Publicado em 12/10/2026 às 18:23
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A IMAGEM DA CORRIDA
Parada de Hamilton: muito cedo, estragou tudo no final
Vá lá. Na falta de outra coisa, o único drama da corrida — que foi muito fácil para Max Verstappen — vai para o trono de imagem mais importante do domingo. Trata-se da parada precoce de Lewis Hamilton para trocar os pneus médios da largada pelos macios com os quais iria até o final do GP de Singapura. Foi na 19ª volta das 62 da prova.
Ele teria uma chance de colocar mais um jogo de macios 20 voltas depois, durante o safety-car virtual motivado pelo abandono de Lance Stroll — acontece em quase todos os GPs, o canadense sempre quebra e estaciona onde não pode; todo mundo deveria saber disso e deixar sempre uma parada reservada para quando Stroll abandona. Mas o inglês errou a entrada dos boxes e decidiu ficar na pista com a borracha que tinha.
Com a borracha que tinha, nas últimas voltas foi ultrapassado por Kimi Antonelli, Lando Norris e Oscar Piastri. Deixou um troféu de terceiro lugar pelo caminho e terminou em sexto. Assumiu a culpa, disse que a decisão foi dele, que vai tentar melhorar e que se a avó dele tivesse bigode seria seu avô.
Equipes e pilotos: pontos depois de 17 etapas
Já expliquei longamente o que Antonelli precisa fazer para ser campeão em Austin, ontem. Aí em cima estão as classificações de Pilotos e Construtores. Basicamente, o italiano precisa vencer a corrida — mandatório; se chegar em segundo, o campeonato não acaba — e torcer para George Russell ficar no máximo em nono e Hamilton, em quinto. Isso tudo precisa acontecer ao mesmo tempo. Se Russell terminar em oitavo, por exemplo, ou Lewis chegar em quarto — um ou outro —, matematicamente a conquista do título fica adiada.
Mas atenção, meninos & meninas: a FIA e a Liberty estão considerando seriamente a possibilidade de cancelar os GPs do Catar e de Abu Dhabi. A coisa está feia no Oriente Médio, como sabem aqueles que acompanham as notícias e não ficam o dia inteiro no TikTok vendo Abacatudo e Moranguete — eles existem ainda, suponho. É cada vez maior a chance de a temporada ser encurtada para 22 etapas, com Ímola fechando o calendário. Se isso acontecer, as contas mudam. Mas não estou a fim de fazê-las agora. Por enquanto, vale o escrito.
O NÚMERO DE SINGAPURA
…pontos Verstappen marcou com as vitórias na Sprint e na corrida principal. Foi o primeiro a gabaritar em 2026, marcando o maior número possível de pontos para um fim de semana de GP. Curiosidade: Max fez 58 pontos nos últimos dois finais de semana. Nas primeiras sete etapas do ano, foram 55.
Max e sua tradicional comemoração: provável vice da temporada
Com essa alta pontuação, o holandês ultrapassou Charles Leclerc e assumiu o quarto lugar no campeonato com seis pontos de frente para o monegasco, como se vê nas tabelas lá em cima — 221 a 215. Ambos têm chances matemáticas de título (com seis etapas pela frente, se não houver cancelamento algum). Mas nenhum deles será. O campeão é Antonelli, só falta saber quando.
Mas Max é seríssimo — eu poderia escrever seriíssimo, mas vocês iriam me achar presunçoso no trato da língua — candidato ao vice. Ele está só oito pontos atrás de Hamilton (229), o terceiro, e a 17 de George (238), o segundo. Fiz um recorte dos últimos cinco GPs. Nestes, o holandês marcou 109 pontos. Russell fez 55. Hamilton, 46. E Leclerc, 60.
Verstappen está subindo como o foguete do Professor Girassol. Será o vice.
A FRASE DE MARINA BAY
“Talvez a gente precise colocar uma almofada debaixo da sua bunda pra você enxergar direito os limites de pista. Mas foi muito bom.”De Toto Wolff, chefe da Mercedes, a Antonelli
Kimi (esq.) leva banho de champanhe de Leclerc: quase perde o pódio
Kimi, de novo, abusou dos limites de pista, deixando seu chefe de cabelos em pé. Ele teve quatro voltas canceladas no GP. Quatro advertências resultam em punição de 5s, o que faria o italiano perder o pódio para Norris. E por que não foi punido?
Antonelli saiu dos limites duas vezes na curva 2, uma na 19 e outra na 7. Mas os comissários 1) esqueceram de dar bandeira preta e branca de advertência após a terceira infração; e 2) constataram que a infração na curva 7 se deu na saída do pit stop, o que fez com que seu tempo de volta não fosse competitivo e, portanto, não representasse ganho esportivo (os tempos de volta após pit stops são altíssimos, porque incluem o tempo perdido nos boxes).
Pelo menos essa foi a explicação que deram. A McLaren pensou em protestar, mas deixou pra lá. É gastar vela boa com defunto ruim.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS de Nico Hülkenberg, que pontuou na Sprint (sétimo) e na corrida principal (oitavo). Acabou, assim, dando à Audi seu melhor fim de semana no ano, com seis pontos. O alemão agora tem 13 pontos no campeonato e assumiu o 14º lugar, superando o companheiro Gabriel Bortoleto, que marcou dez. O brasileiro abandonou com problema de câmbio.
Hülkenberg: pontos na Sprint e na corrida principal
NÃO GOSTAMOS… da Alpine, que saiu da tripleta Azerbaijão/Bahrein (Malásia)/Singapura sem nenhum ponto. Sua adversária na briga pelo quinto lugar entre as equipes, a Racing Bulls, marcou 23 nesses três GPs. Com isso, totaliza 100 contra 68 dos franceses, praticamente garantindo a posição. A Alpine precisa melhorar em corridas, esse foi o diagnóstico de seu principal piloto, Pierre Gasly: “Fui ao Q3 três vezes e também na Sprint. E saímos dessas provas com zero ponto. Alguma coisa está errada”.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.