POÇOS DE CALDAS (que massacre…) – Carlos Sainz larga na pole para o GP da Bélgica. O espanhol da Ferrari herdou a primeira colocação no grid que seria de Max Verstappen se ele não tivesse sido punido com a troca de motor, filtro de ar, óleo, fluido de freio, toca-fitas, pastilhas e extintor de incêndio […]
Publicado em 27/08/2022 às 13:10
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Sainz na pole: posição herdada de Verstappen
POÇOS DE CALDAS(que massacre…) – Carlos Sainz larga na pole para o GP da Bélgica. O espanhol da Ferrari herdou a primeira colocação no grid que seria de Max Verstappen se ele não tivesse sido punido com a troca de motor, filtro de ar, óleo, fluido de freio, toca-fitas, pastilhas e extintor de incêndio em seu carro. O líder do Mundial sobrou no cronômetro. Ganharia a corrida de amanhã assobiando e chupando cana se não tivesse de ser deslocado para o fundo do grid. Partindo em 15º, talvez tenha algum trabalho. Mas, por incrível que pareça, não será zebra nenhuma se vencer mesmo largando atrás. Sua superioridade na pista em todos os treinos, desde ontem, salta aos olhos. Eu diria, até, que ele é o favorito à vitória.
O grid ficou bem embaralhado com as punições aplicadas a sete pilotos por trocas diversas que ultrapassaram os limites de uso de certos componentes na temporada. Ao lado da Ferrari #55 parte o segundo carro da Red Bull, de Sergio Pérez. A segunda fila terá Alonso e Hamilton. A terceira, Albon e Ricciardo.
Então, vamos saber como tudo aconteceu no sábado frio e nublado – mas sem chuva – em Spa-Francorchamps.
A beleza de Spa: grid embaralhado
A classificação começou com quase meia hora de atraso por conta de um acidente numa corrida de Porsche que demandou reparos numa barreira de proteção. Verstappen começou a mostrar as garras fazendo 1min44s583 em sua primeira volta voadora do dia, o primeiro no fim de semana a andar abaixo de 1min45s.
Serviu como aviso: mesmo partindo lá do fundão, ninguém deveria descartar algo como um pódio ou, no limite extremo, como diria Galvão, até uma vitória do holandês. Ainda mais com a Mercedes, que poderia aproveitar o ensejo das punições aos favoritos, tropeçando no acerto de seus carros e dando a impressão de ter andado para trás depois das férias. Hamilton e Russell não fizeram uma volta que prestasse desde ontem.
Max fechou no Q1 em primeiro seguido por Sainz, Pérez, Leclerc, Russell e, pasmem, Albon em sexto. A Williams apostou num acerto de carro privilegiando a velocidade em reta, arrancando asa de seus carros. “E nas curvas?”, perguntou Latifi. “Se vira.”
Latifi não se virou e foi eliminado na primeira parte da classificação, ficando com o 17º tempo. À frente dele, o primeiro degolado foi Vettel, por meros 0s002. Magnussen, Tsunoda e Bottas fecharam o grupo dos cinco últimos. O finlandês da Alfa Romeo ficou fora do Q2 pela primeira vez no ano. Mas não se incomodou tanto porque estava punido, mesmo, por troca de motor.
Max: superioridade assustadora
Verstappen voltou a virar na casa de 1min44s no Q2, desta vez trazendo Pérez com ele – o mexicano tinha a obrigação de fazer a pole, dada a superioridade dos carros da Red Bull em Spa. Depois da primeira bateria de voltas rápidas, Hamilton estava ameaçado de ficar fora da parte final da classificação, provisoriamente em décimo e com cinco pilotos sedentos atrás dele. Mas se safou e fechou o segmento em quinto.
Leclerc foi quem acabou surpreendendo, fazendo o melhor tempo do fim de semana até ali: 1min44s551. Verdade que os dois carros da Red Bull só fizeram uma volta cada e não se preocuparam muito com exibições de virilidade. Albon, que já tinha andado bem no início das atividades do dia, passou ao Q3 em décimo. Ficaram fora o demitido Ricciardo, Gasly, Zhou, Stroll e Schumacher.
Dos dez classificados ao Q3, quatro estavam punidos por troca de motor: Leclerc, Verstappen, Ocon e Norris. Se desse, tentariam trabalhar para ajudar os companheiros de equipe com um providencial vácuo – exceto Lando, já que seu parceiro de McLaren já havia sido eliminado.
Na primeira saída, o holandês sentou o pé e fez uma volta em 1min43s665, 0s797 melhor que Pérez, com o outro carro da Red Bull – naquele momento, terceiro colocado. Sainz era o segundo e, portanto, o pole. Na segunda bateria de voltas rápidas, a disputa ficaria entre ele e o mexicano para se saber quem largaria em primeiro — ambos claramente se valendo das punições aos companheiros de equipe.
Alonso: terceiro no grid
Mas nada de muito relevante aconteceu na segunda leva de “flying laps”. Checo não chegou nem perto de Sainz, que manteve o segundo melhor tempo e, portanto, assegurou a segunda pole de sua carreira – a outra foi em Silverstone neste ano. Verstappen, Sainz, Pérez, Leclerc, Ocon, Alonso, Hamilton, Russell, Albon e Norris fecharam os dez primeiros, pela ordem estabelecida no cronômetro. Mas com todas as punições, o grid ficou bem diferente. Aliás, vamos a ele completinho, porque hoje é o caso. Sainz, Pérez, Alonso, Hamilton, Russell e Albon nas seis primeiras posições. O sétimo é Ricciardo, seguido por Gasly, Stroll e Vettel fechando o top-10. Depois, até o 15º: Latifi, Magnussen, Tsunoda, Bottas e Verstappen. Por fim, os cinco últimos: Leclerc, Ocon, Norris, Zhou e Schumacher.
Os tempos da classificação: Red Bull voando, mas muitas punições
Com Leclerc e Verstappen deslocados para o pelotão “de la merde”, como se diz em Bruxelas, e a primeira parte do grid meio embaralhada, é de se imaginar que o GP da Bélgica seja bem interessante. Mas, de novo: Max está sobrando tanto que ninguém deve se surpreender se vencer a corrida. Largando em 15º, o líder do campeonato não precisa de nenhum grande milagre. Basta acelerar. E isso ele sabe fazer.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.