SÃO PAULO (buemba!) – Esta é, sem dúvida, a notícia do dia na F-1. E, faz-se necessário dizer, apurada por JORNALISTAS DE VERDADE, e não instagramers, influencers, tiktokers, xers e youtubers que vivem de sugar aquilo que a imprensa profissional produz. Faço a ressalva por desagravo, mesmo. Essa malta de redes sociais drenou o financiamento […]
Publicado em 25/04/2024 às 18:19
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Newey: decisão tomada de sair no fim do ano
SÃO PAULO(buemba!) – Esta é, sem dúvida, a notícia do dia na F-1. E, faz-se necessário dizer, apurada por JORNALISTAS DE VERDADE, e não instagramers, influencers, tiktokers, xers e youtubers que vivem de sugar aquilo que a imprensa profissional produz. Faço a ressalva por desagravo, mesmo. Essa malta de redes sociais drenou o financiamento do jornalismo. As verbas publicitárias, hoje, estão alocadas nos perfis dos que fazem dancinhas, gracinhas e “memes”. Os leitores também preferem tais baboseiras à informação real. Jornalistas são demonizados e preteridos em eventos. Mas, na hora em que precisa informação real, trabalho, apuração, fontes, é ao repórter que todos recorrem. Viva a reportagem!
Dito isso, vamos à notícia.
Adrian Newey já decidiu deixar a Red Bull no final deste ano. Quem publicou a bomba foi a versão eletrônica da revista alemã “Auto Motor und Sport”. Outros veículos, como a BBC e a “Autosport”, ambos da inglaterra, confirmaram com suas fontes. O mago das pranchetas, que projetou 12 carros campeões mundiais e está na Red Bull desde o início da vida da equipe, em 2005, se cansou do ambiente tóxico de Milton Keynes.
O caldo começou a entornar em fevereiro, quando surgiram as primeiras denúncias de assédio sexual contra o chefe Christian Horner. Aqui é preciso contextualizar. A morte de Dietrich Mateschitz, em outubro de 2022, abriu uma guerra interna na empresa. O austríaco, fundador da Red Bull, sempre cuidou diretamente das coisas da F-1. O lado tailandês da companhia nunca se meteu muito com corridas. Mais contexto: 51% das ações da Red Bull pertencem à família do criador da bebida energética, Chaleo Yoovidhya, a quem Mateschitz conheceu numa viagem à Tailândia nos anos 80. Ele experimentou a bebida Krating Daeng, invenção de Yoovidhya, gostou, propôs sociedade e assim tudo começou.
Mateschitz, dono de 49% da Red Bull, sempre teve no ex-piloto Helmut Marko seu homem de confiança nas operações de esportes a motor. Já Horner, muito competente na função de chefe da equipe, nunca gostou da influência de Marko no time. Mas aturava, já que o padrinho do desafeto era ninguém menos que o dono da firma. Após a morte do empresário, Horner se aproximou do lado tailandês da Red Bull com a clara intenção de assumir o controle da equipe — comprando parte dela. Assim, iria afastando Marko aos poucos.
Então estourou o escândalo do assédio sexual, pouco antes da abertura do campeonato deste ano. A Red Bull — a empresa, não a equipe — abriu uma investigação interna e depois de algumas semanas informou que as denúncias da funcionária que acusava Horner não eram consistentes. E ainda afastou a moça de suas funções. Sua identidade nunca foi revelada.
Nessa hora, foi aos tailandeses que Horner acorreu por apoio — e eles se aliaram ao chefe do time. Já a facção austríaca, agora comandada pelo filho de Mateschitz, Oliver, juntou fileiras com Marko e com a família Verstappen para torpedear o dirigente inglês. Jos, pai de Max, falou que Christian tinha de sair da equipe, senão ela “explodiria”. O piloto, por sua vez, ameaçou deixar a Red Bull se Marko saísse. Dirigentes de equipes rivais viraram seus canhões para Horner exigindo “transparência” nas decisões da Red Bull. Os ânimos se acirraram.
No meio desse tiroteio, o plácido e genial Newey se sentiu incomodado. Ele se cansou da bagunça, das brigas, intrigas e desavenças. E também não vê com bons olhos o poder cada vez maior que Horner concede a dois nome de sua equipe de engenharia, o francês Pierre Wache e o italiano Enrico Balbo. Christian, neste momento, tenta convencer os sócios majoritários tailandeses que com esses dois projetistas consegue se virar tranquilamente. E que a saída de Newey não seria sentida pela Red Bull.
Adrian, 65 anos, de acordo com as publicações europeias, já tomou a decisão de ir embora. Ele tem compromisso com a Red Bull até o fim de 2025, mas isso não é propriamente um problema. Paga uma multa rescisória, cumpre quarentena — se estiver prevista em contrato — e acabou. Claro que não ficará cinco minutos desempregado. Neste exato instante, Mercedes, Ferrari e Aston Martin estão mandando mensagens para o engenheiro britânico.
A estratégia de Toto Wolff é agressiva: arrancando Newey da Red Bull, acredita que leva junto Verstappen. E topa até pegar Marko — para ser um novo Niki Lauda no time. O holandês não quererá ficar na sua atual equipe sem o gênio de Newey e, principalmente, sem o veterano guru e amigo. Seria a ruína da Red Bull, para gáudio de Wolff — que odeia Horner. Já a Aston Martin acena com dinheiro, mesmo, que virá da Aramco, a petroleira estatal saudita. É só fazer o preço que os árabes pagam. E ainda colocam Newey para trabalhar no hipercarro da marca para Le Mans, algo que ele sempre curtiu.
E a Ferrari?
A Ferrari tem camisa. Tem história. Tem tradição. Tem mística.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.