não largou na Sprint. Situações semelhantes ocorreram nas etapas anteriores. Ao fim e ao cabo, os quatrargólicos deixaram Miami zerados. Uma crise interna já foi verificada, com a saída de Jonathan Wheatley da chefia de operações nos GPs. Estreou o ex-piloto Allan McNish na função. O time precisa se aprumar.